sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Lula, o Rodoanel e o "PAC-PAC no fubá"

Reinaldo Azevedo

Sei como é. É quase impossível resistir. É tal a avalanche de “boas notícias” que o marketing de Lula despeja na mídia, que o trabalho de desconstrução nunca é suficiente. Trato num post seguinte de alguns números jogados hoje pelo presidente em visita ao Porto de Suape, em Pernambuco.O que continua impressionante no discurso de Lula é a irresponsabilidade com que vai fazendo afirmações, sem qualquer amor aos fatos. Ao passar pela cidade de Parnamirim, no Rio Grande do Norte, referiu-se às críticas que o governador José Serra fez ao PAC: “Nós temos grandes investimentos em todos os Estados. São Paulo tem grandes investimentos. O Rodoanel e o Ferroanel são obras históricas de São Paulo. Ele sabe que o primeiro trecho do Rodoanel eles levaram 12 anos para construir e nós estamos nos comprometendo com a parte dois”. E emendou: "Eu não conheço nenhum (governador), mas se tiver algum que faça uma crítica, ele que construa um PAC no seu Estado, o prefeito que construa um ´PACzinho´ em sua cidade. Aí, um ´PACzinho´ aqui, um ´PACzinho´ ali e um PAC nacional, a gente resolve o problema de infra-estrutura nacional". Santo Deus!
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O primeiro trecho do Rodoavel, o Oeste, inaugurado em 2001, levou quatro anos para ficar pronto, e não 12, como diz Lula. O PAC fala em Rodoanel, mas não estabelece valores. Quanto ao Ferroanel, o PAC se refere ao trecho Norte, mas não ao Sul. De todo modo, ouvindo Lula, fica-se com a impressão de que os recursos para essa obra estão definidos, o que não é verdade.
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PAC- PAC no fubá
A convocação de Lula para que os governos de Estado e municípios façam seus “PACs e PACzinhos” é uma piada grotesca. Praticamente a totalidade dos Estados está afogada em dívidas. E com o governo federal! O programa de Lula, de resto, embute uma desoneração fiscal que lhes morde mais um pouquinho de receita. Governadores e prefeitos, à diferença do presidente, estão submetidos à Lei de Responsabilidade Fiscal. Não podem sair por aí gastando à vontade — ainda bem. Péssimo é que o presidente possa fazê-lo.