domingo, janeiro 26, 2020

Brasil cria 644 mil empregos com carteira em 2019, melhor resultado em seis anos

Renata Vieira
O Globo

Foram registradas 16.197.094 contratações e 15.553.015 demissões, segundo dados do Caged

  Foto: Agência O Globo
Desempenho do emprego formal em 2019 foi melhor do que o registrado em 2018

BRASÍLIA - O saldo de empregos no mercado formal de trabalho brasileiro em 2019 foi o melhor em seis anos. No ano passado, o país criou 644.079 vagas de trabalho com carteira assinada.

O número se refere ao saldo entre as contratações e as demissões neste período: foram registradas 16.197.094 contratações e 15.553.015 demissões. Os dados constam do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério da Economia.

Na comparação com 2018, foram 115 mil postos de trabalho gerados a mais no país, e todos os oito setores da economia avaliados pelo Caged registraram saldo positivo no ano passado. Do ponto de vista regional, os resultados também foram positivos: todas as cinco regiões do país mais contrataram do que demitiram ao longo do ano passado.

Boa parte do desempenho positivo de 2019 se deve à geração de empregos no setor de serviços. Esse segmento gerou 382.525 mil novos postos de trabalho, mais da metade de todos os empregos gerados no ano. Em seguida, aparece o comércio, com 145.475 mil novos empregos.

A construção civil abriu 71.115 mil novas vagas, número quase quatro vezes maior do que o registrado em 2018. A indústria de transformação criou 18.341 mil empregos, e o salto também chama a atenção: o montante foi sete vezes maior na comparação com o ano anterior. Na agropecuária, o saldo foi positivo com 14.366 mil vagas, também mais de quatro vezes superior ao registrado ao longo de 2018.

Os resultados também foram positivos no setor de serviços industriais de utilidade pública, que gerou 6.430 empregos. Na indústria extrativa mineral, foram 5.005 mil empregos. Na administração pública, foram 822 novas vagas.

Dezembro negativo

Já em dezembro, o saldo de empregos foi negativo, como historicamente ocorre nesse mês do ano. Comumente, o número de demissões sobe nesta época por conta dos postos temporários de trabalho que são criados. No último mês de 2019 foram 307.311 mil vagas fechadas, montante menor do que o registrado em dezembro de 2018, quando 334.462 mil postos deixaram de existir.

O maior número de desligamentos em dezembro se concentrou também no setor de serviços, que fechou 113.852 mil postos. Em seguida, aparece a indústria de transformação, que fechou 104.634 mil vagas. Na contramão, o comércio foi o único setor a gerar vagas em dezembro, com saldo positivo de 19.122 mil empregos.

No acumulado até novembro, as contratações com carteira assinada haviam somado 948.344. O resultado consolidado do ano foi menor porque os meses de dezembro apresentam, tradicionalmente, saldos negativos devido aos desligamentos dos trabalhadores temporários contratados para as festas de fim de ano.

Caged x IBGE

O Caged considera apenas os trabalhadores formais, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Isso significa que não são contabilizados trabalhadores sem carteira, nem os que trabalham por conta própria ou os funcionários públicos. 

Os dados vêm dos registros que as empresas enviam ao Ministério do Trabalho, que é responsável por controlar as admissões e demissões dos trabalhadores sob o regime da CLT.

Na pesquisa do IBGE, são investigados todos os tipos de ocupação, formais e informais, além de empresários e funcionários públicos.

Outra diferença é a localização geográfica. Na pesquisa do IBGE, são levantados dados de todos os estados brasileiros, mas nem todos os municípios estão representados: são 3.464 das 5.561 cidades brasileiras. O Caged cobre todos os municípios brasileiros.