segunda-feira, outubro 11, 2021

O STF E A CAIXA DE PANDORA

 Comentando a Notícia

E o STF, ao abrir a caixa de Pandora, simplesmente, condena o país a viver no abismo em que foi colocado desde 2003. Não podemos repetir nossos erros. O preço a pagar será alto demais.  

 De algumas semanas para cá tem corrido no país enquetes onde se pergunta a preferência dos eleitores: Lula ou Bolsonaro. De minha parte, a resposta é incisiva: NENHUM.

Para o momento atual do país, nenhum dos dois serve para governar o Brasil. Precisamos de alguém com perfil totalmente diferente dos perfis de Lula e Bolsonaro. Ambos autoritários, grotescos.

O STF nos fez o ingrato favor de ressuscitar Lula e sua falange. Abriram a caixa de Pandora. Trata-se de uma caixa onde os deuses colocaram todas as desgraças do mundo, entre as quais a guerra, a discórdia, as doenças do corpo e da alma. Contudo, nela havia um único dom: a esperança.

No caso brasileiro, nem esperança nos resta. Ao anular os processos aos quais o petista era julgado, tornou legalizada a corrupção. São muitas as provas, documentos e testemunhos que comprovam, de maneira irretocável, que Lula foi o chefe e comandou pessoalmente o maior antro de corrupção da nossa história republicana. E não que houvesse   motivos legais para anulação. Apegaram-se a filigranas jurídicas para anular a montanha de provas colhidas. Tratou-se apenas, e unicamente, de uma questão pessoal de Gilmar Mendes a quem aliou-se Dias Toffoli e Lewandovski. 

O ponto de inflexão foi quando a força tarefa da Lava Jato percebeu dentre os inúmeros documentos da Receita Federal a que tivera acesso, que Gilmar Mendes não  conseguia comprovar seu patrimônio com os rendimentos declarados. Ao invés de justificar-se e deixar tudo esclarecido, Gilmar, bem ao seu estilo grotesco, abriu o berreiro e, a partir daí passou a atuar contra a Lava Jato, juízes e procuradores tornaram-se seus inimigos. Chegamos ao cúmulo de inocentarem o chefe da quadrilha e culpar e tornar bandido o juiz que o julgou. 

Claro que a consequência deste processo de lavagem de reputação, foi tornar Lula o maior adversário político  ao projeto de reeleição de Bolsonaro. Assim, com a caixa de pandora esgaçada, corremos o risco de voltarem ao poder todos os bandidos e criminosos que, por 13 anos, assaltaram os cofres públicos, sem dó nem piedade. 

Pesquisa eleitoral feita na última semana, dá conta de que Lula ganharia a eleição já no primeiro turno. Seria 49% contra 23%.

Mas Lula seria a solução? Definitivamente, NÃO. Lula não encontraria o mesmo Brasil arrumadinho que FHC lhe passou em 2003. Institucionalmente, o país está esgaçado. Na economia, temos uma dívida pública que se aproxima dos 100% do PIB. Contamos com um déficit orçamentário próximo dos R$ 800 bi, embora Guedes tenha reconhecido em torno de R$ 200 bi para o corrente ano. A inflação permanece firme e em alta, sem perspectiva de recuar no curto prazo. As reformas? São piadas de mau gosto. Todo o plano liberal proposto por Paulo Guedes durante a campanha não conseguiu sair do papel. O desemprego continua em alta – mais de 14 milhões – e não há plano de geração de novos postos de trabalho. A miséria voltou a subir sensivelmente e o atual Bolsa Família tornou-se pequeno diante do caos social. 

O país segue firme sem um projeto de educação, sem controle da destruição do meio ambiente, a saúde vai permanecer na UTI enquanto não domarmos a pandemia, no saneamento básico continuamos empacados com 50% na merda, literalmente. Na Cultura, todos os projetos em andamento foram abandonados.   

Em 2003, Lula encontrou um país arrumado, com inflação domada, contas públicas equilibradas, dívida pública equacionada, Lei de Responsabilidade Fiscal em vigor, dívidas estaduais equacionadas, projeto educacional que colocou 96% das crianças em idade escolar matriculadas, ampla rede de proteção social através do programa Comunidade Solidária, origem do próprio Bolsa Família. 

São Brasis diferentes, em épocas diferentes. Em 2003, Lula precisava apenas manter as conquistas. Em 2023 precisará reconstruir o país que Bolsonaro destruiu. Terá a competência necessária e, principalmente, será honesto suficiente, coisa que nunca conseguiu ser na vida pública? 

Quanto a Bolsonaro, começo pelos mais de 500 mil mortos pela pandemia que ele sabotou o combate o tempo inteiro. Depois, o incentivo à destruição da floresta amazônica, por madeireiros e garimpeiros. Procurem um projeto mínimo de qualificação do ensino público que o governo atual tenha produzido. Procurem. Não há. 

Na economia, além dos números e indicadores não serem nada agradáveis, as tais reformas estruturantes viraram coisa nenhuma. Naquilo que aprovou, a reforma da Previdência, ele a recebeu de bandeja, prontinha, de Michel Temer e, ainda assim, antes da aprovação, tratou de desidrata-la. Reformas administrativa e tributárias que correm pelo Congresso, não eliminarão as dificuldades, o tamanho do Estado, as centenas de privilégios, os milhares de cargos políticos ocupados por assessores de porra nenhuma, o plano de privatização afundou e no que, talvez aconteça, o da Eletrobrás, virou um monstrengo que acabará no colo dos consumidores em bilhões de reais. 

E o que se dizer do gabinete de ódio instalado no Planalto, perseguindo opositores, detratando-os gratuitamente, ofendendo toda a classe artística e cultural, além da imprensa em geral?  Seu comportamento mórbido, provocando aglomerações onde faz discursos de ódio contra prefeitos, governadores e STF e sem o uso de máscara quando não as arranca de crianças presentes? Seu negacionismo bucéfalo é uma das coisas mais deprimentes que se tem notícia. A lista de ruindades de Bolsonaro é longa demais para caber neste espaço.

Encerramos afirmando e reafirmando que nem Lula tampouco Bolsonaro tem o perfil que se exige para aquele que irá comandar o Planalto e precisará primeiro pacificar o pais, reinstitucionalizá-lo, fortalecer nossas raízes culturais e artísticas, levar avante um plano coerente, que priorize a geração de empregos e renda, instituir uma rede de proteção social capaz de reduzir o máximo que puder a miséria e a fome que afligem milhões de brasileiros, brigar o quanto puder por reformas estruturantes que reduza o peso e o tamanho do Estado – atualmente insustentável -, racionalize o sistema tributário, reduza a quantidade de estatais ou privatizando ou fechando antros de emprego de favor sem utilidade nenhuma. E, principalmente, institua um projeto de educação que atenda as necessidades de um país que quer se desenvolver. Não existe no mundo, país sério, rico e civilizado com povo analfabeto e semianalfabeto como o Brasil é.

Além de tudo, precisamos de alguém não apenas competente, mas que seja bom de diálogo, polido, culto e inteligente, que conheça nossos problemas e busque atenuá-los e não aumentá-los e que, acima de tudo, traga debaixo do braço um PROJETO DE BRASIL PARA BRASILEIROS. Chega de se privilegiar esta ou aquela categoria como fez Lula com servidores públicos ou Bolsonaro com militares e milicianos.    

E o STF ao abrir a caixa de Pandora, simplesmente, condena o país a viver no abismo em que foi colocado desde 2003. Não podemos repetir nossos erros. O preço a pagar será alto demais.