domingo, maio 20, 2007

Governo acena com socorro já

Com agências
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estuda reduzir juros e alongar prazos de financiamento para empresas exportadoras mais afetadas pelo dólar desvalorizado.

- Além de uma suavização das taxas de juros e dos spreads, para tornar o financiamento mais barato, nós vamos melhorar as condições de financiamento à exportação para esses setores - disse, ontem, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

O executivo não antecipou as medidas, justificando que estas serão divulgadas em conjunto com outros setores do governo. Coutinho viajou ontem para Brasília, para participar de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tratar do tema.

- Tenho a encomenda tanto do ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) como do ministro Guido Mantega (Fazenda) de ajudar o governo a colaborar no conjunto de medidas para tentar compensar os setores mais vulneráveis à valorização da taxa de câmbio - afirmou.

A valorização do real tem prejudicado, sobretudo, a competitividade de empresas exportadoras que não são ligadas a commodities e que não têm se beneficiado da alta das cotações internacionais.

Em Brasília, o presidente Lula disse que o governo não deve ter medo de ser chamado de nacionalista ao socorrer setores prejudicados pela valorização do real frente à moeda americana. Mesmo assim, destacou que a trajetória descendente da moeda tem contribuído para aumentar o volume de investimentos em infra-estrutura no país, ainda que provoque perdas para as empresas exportadoras.

- Tem setores que vão perdendo competitividade, e nós temos que cuidar. A gente não tem que ter medo de dizer que é nacionalista, não. Ter uma indústria têxtil produzindo aqui no Brasil é condição sine qua non para se ter aumento, para ter gente trabalhando - declarou o presidente, ressaltando a necessidade de incentivar as empresas a investirem em inovação tecnológica para aumentar sua competitividade.

Luciano Coutinho destacou também a necessidade de manter investimentos em setores exportadores que se beneficiam com a desvalorização cambial, como siderurgia, mineração, metalurgia de não ferrosos, celulose e papel.

O executivo do BNDES disse, porém, que continua torcendo para uma queda mais acelerada da taxa básica de juros , a Selic, hoje em 12,5% ao ano. Segundo ele, a elevação do rating do país por parte de agências de classificação de risco contribui para uma redução mais acentuada da Selic, o que pressionaria menos a taxa de câmbio.

- Na medida em que o juro fique mais baixo, a atratividade de uma série de operações de arbitragem que hoje contribuem para a valorização do câmbio será reduzida- explicou ele.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), os juros embutidos nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) seguem se ajustando à maior probabilidade de que o Copom corte a Selic em meio ponto, na reunião de junho. Reduzir os juros internos, que atraem capital especulativo, parece ser a única saída do BC para conter em parte a apreciação do real.

A Selic, hoje de 12,50% ao ano, cai apenas 0,25 ponto percentual há três reuniões consecutivas do Copom. O DI julho deste ano, que concentram as apostas para o Copom, indicou juro anual de 12,13%, contra 12,15% do ajuste anterior. A chance de corte de meio ponto na Selic é de 70%.


COMENTANDO A NOTÍCIA: Alguém precisa ensinar a esta gente que o que trava o desenvolvimento do país não são apenas os juros. Claro crédito caro não é bom para atividade produtiva. Mas de tanto venderem o mantra dos juros, perdemos um pouco da capacidade de ver mais além. O custo Brasil tem uma perna nos juros, mas a outra está no custo Brasil., que é feito de entraves burocráticos, carga tributária elevadíssima, e insegurança jurídica e infra-estrutura caótica. Bastaria que a área econômica encomendasse um estudo para se comparar o tempo que se gasta e os custos que incidem sobre qualquer produto que se tenta exportar para fora do país. E comparem este tempo e este custo o de outros países, da Europa, por exemplo. Comparem ainda o peso tributário no Brasil em qualquer atividade, na relação com o México por exemplo. Propositadamente vamos excluir os países do Primeiro Mundo. Fiquemos no exemplo apenas do bloco dos emergentes.

E aí, como agora, o governo vem e fala em facilidades, e começa elencar tudo que diga ao crédito, e se esquece do custo tributário, por exemplo. Assim fica difícil: enquanto o governo não se der conta de que ele, mais do que qualquer outro, precisa fazer a sua parte, ser mais eficiente para provocar reduções dos impostos que cobra e que bancam a sua máquina paquidérmica, ineficiente desperdiçadora ao extrema e cara, não se irá avançar além do mínimo que é possível.

Já se disse várias vezes que o país avança apesar do governo que tem, e tudo é representativo que se o governo fizesse seu papel, estaríamos deslanchando adoidado. Jamais teremos um mercado interno, composto de consumidores, trabalhadores e empresas, dos quais o governo toma quase metade de tudo que produzem. E este saque sequer vai para investimento em obras e qualificações dos serviços que o Estado oferece. É gasto em porcarias totalmente desnecessárias e sem sentido.