Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa
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BRASÍLIA - Na melhor das hipóteses, o PT parece um caleidoscópio: cada vez que o partido balança, mostra figuras completamente diversas na forma e na cor. Depois do encontro do Campo Majoritário, no interior de São Paulo, agora é a vez de o Diretório Nacional reunir-se sábado, em Salvador.
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O anfitrião será o novo governador Jacques Wagner, de óbvias tendências contrárias ao Campo Majoritário, quer dizer, em oposição ao projeto de anistia política ao deputado cassado José Dirceu, que pontificou no encontro paulista mas ainda hesita se comparecerá à capital baiana.
O anfitrião será o novo governador Jacques Wagner, de óbvias tendências contrárias ao Campo Majoritário, quer dizer, em oposição ao projeto de anistia política ao deputado cassado José Dirceu, que pontificou no encontro paulista mas ainda hesita se comparecerá à capital baiana.
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O Campo Majoritário abusa da semântica, porque não é mais majoritário e, muito menos, campo: parece um morro escarpado e cheio de pedras, em minoria no conjunto da legenda. O projeto de anistia divide o PT, e o presidente Lula se insurge contra ele. Não será apresentado agora. O próprio Dirceu prefere esperar até junho a decisão do Supremo Tribunal Federal, para o qual apelou imaginando bombástica absolvição.
O Campo Majoritário abusa da semântica, porque não é mais majoritário e, muito menos, campo: parece um morro escarpado e cheio de pedras, em minoria no conjunto da legenda. O projeto de anistia divide o PT, e o presidente Lula se insurge contra ele. Não será apresentado agora. O próprio Dirceu prefere esperar até junho a decisão do Supremo Tribunal Federal, para o qual apelou imaginando bombástica absolvição.
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Depois, o caminho se bifurca: poderá nesse período trabalhar para obter um milhão e duzentas mil assinaturas populares, situação que determinaria o envio da proposta diretamente ao Congresso, ou esperar que seus companheiros apresentem um projeto de lei ordinária, na Câmara.
Depois, o caminho se bifurca: poderá nesse período trabalhar para obter um milhão e duzentas mil assinaturas populares, situação que determinaria o envio da proposta diretamente ao Congresso, ou esperar que seus companheiros apresentem um projeto de lei ordinária, na Câmara.
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Na reunião do Diretório Nacional em Salvador, dois grupos maiores vão se defrontar: de um lado, apoiando a reivindicação de José Dirceu, estarão Ricardo Berzoini, presidente do partido, Marco Aurélio Garcia, ex-presidente e encarregado das relações internacionais, Marta Suplicy, futura ministra, e Arlindo Chinaglia, novo presidente da Câmara.
Na reunião do Diretório Nacional em Salvador, dois grupos maiores vão se defrontar: de um lado, apoiando a reivindicação de José Dirceu, estarão Ricardo Berzoini, presidente do partido, Marco Aurélio Garcia, ex-presidente e encarregado das relações internacionais, Marta Suplicy, futura ministra, e Arlindo Chinaglia, novo presidente da Câmara.
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Em oposição, os peso-pesados serão Tarso Genro, ministro das Relações Institucionais e quase ministro da Justiça, Marcelo Déda, governador de Sergipe, Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, e Raul Pont, da direção nacional. Isso entre muitos outros.
Em oposição, os peso-pesados serão Tarso Genro, ministro das Relações Institucionais e quase ministro da Justiça, Marcelo Déda, governador de Sergipe, Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, e Raul Pont, da direção nacional. Isso entre muitos outros.
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O que se indaga é se a rejeição do presidente Lula à anistia servirá para desequilibrar a questão. Pela lógica, sim, mas pela prática, nem tanto. Afinal, o chefe do governo vem de uma derrota nas eleições para a presidência da Câmara. Queria Rebelo, venceu Chinaglia. O confronto vai demorar, caso não vire conflito.
O que se indaga é se a rejeição do presidente Lula à anistia servirá para desequilibrar a questão. Pela lógica, sim, mas pela prática, nem tanto. Afinal, o chefe do governo vem de uma derrota nas eleições para a presidência da Câmara. Queria Rebelo, venceu Chinaglia. O confronto vai demorar, caso não vire conflito.
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Renovações
A turma do deixa disso, espalhada pelos diversos partidos, trabalha para que nada aconteça, ou aconteça no escuro, mas este ano promete, em matéria de crises na renovação das direções partidárias.
Renovações
A turma do deixa disso, espalhada pelos diversos partidos, trabalha para que nada aconteça, ou aconteça no escuro, mas este ano promete, em matéria de crises na renovação das direções partidárias.
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No PMDB, em março acontece a eleição do Diretório Nacional e da Comissão Executiva. Por mais que trabalhe em silêncio, Michel Temer é candidato a permanecer na presidência. Mantém uma postura de aliança com independência diante do governo Lula. Para muitos, trata-se de uma cautela audaciosa. Ou de audácia cautelosa. Contra ele registram-se as pretensões do ex-presidente do STF, Nelson Jobim, que não esconde a inclinação de aproximar ainda mais o partido no rumo do Planalto e é apoiado pelo presidente Lula.
No PMDB, em março acontece a eleição do Diretório Nacional e da Comissão Executiva. Por mais que trabalhe em silêncio, Michel Temer é candidato a permanecer na presidência. Mantém uma postura de aliança com independência diante do governo Lula. Para muitos, trata-se de uma cautela audaciosa. Ou de audácia cautelosa. Contra ele registram-se as pretensões do ex-presidente do STF, Nelson Jobim, que não esconde a inclinação de aproximar ainda mais o partido no rumo do Planalto e é apoiado pelo presidente Lula.
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No PSDB a briga é de cobra criada. Tasso Jereissati, cearense, não quer mais permanecer na presidência do ninho tucano e, formando na ala dos antipaulistas, aceitaria Sergio Guerra, de Pernambuco. Contaria com o apoio do governador Aécio Neves, de Minas. Em São Paulo, a confusão surge grande. FHC gostaria de ser buscado em casa, mas deixa de contar com a simpatia de Serra, que também não aceita Geraldo Alckmin, outro pretendente ao lugar de Tasso.
No PSDB a briga é de cobra criada. Tasso Jereissati, cearense, não quer mais permanecer na presidência do ninho tucano e, formando na ala dos antipaulistas, aceitaria Sergio Guerra, de Pernambuco. Contaria com o apoio do governador Aécio Neves, de Minas. Em São Paulo, a confusão surge grande. FHC gostaria de ser buscado em casa, mas deixa de contar com a simpatia de Serra, que também não aceita Geraldo Alckmin, outro pretendente ao lugar de Tasso.
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No PFL, dispõe-se a deixar o cargo o presidente Jorge Bornhausen, que não se candidatou a mais um período no Senado. Rodrigo Maia, do Rio, tem pretensões, mas precisaria ultrapassar a barreira baiana, ou seja, ACM. Correndo por fora está Marco Maciel, autor da tese da refundação da legenda liberal.
No PFL, dispõe-se a deixar o cargo o presidente Jorge Bornhausen, que não se candidatou a mais um período no Senado. Rodrigo Maia, do Rio, tem pretensões, mas precisaria ultrapassar a barreira baiana, ou seja, ACM. Correndo por fora está Marco Maciel, autor da tese da refundação da legenda liberal.
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No PT, engana-se quem supuser que Berzoini não deseja permanecer. Deseja, e muito, mas sua permanência indicaria a supremacia do grupo de José Dirceu. Tarso Genro, continuando ministro das Relações Institucionais ou pulando para a Justiça, estará impedido de devolver ao Campo Majoritário a humilhação a que foi submetido após a renúncia de Genoíno, quando por poucos dias presidiu o PT e foi defenestrado por obra de Dirceu. Há quem pretenda ver o partido outra vez unido, mas em torno de quem? Só se Lula deixar a presidência para dirigir o mais rebelde conjunto partidário de que se tem notícia. Pior do que o PMDB...
No PT, engana-se quem supuser que Berzoini não deseja permanecer. Deseja, e muito, mas sua permanência indicaria a supremacia do grupo de José Dirceu. Tarso Genro, continuando ministro das Relações Institucionais ou pulando para a Justiça, estará impedido de devolver ao Campo Majoritário a humilhação a que foi submetido após a renúncia de Genoíno, quando por poucos dias presidiu o PT e foi defenestrado por obra de Dirceu. Há quem pretenda ver o partido outra vez unido, mas em torno de quem? Só se Lula deixar a presidência para dirigir o mais rebelde conjunto partidário de que se tem notícia. Pior do que o PMDB...