Eliane Cantanhêde , Folha de São Paulo
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Lula tomou posse num governo que começou sem começar. Sem o pacote econômico tão prometido, sem metas, sem definição de reformas e sem equipe. Onde já se viu presidente assumir sem tirar a foto da equipe ministerial?.Mas, enfim, esse é o Lula que a gente já conhece bem. Na dele, sem paciência para preencher ministérios (o primeiro mandato chegou ao fim com seis "interinos"), sem dar muita bola para o Congresso, sem muito gosto por programas feitos e acabados, adorando um improviso e... sem pressa.
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Lula tomou posse num governo que começou sem começar. Sem o pacote econômico tão prometido, sem metas, sem definição de reformas e sem equipe. Onde já se viu presidente assumir sem tirar a foto da equipe ministerial?.Mas, enfim, esse é o Lula que a gente já conhece bem. Na dele, sem paciência para preencher ministérios (o primeiro mandato chegou ao fim com seis "interinos"), sem dar muita bola para o Congresso, sem muito gosto por programas feitos e acabados, adorando um improviso e... sem pressa.
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Lula confia no seu taco e na sua sorte. No que, aliás, faz muito bem, porque taí um homem de sorte. Até na posse. Choveu torrencialmente todo o dia 1º de janeiro em Brasília, mas, na horinha que ele tinha de subir no Rolls Royce para desfilar em carro aberto, a chuva parou e o sol deu o discreto ar de sua presença.
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Lula, assim, chega ao segundo mandato de peito inchado pelos 60% dos votos, desdenhando a oposição e a imprensa, achando que pode fazer e acontecer - porque, no fim, tudo acaba dando certo. Mais ou menos como tem sido desde sempre.
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Questão de estrela - e não é a estrela do PT, que acabou sendo uma grande usente da festa de posse tanto no Planalto, quanto no Congresso, quanto nas ruas. Nem Dona Marisa, que já surpreendeu plantando estrela de flores vermelhas nos jardins do Alvorada e pintando outra no próprio maiô, usou desta vez a tradicional cor do partido. Preferiu um vestido amarelo bem forte (aliás, bonito e apropriado, com uma capa feita por bordadeiras do Nordeste).
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O vermelho ficou restrito às gravatas da posse, inclusive de não petistas e de boa parte dos peemedebistas. Não deve ter sido homenagem às esquerdas, ou ao PT. Simplesmente, é mais bonito.
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Acaba a posse, Lula vai descansar uns dias, porque, afinal, ninguém é de ferro. Na campanha, o lema era: "Deixem o homem trabalhar!". Eleito com folga e já empossado, passou a ser: "Deixem o homem descansar!". Faz sentido. O pior já passou - para ele.
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Lula vai descansar, provavelmente numa praia, deixando em Brasília várias promessas em aberto: anunciar o já tão anunciado PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) lá pelo dia 15, formar uma equipe de "notáveis" para o segundo mandato, combater o "terrorismo" no Rio e arredores.
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Mas deixando pra um dia, quem sabe, a expectativa de um índice de crescimento de 5% ao ano (índice lançado para 2007 e abandonado antes mesmo da posse) e a pressão para que as coisas andem logo. Calma! Pra quê pressa?.Aliás, não custa lembrar que janeiro é mês de recesso no Judiciário e no Legislativo, de descanso do presidente, de debandada de boa parte dos ministros e de muita chuva. Depois, vem fevereiro, muito calor, Carnaval, sabe como é...
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Então, gente, ainda não se sabe quando o governo que começou começa.
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Enquanto isso, recomenda-se ler os discursos da posse, muito bonitos, cheios de boas intenções, de manifestações pró-maioria, pró-miseráveis, pró-crescimento, pró-combate à violência. A cada um de nós, só resta concordar sinceramente. E esperar. A esperança, como todos sabemos, é a última que morre.