Editorial
O Estado de São Paulo
Desde que Jair Bolsonaro venceu a eleição, lideranças políticas e da área econômica aguardam ansiosamente o dia em que haverá moderação no discurso do mandatário. Passados quase três anos de sua posse, é possível afirmar com certa segurança que isso não vai acontecer. Dada a realidade dos fatos, com o tempo, auxiliares mudaram de estratégia: passaram a diminuir a importância dos arroubos que o presidente dispara diariamente. Seria o “jeito” do capitão, e, embora sua incontinência verbal não encontre limites, suas palavras poucas vezes se materializariam em atos.
Se essa versão não convence nem mesmo a sociedade civil, não deveria surpreender que tampouco seja aceita pelos investidores. O resultado pode ser visto no leilão de arrendamentos portuários realizado na semana passada pelo Ministério da Infraestrutura. Na licitação, considerada a maior dos últimos 20 anos, o governo ofereceu dois terminais para movimentação de combustíveis no Porto de Santos, o principal do País e o maior da América Latina. Os terrenos se conectam ao sistema de dutos que interligam a região da Alamoa à rede da Transpetro, subsidiária da Petrobras, e se destinam à movimentação, armazenagem e distribuição de granéis líquidos.
Era de esperar uma intensa concorrência pelos arrendamentos, já que essas áreas atendem o Estado de São Paulo, um dos maiores mercados consumidores do País, além das Regiões Sudeste e Centro-Oeste. Paradoxalmente, um deles recebeu uma única proposta, da Petrobras, que já operava a área por meio da Transpetro. O outro não contou com nenhum interessado. Para evitar problemas de abastecimento, a operação deve ser mantida de forma transitória pela empresa até que o governo reavalie as condições da licitação e coloque a área novamente em disputa.