domingo, outubro 31, 2021

Banco Central aumenta taxa de juros para 7,75% ao ano. Maior alta desde 2.002

 Alessandra Azevedo, de Brasília

Exame.com

Mercado já previa alta, mas ainda havia dúvidas sobre o patamar que seria estipulado, diante dos riscos fiscais e do aumento insistente da inflação

 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília 

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira, 27, um aumento mais agressivo na taxa básica de juros. A Selic passa de 6,25% ao ano para 7,75% ao ano, alta de 1,5 ponto percentual, e atinge o maior patamar em quatro anos.

O mercado já previa alta, mas ainda havia dúvidas sobre o patamar que seria estipulado, diante dos riscos fiscais e do aumento insistente da inflação. Em geral, as estimativas variavam entre alta de 1 ponto percentual, sinalizada na última ata do Copom, e alta de 1,5 p.p..

O aumento de 1,5 p.p. acontece em meio a um cenário fiscal conturbado, com expectativa de que o teto de gastos seja furado para acomodar o novo Auxílio Brasil. A possibilidade de que o governo desrespeite a regra fiscal que limita o aumento de gastos à inflação do ano anterior tem sido repetida pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

O risco fiscal fez com que economistas revisassem as estimativas para alta acima de 1 ponto percentual nos últimos dias. De acordo com o último boletim Focus, a previsão do mercado é de que a Selic termine o ano em 8,75% e chegue a 9,25% até o fim de 2022. No começo do governo Bolsonaro, a taxa de juros estava a 6,5% ao ano.

Além disso, a inflação continua subindo. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira, 26, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de outubro, com alta de 1,2% na comparação com setembro deste ano. Foi a maior variação para o mês desde 1995 (1,34%) e a maior variação mensal desde fevereiro de 2016 (1,42%).

De acordo com o boletim Focus mais recente, a inflação deve chegar a 8,96% neste ano e a 4,40% no ano que vem. A meta de inflação em 2021 é de 3,75%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais (5,25%) e para menos (2,25%), mas o Banco Central já admite, desde setembro, que a probabilidade de estouro da meta é de praticamente 100%.