Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa
Já contei esta história aqui, mas Lula agora atualizou e trouxe novamente a debate. Teotonio Vilela, com seu áspero rosto nordestino, braços longos e mãos ao vento, os bigodes grandes e os olhos de criança, falava como um profeta de muito antigamente. E também como o Cristo. Por parábolas.
Ainda senador da Arena, no nosso Clube dos Repórteres Políticos, no Rio, lhe perguntamos porque o governo Geisel e a Arena falavam tanto em "abertura" mas tinham medo da anistia e das eleições diretas. Teotonio contou:
- A vaca do compadre pobre apareceu no pasto do compadre rico. O compadre pobre foi à casa do compadre rico e pediu uma corda para tirar sua vaca de lá. O compadre rico desconversou:
- Compadre, agora eu vou à missa.
- Mas, compadre, o que é que tem minha vaca com sua missa?
- Compadre, quando a gente não quer, qualquer desculpa serve.
Rombo e roubo
Durante anos, os banqueiros e seus cães de fila, como os chamava Luís Carlos Prestes (os Gustavo Loyola, Maílson da Nobrega, Raul Veloso, tantos), disseram que havia um "rombo na Previdência" e a imprensa alugada faturava a mentira nos jornais de televisão, nas manchetes de jornais e nas colunas.
Também durante anos, outros e eu mostrávamos que não havia rombo nenhum na Previdência. Havia um assalto às "contribuições sociais" criadas para pagar a Seguridade Social e desviadas para os juros dos banqueiros, e as contas da Seguridade Social sendo jogadas nas costas da Previdência.
Se Lula fosse um homem da verdade e não apenas um animador de auditório, o Raul Gil do Planalto, já teria dito há muito tempo a verdade toda:
- Não há déficit, há desvio. Não há rombo, há roubo.
Mas, de qualquer forma, menos mal. Ele denunciou que estão sendo jogadas nas costas da Previdência as contas da Seguridade Social, criadas pela Constituição para serem pagas pelas "contribuições sociais", hoje desviadas.
Desvio
No dia 26 de maio de 2006, publiquei aqui os números de um estudo do economista e professor Marcio Pochmann, da Universidade de Campinas:
1 - Criada em 91 (governo Collor), a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), segundo a Receita Federal, arrecadou, em 2005, R$ 89,9 bilhões. E a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das Empresas), arrecadou R$ 26,9 bilhões em 2005. São R$ 116,8 bi.
2 - Essas receitas (da Cofins e da CSLL), diz o professor Pochman, não são repassadas e não são computadas como "receitas previdenciárias", porque são "receitas sociais", para pagar as despesas da Seguridade Social, dos milhões de trabalhadores rurais que não contríbuiram para a Previdência.
E ainda há os bilhões da Loas, para os velhos, incapazes e doentes.
Banqueiros
Se essas contribuições sociais fossem destinadas aos cofres da Previdência, teríamos não um déficit mas um enorme superávit. Mas a Previdência não recebe essas "receitas sociais" e jogam nas contas dela todas as despesas da Seguridade Social, para as quais a lei criou as contribuições.
Para onde vai esse dinheiro todo, que a lei criou como "receitas sociais", para pagar as despesas da "Seguridade Social"? Vai para os banqueiros. Mas não só essas três. Também vão muitos bilhões da CPMF, criada pelo grande ministro Jatene para a Saúde. São desviados "para pagar os juros da dívida". E as contas da Seguridade Social nas costas da Previdência.
Aposentados
Os aposentados e pensionistas do INSS são 13,9 milhões. 3 milhões ganham entre 1 e 2 salários mínimos. 1,6 milhão ganham entre 2 e 3 salários.
6 milhões e 700 mil, a metade do total, ganham aposentadorias de um máximo de R$1.750 (795 dólares), uma mixaria. Entre 5 e 7 salários estão 733.200 pessoas. Os outros, acima de 10 salários, acima do teto de R$ 2.800. Bastava o governo não desviar, da Seguridade Social para os banqueiros, os R$ 116,8 bilhões da Cofins e da CSLL, e os bilhões da Loas, para pagar todas as aposentadorias dos trabalhadores rurais, velhos, e sobrava.
Governo
E Lula afinal disse uma verdade inquestionável: o que os trabalhadores e as empresas descontam para a Previdência Social dá e sobra para pagar todas as aposentadorias dos aposentados e pensionistas do INSS.
O que não pode é as contas constitucionais da Seguridade Social, as aposentadorias dos trabalhadores rurais que não contribuíram, dos velhos, dos doentes, dos incapazes, continuarem sendo mandadas para a Previdência Social pagar, enquanto as "receitas sociais" são desviadas para os banqueiros.
Já contei esta história aqui, mas Lula agora atualizou e trouxe novamente a debate. Teotonio Vilela, com seu áspero rosto nordestino, braços longos e mãos ao vento, os bigodes grandes e os olhos de criança, falava como um profeta de muito antigamente. E também como o Cristo. Por parábolas.
Ainda senador da Arena, no nosso Clube dos Repórteres Políticos, no Rio, lhe perguntamos porque o governo Geisel e a Arena falavam tanto em "abertura" mas tinham medo da anistia e das eleições diretas. Teotonio contou:
- A vaca do compadre pobre apareceu no pasto do compadre rico. O compadre pobre foi à casa do compadre rico e pediu uma corda para tirar sua vaca de lá. O compadre rico desconversou:
- Compadre, agora eu vou à missa.
- Mas, compadre, o que é que tem minha vaca com sua missa?
- Compadre, quando a gente não quer, qualquer desculpa serve.
Rombo e roubo
Durante anos, os banqueiros e seus cães de fila, como os chamava Luís Carlos Prestes (os Gustavo Loyola, Maílson da Nobrega, Raul Veloso, tantos), disseram que havia um "rombo na Previdência" e a imprensa alugada faturava a mentira nos jornais de televisão, nas manchetes de jornais e nas colunas.
Também durante anos, outros e eu mostrávamos que não havia rombo nenhum na Previdência. Havia um assalto às "contribuições sociais" criadas para pagar a Seguridade Social e desviadas para os juros dos banqueiros, e as contas da Seguridade Social sendo jogadas nas costas da Previdência.
Se Lula fosse um homem da verdade e não apenas um animador de auditório, o Raul Gil do Planalto, já teria dito há muito tempo a verdade toda:
- Não há déficit, há desvio. Não há rombo, há roubo.
Mas, de qualquer forma, menos mal. Ele denunciou que estão sendo jogadas nas costas da Previdência as contas da Seguridade Social, criadas pela Constituição para serem pagas pelas "contribuições sociais", hoje desviadas.
Desvio
No dia 26 de maio de 2006, publiquei aqui os números de um estudo do economista e professor Marcio Pochmann, da Universidade de Campinas:
1 - Criada em 91 (governo Collor), a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), segundo a Receita Federal, arrecadou, em 2005, R$ 89,9 bilhões. E a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das Empresas), arrecadou R$ 26,9 bilhões em 2005. São R$ 116,8 bi.
2 - Essas receitas (da Cofins e da CSLL), diz o professor Pochman, não são repassadas e não são computadas como "receitas previdenciárias", porque são "receitas sociais", para pagar as despesas da Seguridade Social, dos milhões de trabalhadores rurais que não contríbuiram para a Previdência.
E ainda há os bilhões da Loas, para os velhos, incapazes e doentes.
Banqueiros
Se essas contribuições sociais fossem destinadas aos cofres da Previdência, teríamos não um déficit mas um enorme superávit. Mas a Previdência não recebe essas "receitas sociais" e jogam nas contas dela todas as despesas da Seguridade Social, para as quais a lei criou as contribuições.
Para onde vai esse dinheiro todo, que a lei criou como "receitas sociais", para pagar as despesas da "Seguridade Social"? Vai para os banqueiros. Mas não só essas três. Também vão muitos bilhões da CPMF, criada pelo grande ministro Jatene para a Saúde. São desviados "para pagar os juros da dívida". E as contas da Seguridade Social nas costas da Previdência.
Aposentados
Os aposentados e pensionistas do INSS são 13,9 milhões. 3 milhões ganham entre 1 e 2 salários mínimos. 1,6 milhão ganham entre 2 e 3 salários.
6 milhões e 700 mil, a metade do total, ganham aposentadorias de um máximo de R$1.750 (795 dólares), uma mixaria. Entre 5 e 7 salários estão 733.200 pessoas. Os outros, acima de 10 salários, acima do teto de R$ 2.800. Bastava o governo não desviar, da Seguridade Social para os banqueiros, os R$ 116,8 bilhões da Cofins e da CSLL, e os bilhões da Loas, para pagar todas as aposentadorias dos trabalhadores rurais, velhos, e sobrava.
Governo
E Lula afinal disse uma verdade inquestionável: o que os trabalhadores e as empresas descontam para a Previdência Social dá e sobra para pagar todas as aposentadorias dos aposentados e pensionistas do INSS.
O que não pode é as contas constitucionais da Seguridade Social, as aposentadorias dos trabalhadores rurais que não contribuíram, dos velhos, dos doentes, dos incapazes, continuarem sendo mandadas para a Previdência Social pagar, enquanto as "receitas sociais" são desviadas para os banqueiros.
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Então, não falta dinheiro na Previdência e não falta dinheiro na Seguridade Social. O que falta é um governo de verdade, que não fale só. Faça.
O "livro"
E o "livro" de José Dirceu, escrito por Fernando Morais, sumiu. Agente não faz livro sem consultar os chefes. José Dirceu deve ter esquecido o rito. Fernando Morais pode mandar ver. O "livro" deve estar em Cuba, sendo examinado pelo serviço secreto cubano, de quem Dirceu é velho "capa preta".
Então, não falta dinheiro na Previdência e não falta dinheiro na Seguridade Social. O que falta é um governo de verdade, que não fale só. Faça.
O "livro"
E o "livro" de José Dirceu, escrito por Fernando Morais, sumiu. Agente não faz livro sem consultar os chefes. José Dirceu deve ter esquecido o rito. Fernando Morais pode mandar ver. O "livro" deve estar em Cuba, sendo examinado pelo serviço secreto cubano, de quem Dirceu é velho "capa preta".