quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Caos aéreo: Anac facilita a anarquia

Robson Barenho, Agência JB

BRASÍLIA - Em 4 de outubro de 2006, centenas de famílias sofriam pela morte de 154 parentes e amigos; e muitos milhões de brasileiros acompanhavam chocados a procura e o resgate de corpos nas matas, além da falta e do desencontro de informações oficiais sobre as causas do desastre com o Boeing da GOL.

Às 14:40 daquele dia iniciaram reunião, em Brasília, o presidente e os quatro diretores da Agência Nacional de Aviação Civil. Nas três horas e dez minutos seguintes tomaram nada menos do que 16 decisões – apenas duas delas associadas, de algum modo, ao desastre.

Entre a aprovação da distribuição de cargos comissionados, da realização de concurso para preenchimento de cargos, de oito notas técnicas, de um convênio para aproveitamento de estagiários e do envio de representantes a um seminário em Paris, a diretoria da Anac aprovou também o pré-projeto de implantação de um tal Centro de Gerenciamento de Crise e a exploração de novas linhas de vôo para a alta temporada – decisão favorável a um pedido da GOL.

Eis aí uma síntese precisa e dramática do comportamento rotineiro dos dirigentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que tem se revelado uma instituição inútil para quem precisa viajar de avião, generosa com algumas empresas que exploram o transporte aéreo e omissa no combate à anarquia que se instalou na aviação comercial. E que se encaminha, a cada dia, para tornar-se apenas mais um gigantesco e caro reduto da burocracia, sustentado pelos contribuintes.

Tem seis superintendências, 44 gerências, cinco assessorias, oito gerências regionais – a mais recente criada em Salvador, no último dia 23 – mais um escritório em Curitiba (PR). E acaba de lançar edital para a contratação de 584 funcionários, com salários variáveis de R$ 1.598 a R$ 4.797.