quarta-feira, dezembro 20, 2006

TOQUEDEPRIMA...

Amorim contorna apelo de Chávez para "enterrar" Mercosul
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Ao abrir ontem a 31ª Reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), instância de decisão do Mercosul composta pelos ministros de Economia e de Relações Exteriores dos cinco países, o chanceler Celso Amorim tentou desfazer o mal-estar causado pelo recente apelo feito pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para que o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações (CAN) sejam "enterrados".
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Amorim destacou o "grande prazer" do Brasil em ver a Venezuela atuando como membro pleno do bloco, apesar do próprio País e do Paraguai não terem ainda ratificado a decisão em seus Congressos. No último sábado, durante a reunião de cúpula da Comunidade Sul-americana de Nações (Casa), em Cochabamba (Bolívia), Chávez declarara que esse processo de integração mais amplo precisava de um "viagra político".
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Chávez foi além: "Enterremos nossos mortos, irmãos", conclamou, referindo-se ao Mercosul e ao grupo andino, do qual a Venezuela retirou-se em abril passado. Ontem, Amorim tentou contornar esse gesto e dar uma outra versão para o apelo de Chávez. "Nós interpretamos as palavras do presidente Chávez como o desejo de fazer avançar o Mercosul, sempre baseado no acervo de realizações que já temos, buscando mais sem conformismo e sem nenhuma espécie de acomodação diante do que já conseguimos", afirmou Amorim.
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"Sua contribuição para a vontade política de dar um impulso, de reforçar o Mercosul se dará de maneira muito marcante e positiva."
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A Venezuela ainda não pode votar
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A despeito do tom pesado de Chávez no último encontro do Mercosul, por enquanto, a Venezuela conta com direito a participar e de opinar em todas as instâncias do Mercosul, mas não tem poder de voto. O cronograma de sua convergência para a Tarifa Externa Comum (TEC) será adotado no prazo de quatro anos da ratificação do acordo de adesão pelos quatro países - tarefa atrasada no Brasil e no Paraguai. No mesmo período, vai-se desconectar gradualmente dos compromissos da CAN.
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Em um processo raro, a Venezuela foi aceita como membro pleno do Mercosul, em dezembro de 2005, antes de concluído todo o seu processo de adesão às normas e aos compromissos firmados entre os quatro sócios originais ao longo de 25 anos. Ontem, em Brasília, estava agendada uma reunião do grupo de trabalho que trata da convergência da Venezuela à TEC, na qual Caracas deveria apresentar seu plano para os quatro anos.
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A reunião, entretanto, foi cancelada a pedido da Venezuela e deverá ocorrer apenas em janeiro. Apesar de a Venezuela aplicar uma tarifa média de importação equivalente à do Mercosul, de 10,5%, o temor de diplomatas brasileiros e uruguaios está na possibilidade de a Venezuela deixar os cortes das tarifas mais elevadas para o setor industrial para a fase final dos quatro anos de transição - o que gera a suspeita de um eventual pedido de prorrogação de prazo.
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Abertura

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Outros três grupos de trabalho deverão analisar a abertura de mercado, a adesão ao regulamento técnico do Mercosul e a participação da Venezuela nos acordos comerciais já firmados pelo bloco (preferências para a África do Sul, por exemplo) e naqueles em negociação (com a União Européia, em especial).
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Depois de "gafe", Lula afaga Niemeyer
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BRASÍLIA - Três dias depois de ter diagnosticado "problemas" em pessoas com mais de 60 anos que ainda se dizem de esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigiu afagos ao arquiteto Oscar Niemeyer, que ontem completou 99 anos. Não sem motivo: Niemeyer, que recomendou voto em Lula, disse ter ficado surpreso com a declaração do presidente. Mas coube ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, dar continuidade à polêmica, ao afirmar mais tarde que "esquerdização é um termo velho, demodê e ultrapassado, que cheira a mofo".
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Pela manhã, ao inaugurar o Complexo Cultural da República e participar da comemoração intitulada "Ano 100 do Arquiteto Oscar Niemeyer", Lula fez uma homenagem ao comunista. "Temos de ter muito orgulho de viver num país que tem como filho Oscar Niemeyer", disse. "Certamente, no dia em que ele não estiver mais aqui, saberá que se foi quando todos os seus filhos projetados para Brasília estavam concluídos", emendou o presidente, que também prestou homenagem ao músico Sivuca, que morreu ontem aos 76 anos.
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Mais tarde, ao responder a uma pergunta sobre a possibilidade de a "esquerdização" da América Latina estar espantando investidores estrangeiros, Mantega pôs mais lenha na fogueira que Lula tenta apagar. Na prática, o ministro estava criticando quem debita todos os problemas na fatura de uma suposta "esquerdização". Mas numa semana em que a referência aos problemas da esquerda, feita pelo presidente, provocou mal-estar sua afirmação soou estranha.
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"Esquerdização é um termo velho, demodê e ultrapassado, que cheira a mofo", definiu Mantega, em entrevista, logo após reunião de presidentes de bancos centrais e ministros da Fazenda do Mercosul - o bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela.
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Para Mantega, o que está ocorrendo na América Latina é o fortalecimento e a consolidação da democracia, pois a população mais pobre está se "manifestando mais".
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A ministra da Economia da Argentina, Felisa Miceli, fez coro com seu colega brasileiro ao dizer que não há qualquer relação entre esquerdização de governos e fluxo de investimentos. Miceli citou o caso da China, país que é governado por um partido comunista e está na lista dos que mais recebem investimentos estrangeiros no mundo. "Os investimentos não têm que ver com a forma de governo. A América Latina tem tido fortalecimento democrático, com os povos buscando soluções para os seus problemas graves", argumentou Miceli.
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Delúbio volta à ‘ativa’

Desta vez o presidente Lula não poderá alegar que não sabe: ele já foi informado de que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares voltou a atuar nos subterrâneos do seu governo. Arapongas até fotografaram encontros de Delúbio em “conversas republicanas” nos restaurantes “Armazém do Ferreira” e “Dom Durica”, em Brasília. Seu homem de confiança, na cidade, seria Carlos Mundim, petista não contabilizado nos cargos oficiais.
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STF confirma a falência da Transbrasil
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A Transbrasil teve sua falência novamente decretada, por força de decisão do Supremo Tribunal Federal, que será publicada nas próximas semanas. O ministro Eros Grau reconheceu a perda de objeto da ação cautelar e cassou liminar que suspendia a falência da ccompanhia aérea. Com isso, muitos altos executivos respiram aliviados. Como ex-acionistas da Transbrasil, têm visto seus patrimonios pessoais serem constrangidos pela Justica do Trabalho, que perderá competência para o juizo falimentar.