Por Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo
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Já há diversas leituras do(s) discurso(s) de posse de Lula disponíveis da praça.
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Uns viram ortodoxia, outros viram ousadia, houve os que o acharam sectário na crítica às elites, e também os que o acharam conciliador no aceno à oposição. Aqui vai a impressão que as duas falas de Lula, no Congresso e no Planalto, deixaram neste espaço: nenhuma.
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Lula não disse nada de relevante. Não há recado, sinal, pista, nada, absolutamente nada de consistente nas palavras do presidente. Mas os discursos foram bons.
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Foram bons porque para o povo, em seus variados graus de ignorância – de Ipanema ao Vale do Jequitinhonha –, o presidente é cada vez mais um animador de auditório. Em sua reeleição, Fernando Henrique fez um discurso de posse deprimido. Lula foi radiante.
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Isso não é pouco. É bom o país ver que seu líder está, pelo menos, animado. E Lula não pára de se beliscar e repetir: “Saí de onde saí, cheguei aonde cheguei… E agora cheguei de novo”, e por aí vai. Para ele, a vida virou uma grande goleada do Corinthians sobre o Palmeiras em final de campeonato. Tá bom demais.
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Evidentemente, essa história de plano de aceleração do crescimento, que animou tanta gente, não quer dizer rigorosamente nada. Lula e o seu governo não têm a menor idéia do que fazer para empurrar o PIB para cima – e por um lado é bom que não tenham.
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Qual é a fórmula? Para José Serra, é ajeitar a política econômica para seus amigos exportadores da Avenida Paulista ganharem mais dinheiro. A velha receita do Delfim. Não caia nessa, Lula.
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Se for para atender ao chororô dessas falsas locomotivas do crescimento, não mude nada. Deixe a companheira Dilma fazendo essa mímica desenvolvimentista, que está enganando tão bem, e vá apenas apertando os parafusos da máquina. Tire aos poucos a botija da boca da companheirada (acabou a eleição, certo? Daí você volta para São Bernardo), deixe o Estado funcionar, as agências regularem, os investidores perderem o medo do poder público (e da sanha petista), enfim, deixe a vida andar.
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Vá fazendo as reformas possíveis, que, ao contrário do que vendem por aí, não dariam resultado hoje nem amanhã mesmo. O crescimento virá, naturalmente, sem nenhuma dessas receitas acrobáticas de José Serra, Ciro Gomes e companhia salvacionista limitada.
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O Brasil precisa hoje menos de governo que o empurre do que de governo que não o atrapalhe.
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É claro que esse papo de combate ao terrorismo também não quer dizer nada. Intervenção da guarda nacional? Só rindo para não chorar. Esse problema é tão mais delicado do que as bravatas de autoridades e especialistas fazem supor, que dá até preguiça de entrar nele. Quem tiver paciência, releia o penúltimo artigo aqui publicado.
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Mas a fala de Lula sobre o tema foi boa. Sem ironia. Deu uma sacudida moral na sociedade, que por sua vez – ele tem razão (e já foi escrito aqui) – precisa reagir como um todo.
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Já a discussão sobre se isso é terrorismo ou não é terrorismo é a melhor forma de começar a não fazer nada.
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Mas há um enigma no discurso de Lula, que ele vem repetindo há alguns meses. O presidente informa que, depois de governar quatro anos, já sabe “os caminhos da pedra”.
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Como nenhum assessor o corrige, supõe-se que seja isto mesmo o que queira dizer. Resta esperar que a tal pedra não seja muito grande e seus caminhos não sejam ribanceira abaixo.
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Já há diversas leituras do(s) discurso(s) de posse de Lula disponíveis da praça.
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Uns viram ortodoxia, outros viram ousadia, houve os que o acharam sectário na crítica às elites, e também os que o acharam conciliador no aceno à oposição. Aqui vai a impressão que as duas falas de Lula, no Congresso e no Planalto, deixaram neste espaço: nenhuma.
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Lula não disse nada de relevante. Não há recado, sinal, pista, nada, absolutamente nada de consistente nas palavras do presidente. Mas os discursos foram bons.
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Foram bons porque para o povo, em seus variados graus de ignorância – de Ipanema ao Vale do Jequitinhonha –, o presidente é cada vez mais um animador de auditório. Em sua reeleição, Fernando Henrique fez um discurso de posse deprimido. Lula foi radiante.
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Isso não é pouco. É bom o país ver que seu líder está, pelo menos, animado. E Lula não pára de se beliscar e repetir: “Saí de onde saí, cheguei aonde cheguei… E agora cheguei de novo”, e por aí vai. Para ele, a vida virou uma grande goleada do Corinthians sobre o Palmeiras em final de campeonato. Tá bom demais.
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Evidentemente, essa história de plano de aceleração do crescimento, que animou tanta gente, não quer dizer rigorosamente nada. Lula e o seu governo não têm a menor idéia do que fazer para empurrar o PIB para cima – e por um lado é bom que não tenham.
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Qual é a fórmula? Para José Serra, é ajeitar a política econômica para seus amigos exportadores da Avenida Paulista ganharem mais dinheiro. A velha receita do Delfim. Não caia nessa, Lula.
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Se for para atender ao chororô dessas falsas locomotivas do crescimento, não mude nada. Deixe a companheira Dilma fazendo essa mímica desenvolvimentista, que está enganando tão bem, e vá apenas apertando os parafusos da máquina. Tire aos poucos a botija da boca da companheirada (acabou a eleição, certo? Daí você volta para São Bernardo), deixe o Estado funcionar, as agências regularem, os investidores perderem o medo do poder público (e da sanha petista), enfim, deixe a vida andar.
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Vá fazendo as reformas possíveis, que, ao contrário do que vendem por aí, não dariam resultado hoje nem amanhã mesmo. O crescimento virá, naturalmente, sem nenhuma dessas receitas acrobáticas de José Serra, Ciro Gomes e companhia salvacionista limitada.
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O Brasil precisa hoje menos de governo que o empurre do que de governo que não o atrapalhe.
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É claro que esse papo de combate ao terrorismo também não quer dizer nada. Intervenção da guarda nacional? Só rindo para não chorar. Esse problema é tão mais delicado do que as bravatas de autoridades e especialistas fazem supor, que dá até preguiça de entrar nele. Quem tiver paciência, releia o penúltimo artigo aqui publicado.
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Mas a fala de Lula sobre o tema foi boa. Sem ironia. Deu uma sacudida moral na sociedade, que por sua vez – ele tem razão (e já foi escrito aqui) – precisa reagir como um todo.
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Já a discussão sobre se isso é terrorismo ou não é terrorismo é a melhor forma de começar a não fazer nada.
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Mas há um enigma no discurso de Lula, que ele vem repetindo há alguns meses. O presidente informa que, depois de governar quatro anos, já sabe “os caminhos da pedra”.
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Como nenhum assessor o corrige, supõe-se que seja isto mesmo o que queira dizer. Resta esperar que a tal pedra não seja muito grande e seus caminhos não sejam ribanceira abaixo.