sexta-feira, dezembro 08, 2006

A força da lei

por Timothy Halem Nery, economista, Blog Diego Casagrande
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O Artigo 2º da Constituição Federal apresenta o seguinte texto: “São Poderes da União, harmônicos e independentes entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. Cabe perguntar aos membros de cada Poder o que isso significa. Pelo visto, os conceitos devem ser distintos dos da maior parte da população.
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E a famosa idéia de freio e contrapeso? Parece mais acelerador e pé de chumbo! Sim, pois o peso que cada Poder representa para a sociedade vem sendo elevado ano após ano. É incrível a falta de consideração e respeito com aqueles que efetivamente tiram do próprio bolso para pagar salários astronômicos. Ah, não são salários. Cada Poder ainda se dá o direito de encontrar diferentes denominações para a “grana preta” que recebem.
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A triste realidade que a sociedade encontra a sua frente não é nenhuma novidade. Os salários que juízes, promotores, desembargadores, deputados, senadores e outros tantos “talentosos” recebem são altos há muitos anos. No entanto, esses mesmos beneficiados acreditam que merecem mais. Muito mais. Parecem crianças: quanto mais nós damos, mais elas querem. Mas não são crianças. Isso é, na verdade, uma ganância sem fim.
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Acredito que o “querer mais”, normalmente, é extremamente saudável, pois acaba sendo um incentivo para correr atrás dos objetivos. Nem sempre querer é poder! Porém, quando o “poder” está na mão de quem “quer”, a situação se torna muito complicada. Lembra aquele ditado: “Quem pode, pode, quem não pode se sacode”. Rir ou chorar?
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Aliás, essa situação lembra muito uma partida de futebol. Mas não uma partida qualquer, pois em princípio essa é decidida exclusivamente pelas capacidades das equipes. Entretanto, se o juiz for o presidente ou um sócio do clube, é bastante provável que o resultado possa ser conhecido antes mesmo da bola rolar. .É exatamente isso que vem ocorrendo no Brasil. A partida é entre a sociedade e os “Poderes”. O juiz dessa partida, que pode intervir diretamente no resultado (e o faz), é na verdade jogador da equipe dos “Poderes”. A vitória é de goleada!
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Ética, respeito, responsabilidade, integridade, honra, valores, entre outras tantas que podem ser listadas, ficam no banco de reservas. Sem perspectiva de entrarem em campo. Se bobear, a equipe dos Poderes é dona do campo e da bola. Que covardia!
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É difícil acreditar nessa triste realidade. Brasileiros que deveriam ajudar a construir o futuro da Nação, criando leis, administrando a máquina pública ou fazendo justiça simplesmente viram as costas para seus deveres. Passam a cuidar exclusivamente dos seus próprios interesses, negando a milhões de brasileiros a possibilidade de um futuro melhor.
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Seria possível não estarem se dando conta dessa realidade? Desconhecem o fato de que indivíduos com salários acima de R$ 6.000 compõem a Classe A, respondendo essa por apenas 5% da população do Brasil? A resposta é não. Eles não ligam pra nada. Eles não ligam pra nós. Isso é a força da lei.