Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo
Se há um fenômeno interessante provocado pelo governo Lula é a sanfona ideológica a que submeteu a chamada esquerda pura. O pessoal beija e cospe, beija e cospe. É muito divertido.
Aquela turma que pode distribuir tabefes no Jobi em quem não vota no Lula fica, depois da eleição, numa certa ressaca. É claro. É a hora em que caem da nuvem revolucionária para o contato com a realidade – essa entidade estraga prazeres que nunca cabe nos panfletos xiitas feitos com tanto capricho.
Foi só Lula tomar posse em 2003 que o pessoal do bem ficou zangado com ele. Óbvio. O homem passou a ser governo, e isso é nojento.
Heloísa Helena, Babá e seus seguidores, mais meia USP e Unicamp, enfim, todo aquele pessoal que tem o monopólio do amor ao pobre ficou só esperando a melhor deixa para esculhambar Lula e romper com ele. É aquela gente que vive de dar a receita do bolo, sem nunca correr o risco de um dia ter que prepará-lo.
Em entrevista a “O Globo”, o sociólogo Francisco de Oliveira avisou que seu voto em Lula na última eleição foi um equívoco. É sensacional acompanhar sua lógica. Petista renhido, ele foi com Lula até a porta do Palácio na campanha de 2002, mas dali deu marcha-à-ré. Banco Central, superávit, responsabilidade fiscal, juros, tudo isso não fica bem no currículo de um revolucionário.
O sociólogo fez parte dessa banda “pura” da esquerda que passou a descer o malho no governo sem dó nem piedade nos anos seguintes. Chegada a eleição de 2006, opera-se o milagre. Era de novo a hora do palanque, do mercado de ilusões, hora de enfeitar a realidade com aqueles graciosos bibelôs ideológicos.
Pararam todos de cuspir e foram cobrir Lula de beijos. Mas não foram discretos. Foram aos jornais, escreveram artigos, pegaram em armas retóricas para bradar que Lula, pensando bem, era de novo a solução para o Brasil. Não foi apoio de nariz tapado. Foi abraço apaixonado.
E eis que, mal recomeça o filme chato da realidade, Francisco de Oliveira informa, em nome da esquerda pura, que Lula não serve mais. E explica que o presidente representa o discurso político dos dominados a serviço dos dominadores.
Olha, essas teses são muito mais incríveis do que o malabarismo que aqueles meninos de rua fazem no trânsito. Dificilmente um garoto daqueles terá tanto jogo de cintura.
Vamos deixar combinado o seguinte: o que essa turma gosta é de perder. Para que? Para poder reclamar, se queixar da vida e explicar ao mundo como seria o certo – que nunca será atingido, por isso eles terão sempre razão.
Definitivamente, o fracasso é lindo.
Se há um fenômeno interessante provocado pelo governo Lula é a sanfona ideológica a que submeteu a chamada esquerda pura. O pessoal beija e cospe, beija e cospe. É muito divertido.
Aquela turma que pode distribuir tabefes no Jobi em quem não vota no Lula fica, depois da eleição, numa certa ressaca. É claro. É a hora em que caem da nuvem revolucionária para o contato com a realidade – essa entidade estraga prazeres que nunca cabe nos panfletos xiitas feitos com tanto capricho.
Foi só Lula tomar posse em 2003 que o pessoal do bem ficou zangado com ele. Óbvio. O homem passou a ser governo, e isso é nojento.
Heloísa Helena, Babá e seus seguidores, mais meia USP e Unicamp, enfim, todo aquele pessoal que tem o monopólio do amor ao pobre ficou só esperando a melhor deixa para esculhambar Lula e romper com ele. É aquela gente que vive de dar a receita do bolo, sem nunca correr o risco de um dia ter que prepará-lo.
Em entrevista a “O Globo”, o sociólogo Francisco de Oliveira avisou que seu voto em Lula na última eleição foi um equívoco. É sensacional acompanhar sua lógica. Petista renhido, ele foi com Lula até a porta do Palácio na campanha de 2002, mas dali deu marcha-à-ré. Banco Central, superávit, responsabilidade fiscal, juros, tudo isso não fica bem no currículo de um revolucionário.
O sociólogo fez parte dessa banda “pura” da esquerda que passou a descer o malho no governo sem dó nem piedade nos anos seguintes. Chegada a eleição de 2006, opera-se o milagre. Era de novo a hora do palanque, do mercado de ilusões, hora de enfeitar a realidade com aqueles graciosos bibelôs ideológicos.
Pararam todos de cuspir e foram cobrir Lula de beijos. Mas não foram discretos. Foram aos jornais, escreveram artigos, pegaram em armas retóricas para bradar que Lula, pensando bem, era de novo a solução para o Brasil. Não foi apoio de nariz tapado. Foi abraço apaixonado.
E eis que, mal recomeça o filme chato da realidade, Francisco de Oliveira informa, em nome da esquerda pura, que Lula não serve mais. E explica que o presidente representa o discurso político dos dominados a serviço dos dominadores.
Olha, essas teses são muito mais incríveis do que o malabarismo que aqueles meninos de rua fazem no trânsito. Dificilmente um garoto daqueles terá tanto jogo de cintura.
Vamos deixar combinado o seguinte: o que essa turma gosta é de perder. Para que? Para poder reclamar, se queixar da vida e explicar ao mundo como seria o certo – que nunca será atingido, por isso eles terão sempre razão.
Definitivamente, o fracasso é lindo.