terça-feira, março 06, 2007

Caminho da vitória

Fabio Grecchi, Tribuna da Imprensa

José Dirceu até tentou se justificar, em mensagem postada no blog que mantém, domingo, às 18h30. Em breves palavras, garantiu que não tem trabalhado pela sua anistia junto ao Congresso, que lhe reestabeleceria os direitos políticos. A certa altura, escreve: "Não é uma campanha do PT. Nunca discuti ou pretendi pedir o apoio institucional do PT para minha anistia, nem acho que é o caso. Trata-se de um direito constitucional. E tenho certeza que aqueles que o defendem farão a campanha".

Bom, logo aí se tem um erro de interpretação. Direito constitucional, vírgula, pois o ex-presidente Fernando Collor teve os direitos políticos cassados pelo Legislativo e amargou longo e tenebroso inverno. Absolvido de todas as acusações pelo Supremo Tribunal Federal, teve a dignidade de aguardar o tempo necessário, até se eleger senador por Alagoas, no pleito de outubro passado.

Ter a "certeza que aqueles que o defendem (o direito constitucional) farão a campanha", também é uma visível distorção. Tão logo Dirceu saiu da vida pública pela porta dos fundos, Tarso Genro foi despachado pelo Palácio do Planalto para "refundar" o PT. Expressão absolutamente sem significado, pois o partido não queria ser "refundado", tanto que Tarso jogou a toalha e Ricardo Berzoini passou a responder interinamente pelo comando petista.

Quem o derrubou foram os mesmos que, agora, se arvoram em defensores do direito constitucional de Dirceu. Que são todos do Campo Majoritário, tendência que vai vencer sempre dentro do PT por muito e muito tempo. Nas palavras do ex-petista Plínio de Arruda Sampaio, entrevistado por esta coluna quando da eleição no partido, o "Campo Majoritário é o inimigo a ser derrotado".

Tal entendimento é simples: trata-se da tendência cujos representantes naufragaram em cassações, renúncias a mandatos ou veto das urnas. Todos, sem exceção, envolvidos com o escândalo do mensalão. Os absolvidos o foram em sessões que marcaram o parlamento brasileiro como as mais vergonhosas. A divisão interna, porém, os favoreceu e os incomodados se mudaram para o PSOL.

Quando a candidatura de Arlindo Chinaglia começou a encorpar, sabia-se que por trás dela estava a mão invisível de Dirceu. E no bojo vinha o projeto da anistia. Difícil perceber se o presidente Lula foi apenas omisso, pois declarou preferência por Aldo Rebelo e depois a retirou. A partir daí Chinaglia começou a ganhar terreno, com direito a ajuda de ministros palacianos à sua campanha. Na tentativa de solapar a influência de Dirceu na corrida, Dilma Rousseff e Tarso acabaram por ajudá-lo, pois elegeu o amigo presidente da Câmara. O assanhamento podia ser comemorado em público.

Não é tarefa fácil a anistia do ex-ministro. Mas ele tem trabalhado tão bem, diante de personagens melífluos, untuosos, cínicos, que é bem possível que a consiga.