Alvaro Gribel
O Globo
Ana Branco
Com a inflação, já há inovações na hora do pagamento
O IPCA-15 de outubro veio bastante forte, com alta de 1,2%, a maior taxa para o mês desde 1995, de acordo com o IBGE. Com isso, a taxa em 12 meses voltou a acelerar e chegou a 10,34%.
O número veio acima das projeções de mercado. O banco Modalmais, por exemplo, previa 1,06%, a consultoria LCA, 0,96%, e a Tendências, 0,83%.
Nas redes sociais, economistas chegaram a reclamar de uma pequena lentidão no site do IBGE, tamanha era a ansiedade por esse resultado. Isso porque o número terá influência sobre a reunião do Copom, que começa hoje.
Como a taxa veio acima do esperado, o Banco Central ficará pressionado a acelerar o ritmo de alta dos juros.
Parte do mercado aposta em aumento de 1,5%, o que colocaria a selic em 7,75%. Há, no entanto, quem defenda a manutenção do ritmo de 1 ponto, e também quem defenda uma dose ainda maior, de 2 pontos.
A economia brasileira enfrenta uma inflação de dois dígitos, que levará a um forte choque de juros. Isso está derrubando as projeções de crescimento do ano que vem.
Como o governo pretende mudar a regra do teto de gastos, reajustando o teto pela inflação de janeiro a dezembro, a ironia é que quanto maior for a inflação até o final do ano maior será o espaço que o governo Bolsonaro terá para gastar no ano eleitoral.
E maior também terá que ser a dose de juros pelo Banco Central, para esfriar o ritmo de atividade e conter a alta dos preços.