quinta-feira, março 29, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Governo enviará ao Congresso projeto salarial para professor
Agência Brasil

BRASÍLIA - O governo deverá encaminhar ao Congresso Nacional, até o final deste mês, projeto de lei que prevê piso salarial nacional para os professores dos ensinos fundamental e médio, de acordo com o ministro da Educação, Fernando Haddad. O ministro participou nesta segunda-feira, 19, do programa Café com o Presidente, o programa semanal Luiz Inácio Lula da Silva.

Para Haddad, a criação de um piso salarial ajudará a melhorar a formação dos educadores. “Nós temos hoje 50% dos nossos professores ganhando menos de R$ 800 por mês, por uma jornada de 40 horas”, afirmou no programa.

Sobre a valorização dos docentes, o presidente Lula disse que já havia debatido com o ministro esse assunto, que classificou como preocupação. “Nós temos que ajudar os professores brasileiros a se reciclarem. Com o piso dos professores, a gente, certamente, vai melhorar o nível e a vontade deles de participar”.

A fixação de um piso salarial para o magistério é uma das propostas do Plano de Desenvolvimento da Educação, elaborado pelo governo federal com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino básico.

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"New York Times" fala de "nova Inquisição" em caso Renascer
BBC Brasil
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Uma matéria do jornal "The New York Times" sobre a prisão do casal Estevam e Sônia Hernandes --líderes religiosos da Igreja Renascer acusados de transporte ilegal de dinheiro para os Estados Unidos-- fala de uma "nova Inquisição". A expressão, utilizada por uma das filhas do casal, ecoa a opinião de evangélicos que se sentem ofendidos pela maneira como o caso vem sendo conduzido pelas autoridades e noticiado nos meios de comunicação brasileiros.
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"A cobertura (da prisão) dos Hernandes e as acusações contra eles tem sido uniformemente negativa na mídia noticiosa brasileira, com muitos jornais e revistas reduzindo sua denominação a uma 'seita", atesta o correspondente do jornal, Larry Rother, evitando, no entanto, endossar ou contestar a opinião da filha."Um jornal até coloca o termo 'bispo' entre aspas para se referir ao casal e aos líderes da sua Igreja."
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A matéria nota que as correntes pentecostais vêm ganhando não só cada vez mais adeptos, mas "riqueza e poder" no Brasil.
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"Mais de 10% dos membros do Congresso do Brasil pertencem à bancada evangélica, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu seu vice de um partido dominado pelos grupos pentecostais", afirma o texto.
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O advogado do casal Hernandes, que deve ser julgado em Miami no início de maio, disse ao jornal que o caso "não é uma questão religiosa, mas que envolve a mídia, e interesses políticos e comerciais".

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Munido de peneira, embaixador do Brasil tapa o Sol
Escrito por Josias de Souza

Há coisa de 15 dias, o jornal britânico The Guardian publicou uma reportagem sobre as condições de trabalho dos cortadores de cana no Brasil. Ao lado de uma notícia sobre a visita de Bush a esta terra de palmeiras e sabiás, publicou-se outra contando que o etanol brasileiro é produzido por uma indústria que explora a mão-de-obra de um exército de 200 mil migrantes. “Os escravos do etanol”, no dizer do jornal.

Em visita a uma cidade de nome sugestivo, Palmares Paulista (SP), o Guardian viu a seguinte paisagem: “De um lado, densas plantações verdes de cana-de-açúcar que se estendem até onde os olhos podem ver; de outro, casebres tortos de tijolo aparente amontoados, abrigando centenas de trabalhadores empobrecidos que arriscam suas vidas e seus membros para prover cana-de-açúcar para as usinas locais.”

Incomodado com a leitura, José Mauricio Bustani, embaixador do Brasil em Londres, enviou carta ao Guardian. Queixou-se da reportagem. Disse que os cortadores de cana “são livres para ir e vir”. Reconheceu que trabalhou mais do que deveriam e ganham menos do que mereciam. Mas sustentou que, sob Lula, o governo sairá em socorro deles.

De resto, Bustani anotou em sua carta que as usinas de cana do Brasil “mantêm mais de 600 escolas, 200 creches e 300 postos de saúde.” É bom saber que um embaixador do Brasil está empenhado em defender o seu país. Não raro, faz-se o oposto. Recomenda-se, porém, a Bustani que se concentre nas causas em que há um mínimo de glória. Sob pena de ver recair sobre si a máxima de Sir Henry Wotton: “Um embaixador é um homem virtuoso incumbido de mentir no estrangeiro pelo bem do seu país.”

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Brasileiro com mais de US$ 100 mil no exterior deve declarar ao BC
Ana Paula Ribeiro, Folha Online
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O Banco Central começa a receber informações sobre os brasileiros que possuem capital no exterior. Todas as empresas que possuem mais de US$ 100 mil aplicados fora do país têm até o dia 31 de maio para fazer a declaração no site da instituição (www.bc.gov.br). A data de referência é o dia 31 de dezembro de 2006.
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No levantamento deste ano o residente no Brasil com investimentos no exterior terá que declarar não apenas o destino inicial dos recursos, mas também o destino final da operação. Antes, ele precisava informar apenas para qual local foram os recursos. No entanto, muitas vezes, eles ficavam depositados em um país e, depois, eram destinados a investimentos diretos em outros países. A mudança possibilitará que o BC faça um retrato mais detalhado sobre os capitais brasileiros no exterior.
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Além do local onde estão esses investimentos, a empresa ou pessoa física terá que declara também em qual segmento o dinheiro foi aplicado.
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No ano passado, 12.366 pessoas físicas e jurídicas fizeram a declaração. O estoque de recursos no exterior era de US$ 111,7 bilhões (US$ 87,4 bilhões de empresas e US$ 24,3 bilhões de pessoas físicas).

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O turbante negro do Itamaraty: voto do Brasil na ONU ajuda o Irã
Reinaldo Azevedo

Por Jamil Chade, no Estadão desta terça:
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Em meio a uma das crises políticas mais sérias dos últimos anos envolvendo o Irã, o Brasil decidiu ontem na Organização das Nações Unidas (ONU) abster-se em uma votação secreta sobre as violações dos direitos humanos pelo governo de Teerã. O debate ocorreu em Genebra e tinha como base dezenas de alegações de violações de direitos humanos que a ONU recebeu nos últimos meses em relação ao Irã, acusando o governo de violações “sistemáticas e massivas”.O Estado teve acesso ao resultado da votação e apurou que Teerã conseguiu escapar de uma condenação e evitou que as investigações prosseguissem. Para não criar problemas diplomáticos para os governos, o conteúdo das acusações e mesmo as votações são mantidos em sigilo pela ONU e pelos diplomatas.Parte da vitória iraniana deveu-se ao voto de Cuba, Rússia e de alguns países africanos e asiáticos pelo arquivamento do processo. Os países do Ocidente, em sua grande maioria, votaram pela continuação das investigações, entre eles a Argentina e outros latino-americanos. Mas o Irã acabou favorecido pelas abstenções de países como Brasil, Equador, Japão e Coréia do Sul. Diplomatas estrangeiros que estiveram dentro da sala de reuniões revelaram que o Brasil não se deu o trabalho sequer de explicar sua abstenção.