Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - Municiado por dados recebidos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) denunciou ontem da tribuna o uso das loterias da Caixa Econômica Federal (CEF) na lavagem de dinheiro. Há casos como o de um certo Alécio Gouveira, que recebeu 525 prêmios, no valor total de R$ 3,8 milhões.
Dias disse que o valor da lavagem - como é conhecida a prática de trocar dinheiro sujo do narcotráfico ou de outra atividade do crime organizado - supera R$ 32 milhões entre 2002 e 2006.
Um relatório do Coaf aponta a existência de 75 ganhadores suspeitos. Um deles, o doleiro Antonio Oliveira Clarimunt, o Toninho da Barcelona, por exemplo, recebeu em São Paulo, em 3 de abril de 2002 a importância de R$ 215,75 mil, correspondente ao acerto de 38 prêmios de loterias, em cinco modalidades diferentes. Toninho está preso, acusado de formação de quadrilha pelo Grupo de Ação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
O documento do Coaf traz em alguns casos o episódio de ganhadores que já foram indiciados pela Polícia Federal, como Anselmo Xavier Rolim, que recebeu R$ 431,15 mil pelo acerto em 64 prêmios das loterias da Caixa. Ele é alvo de cinco inquéritos por receptação, estelionato e crime contra a saúde pública.
Para o senador, a lavagem só é possível com a participação de gerentes ou outros agentes da Caixa. Em um caso, o funcionário se encarregaria de segurar os bilhetes vencedores até que atinja o valor de interesse do beneficiário da lavagem. "Quando isto acontece, o bandido vai até a agência da Caixa e saca os bilhetes premiados como se ele fosse o ganhador", afirmou Dias. Outra hipótese é a do agente da instituição avisar aos interessados sobre a presença de ganhadores, a fim dele comprar o bilhete premiado.
Dias lembrou que esse tipo de crime é conhecido no País desde 1992, quando um dos maiores favorecidos por dinheiro do Orçamento da União, o deputado João Alves, atribuiu seu patrimônio ao fato de ter recebido centenas de prêmios da loteria.
Em nota oficial, a Caixa afirmou que, em ação conjunta com o Coaf e a Polícia Federal, tem descredenciado as unidades lotéricas envolvidas em irregularidades, o que tem concorrido para a "diminuição dessa ocorrência nos últimos quatro anos".
Disse ainda que tem orientado os empresários lotéricos a identificar atitudes suspeitas e ações adequadas para tais situações e que cumpre rigorosamente as resoluções do Coaf para o combate à lavagem de dinheiro.
Nota
Em nota, a Secretaria Municipal de Urbanismo afirmou que não houve pedido de licença para a obra na marquise do Hotel Canadá. A secretaria só vai definir as punições para os responsáveis pelo acidente depois que o Instituto de Criminalística Carlos Éboli, da Polícia Civil, concluir o trabalho de perícia.
BRASÍLIA - Municiado por dados recebidos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) denunciou ontem da tribuna o uso das loterias da Caixa Econômica Federal (CEF) na lavagem de dinheiro. Há casos como o de um certo Alécio Gouveira, que recebeu 525 prêmios, no valor total de R$ 3,8 milhões.
Dias disse que o valor da lavagem - como é conhecida a prática de trocar dinheiro sujo do narcotráfico ou de outra atividade do crime organizado - supera R$ 32 milhões entre 2002 e 2006.
Um relatório do Coaf aponta a existência de 75 ganhadores suspeitos. Um deles, o doleiro Antonio Oliveira Clarimunt, o Toninho da Barcelona, por exemplo, recebeu em São Paulo, em 3 de abril de 2002 a importância de R$ 215,75 mil, correspondente ao acerto de 38 prêmios de loterias, em cinco modalidades diferentes. Toninho está preso, acusado de formação de quadrilha pelo Grupo de Ação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
O documento do Coaf traz em alguns casos o episódio de ganhadores que já foram indiciados pela Polícia Federal, como Anselmo Xavier Rolim, que recebeu R$ 431,15 mil pelo acerto em 64 prêmios das loterias da Caixa. Ele é alvo de cinco inquéritos por receptação, estelionato e crime contra a saúde pública.
Para o senador, a lavagem só é possível com a participação de gerentes ou outros agentes da Caixa. Em um caso, o funcionário se encarregaria de segurar os bilhetes vencedores até que atinja o valor de interesse do beneficiário da lavagem. "Quando isto acontece, o bandido vai até a agência da Caixa e saca os bilhetes premiados como se ele fosse o ganhador", afirmou Dias. Outra hipótese é a do agente da instituição avisar aos interessados sobre a presença de ganhadores, a fim dele comprar o bilhete premiado.
Dias lembrou que esse tipo de crime é conhecido no País desde 1992, quando um dos maiores favorecidos por dinheiro do Orçamento da União, o deputado João Alves, atribuiu seu patrimônio ao fato de ter recebido centenas de prêmios da loteria.
Em nota oficial, a Caixa afirmou que, em ação conjunta com o Coaf e a Polícia Federal, tem descredenciado as unidades lotéricas envolvidas em irregularidades, o que tem concorrido para a "diminuição dessa ocorrência nos últimos quatro anos".
Disse ainda que tem orientado os empresários lotéricos a identificar atitudes suspeitas e ações adequadas para tais situações e que cumpre rigorosamente as resoluções do Coaf para o combate à lavagem de dinheiro.
Nota
Em nota, a Secretaria Municipal de Urbanismo afirmou que não houve pedido de licença para a obra na marquise do Hotel Canadá. A secretaria só vai definir as punições para os responsáveis pelo acidente depois que o Instituto de Criminalística Carlos Éboli, da Polícia Civil, concluir o trabalho de perícia.