O canivete sem fio de Jorge Hage
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
A grande questão que se levanta, depois de tantos escândalos em tão curto espaço de tempo, com o desvio de milhões de reais dos cofres públicos, o que mais ainda se esconde nos porões do poder público ? Já há algum tempo estamos batendo na mesma tecla: o Estado brasileiro está literalmente infestado de ratasanas. E de todos os tipos, tamanhas e espécimes. O que se construiu de fortunas “fáceis” neste país é algo inimaginável.
Reparem, por exemplo, que mesmo sem ter tido uma única obra saída do papel, (as que estão em cursos foram iniciadas na sua grande maioria em governo anterior ao de Lula), nos discursos do primeiro dia a tônica foi a de a rede composta e formada pela Construtora Gautama estava atacando o PAC. Santo Deus, esta gente nos considera assim tão imbecis ? Mas não é disto que especificamente queremos tratar. O que nos chama a atenção é o papel da CGU neste caso. O Ministro Jorge Hage deu a seguinte declaração:
"A maior parcela de desembolsos para Gautama ocorreu no governo passado", ressaltou Hage. "O que isso significa? Significa que a relação entre essa empresa Gautama e o governo federal não é coisa do atual governo, ela vem de muito longe".
Será ? O que o senhor Hage quis fazer, foi uma insinuação de que o esquema desta construtora foi montada no governo anterior ao de Lula, ou seja, quis respingar a caca toda no colo de outro governo. Ou seja, Lula não tem responsabilidade sobre a encrenca que a Gautama arrumou. De novo, perguntamos, será ? Bem uma coisa é firmar contratos, outra, e bem diferente, é autorizar pagamentos apesar de relatórios apontarem irregularidades. De fato, alguns contratos entre o governo e a Gautama foram firmados no período de 2002 a 2002. Em torno de R$ 140,0 milhões. Dali prá frente, já no primeiro mandato de Lula o total de contratos firmados atingiu cerca de R$ 14,0 milhões.
Vejamos o histórico dos pagamentos à construtora, ano a ano, fornecdios pela própria CGU:
2000 - R$ 13,2 milhões
2001 - R$ 17,8 milhões
2002 - R$ 22 milhões
2003 - R$ 6,5 milhões
2004 - R$ 15,5 milhões
2005 - R$ 9,4 milhões
2006 - R$ 18,7 milhões
Ora o que temos aí é o seguinte: entre 2002 a 2002, foram pagos R$ 53,0 milhões. No período de 2003 a 2006, foram pagos R$ 50,0 milhões. Ou seja, apesar de assinar contratos em valor muito menor, o governo Lula praticamente desembolsou valores equivalentes ao governo anterior.
Contudo, espertamente, o senhor Hage sonegou um informação que ele “pensa” tivesse caído no esquecimento. Ocorre, que nenhum pagamento é feito sem a necessária fiscalização da obra contratada. Isto é praxe. Além disto, de todos os quarenta e tantos detidos, nenhum foi acusado de crimes cometidos pelo esquema Gautama no período anterior a 2003. Logo, a insinuação maldosa do ministro chefe da CGU não tem sentido. Até se pode classificá-la com leviana e maldosa. Tanto é que, dentre os detidos, figura um prefeito do Pt, na Bahia, amigo chegado do governador também petista Jorge Wagner. Que, por sinal, andou tanto o governador quanto a ministra Dilma Roussef, em novembro de 2006, dando uns passeios na lancha justamente pertencente ao empresário Zuleido, dono da Gautama. Deixamos claro que o passeio pode ter sido apenas um turismo. Não estamos levantamento insinuações nem suposições pelo fato da ministra ser coordenadora das obras do PAC. E se isto não bastar, vale lembrar que o escândalo bateu na porta de ministro do governo Lula, e não de FHC.
Vamos reproduzir trecho de uma reportagem do Correio Braziliense de setembro de 2006. Retornamos depois para comentar.
Nove obras da construtora Gautama, espalhadas por seis estados, estão paralisadas por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) porque apresentam irregularidades graves. Seus contratos somam R$ 483 milhões. Com indícios de superfaturamento, transferência ilegal de contratos, aditivos acima dos limites previstos em lei e conluio entre empresas, essas obras não podem receber recursos federais. Nem por isso a empresa deixa de receber dinheiro. Na carona da medida provisória que abriu créditos extraordinários de R$ 825 milhões, a MP 270, em dezembro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atendeu pedido encaminhado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e destinou R$ 70 milhões para as obras do sistema de abastecimento de água do rio Pratagy, em Maceió, obra tocada pela Gautama. O tribunal registra, ainda, irregularidades em outras nove obras executadas pela empreiteira.
Reparem que coisa curiosa: pela MP 270, Lula liberou numa única canetada R$ 70,0 milhões para a Gautama, contrariando o que informou o senhor Hage. E mais: o total de contratos somavam à época do pagamento, R$ 483,0 milhões, montante bastante superior ao que a CGU informou que seriam de R$ 170,0, sendo que relativo ao governo Lula corresponderiam tão somente 10% do montante, ou seja, cerca de R$ 14,0 milhões. Ok! Vamos supor que o senhor Hage tenha tido um surto de memória. Até porque se poderia alegar que os R$ 170,0 milhões se tratavam de contratos apenas da responsabilidade do governo federal, os demais todos seriam das competências estaduais e municipais. Tudo bem, não fosse por um pequeno detalhe: isto, o senhor Jorge Hage sequer informou. Sua declaração foi clara: a de que a maior parte dos contratos havia sido firmada no governo anterior. “(...) A relação vinha de muito longe (...)” Mas, o ministro cometeu um pequeno deslize. Na pressa de querer incriminar o governo FHC e isentar o governo Lula, ele completou: “(...)Entretanto, alguns desses contratos continuaram, obviamente. Se foi contratado em 2001-2002 para fazer uma obra grande, esse contrato se projeta em 2003-2004 e continua sendo executado já no governo atual(..)".Isto foi dito com a intenção de justificar os pagamentos feitos pelo governo Lula à Gautama.
Mas e daí senhor Hage: o fato do contrato ter sido firmado no governo anterior, não isenta de modo algum a responsabilidade do governo Lula na relação promíscua mantida com a construtora. Se obras transpassaram de um período para outro, e elas tiveram continuidade, a quem caberia fiscalizar a partir de 2003 ? E o relatório do TCU condenando 9 obras é datado de que período ? E mesmo diante disto, o governo Lula liberou R$ 70,0 milhões !!! Perdoe-me, senhor Jorge Hage, querendo enfiar a navalha na carne de FHC, vossa senhoria vem e apresenta um canivete sem fio, zurrapa e vagabundo, com uma conversa mole e tola, achando que sua delinqüência vai livrar a cara de Lula, é? Não livra. Portanto, senhor Hage, ter um pouco de cuidado em fazer afirmações induzindo a opinião pública levianamente a fazer julgamentos injustos, seria o mínimo que se poderia esperar de um homem público, que já não está mais em idade de fazer molecagens. Muito embora, a gente não tenha esquecido da lambança que o senhor andou aprontando no caso das sanguessugas, em plena campanha eleitoral de 2006, querendo transferir responsabilidades pelo escândalo do governo Lula para o governo FHC, e justo no período em que José Serra foi Ministro da Saúde. Claro que não colou, por isso mais adiante se tentou o dossiê fajuto.
Deste modo, se conclui que os métodos que esta gente porca emprega de forma cretina para conquistar o poder, segue sim um método bastante canalha. A tal ponto que, como vemos neste caso, parece que se repete indefinidamente. Na próxima vez, ministro, afie melhor a navalha, ou melhor, o canivete, ou ainda, o discurso. Canalhices e cretinices um idiota até pode acreditar. Mas nem todos neste país são os idiotas que o senhor imagina.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
A grande questão que se levanta, depois de tantos escândalos em tão curto espaço de tempo, com o desvio de milhões de reais dos cofres públicos, o que mais ainda se esconde nos porões do poder público ? Já há algum tempo estamos batendo na mesma tecla: o Estado brasileiro está literalmente infestado de ratasanas. E de todos os tipos, tamanhas e espécimes. O que se construiu de fortunas “fáceis” neste país é algo inimaginável.
Reparem, por exemplo, que mesmo sem ter tido uma única obra saída do papel, (as que estão em cursos foram iniciadas na sua grande maioria em governo anterior ao de Lula), nos discursos do primeiro dia a tônica foi a de a rede composta e formada pela Construtora Gautama estava atacando o PAC. Santo Deus, esta gente nos considera assim tão imbecis ? Mas não é disto que especificamente queremos tratar. O que nos chama a atenção é o papel da CGU neste caso. O Ministro Jorge Hage deu a seguinte declaração:
"A maior parcela de desembolsos para Gautama ocorreu no governo passado", ressaltou Hage. "O que isso significa? Significa que a relação entre essa empresa Gautama e o governo federal não é coisa do atual governo, ela vem de muito longe".
Será ? O que o senhor Hage quis fazer, foi uma insinuação de que o esquema desta construtora foi montada no governo anterior ao de Lula, ou seja, quis respingar a caca toda no colo de outro governo. Ou seja, Lula não tem responsabilidade sobre a encrenca que a Gautama arrumou. De novo, perguntamos, será ? Bem uma coisa é firmar contratos, outra, e bem diferente, é autorizar pagamentos apesar de relatórios apontarem irregularidades. De fato, alguns contratos entre o governo e a Gautama foram firmados no período de 2002 a 2002. Em torno de R$ 140,0 milhões. Dali prá frente, já no primeiro mandato de Lula o total de contratos firmados atingiu cerca de R$ 14,0 milhões.
Vejamos o histórico dos pagamentos à construtora, ano a ano, fornecdios pela própria CGU:
2000 - R$ 13,2 milhões
2001 - R$ 17,8 milhões
2002 - R$ 22 milhões
2003 - R$ 6,5 milhões
2004 - R$ 15,5 milhões
2005 - R$ 9,4 milhões
2006 - R$ 18,7 milhões
Ora o que temos aí é o seguinte: entre 2002 a 2002, foram pagos R$ 53,0 milhões. No período de 2003 a 2006, foram pagos R$ 50,0 milhões. Ou seja, apesar de assinar contratos em valor muito menor, o governo Lula praticamente desembolsou valores equivalentes ao governo anterior.
Contudo, espertamente, o senhor Hage sonegou um informação que ele “pensa” tivesse caído no esquecimento. Ocorre, que nenhum pagamento é feito sem a necessária fiscalização da obra contratada. Isto é praxe. Além disto, de todos os quarenta e tantos detidos, nenhum foi acusado de crimes cometidos pelo esquema Gautama no período anterior a 2003. Logo, a insinuação maldosa do ministro chefe da CGU não tem sentido. Até se pode classificá-la com leviana e maldosa. Tanto é que, dentre os detidos, figura um prefeito do Pt, na Bahia, amigo chegado do governador também petista Jorge Wagner. Que, por sinal, andou tanto o governador quanto a ministra Dilma Roussef, em novembro de 2006, dando uns passeios na lancha justamente pertencente ao empresário Zuleido, dono da Gautama. Deixamos claro que o passeio pode ter sido apenas um turismo. Não estamos levantamento insinuações nem suposições pelo fato da ministra ser coordenadora das obras do PAC. E se isto não bastar, vale lembrar que o escândalo bateu na porta de ministro do governo Lula, e não de FHC.
Vamos reproduzir trecho de uma reportagem do Correio Braziliense de setembro de 2006. Retornamos depois para comentar.
Nove obras da construtora Gautama, espalhadas por seis estados, estão paralisadas por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) porque apresentam irregularidades graves. Seus contratos somam R$ 483 milhões. Com indícios de superfaturamento, transferência ilegal de contratos, aditivos acima dos limites previstos em lei e conluio entre empresas, essas obras não podem receber recursos federais. Nem por isso a empresa deixa de receber dinheiro. Na carona da medida provisória que abriu créditos extraordinários de R$ 825 milhões, a MP 270, em dezembro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atendeu pedido encaminhado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e destinou R$ 70 milhões para as obras do sistema de abastecimento de água do rio Pratagy, em Maceió, obra tocada pela Gautama. O tribunal registra, ainda, irregularidades em outras nove obras executadas pela empreiteira.
Reparem que coisa curiosa: pela MP 270, Lula liberou numa única canetada R$ 70,0 milhões para a Gautama, contrariando o que informou o senhor Hage. E mais: o total de contratos somavam à época do pagamento, R$ 483,0 milhões, montante bastante superior ao que a CGU informou que seriam de R$ 170,0, sendo que relativo ao governo Lula corresponderiam tão somente 10% do montante, ou seja, cerca de R$ 14,0 milhões. Ok! Vamos supor que o senhor Hage tenha tido um surto de memória. Até porque se poderia alegar que os R$ 170,0 milhões se tratavam de contratos apenas da responsabilidade do governo federal, os demais todos seriam das competências estaduais e municipais. Tudo bem, não fosse por um pequeno detalhe: isto, o senhor Jorge Hage sequer informou. Sua declaração foi clara: a de que a maior parte dos contratos havia sido firmada no governo anterior. “(...) A relação vinha de muito longe (...)” Mas, o ministro cometeu um pequeno deslize. Na pressa de querer incriminar o governo FHC e isentar o governo Lula, ele completou: “(...)Entretanto, alguns desses contratos continuaram, obviamente. Se foi contratado em 2001-2002 para fazer uma obra grande, esse contrato se projeta em 2003-2004 e continua sendo executado já no governo atual(..)".Isto foi dito com a intenção de justificar os pagamentos feitos pelo governo Lula à Gautama.
Mas e daí senhor Hage: o fato do contrato ter sido firmado no governo anterior, não isenta de modo algum a responsabilidade do governo Lula na relação promíscua mantida com a construtora. Se obras transpassaram de um período para outro, e elas tiveram continuidade, a quem caberia fiscalizar a partir de 2003 ? E o relatório do TCU condenando 9 obras é datado de que período ? E mesmo diante disto, o governo Lula liberou R$ 70,0 milhões !!! Perdoe-me, senhor Jorge Hage, querendo enfiar a navalha na carne de FHC, vossa senhoria vem e apresenta um canivete sem fio, zurrapa e vagabundo, com uma conversa mole e tola, achando que sua delinqüência vai livrar a cara de Lula, é? Não livra. Portanto, senhor Hage, ter um pouco de cuidado em fazer afirmações induzindo a opinião pública levianamente a fazer julgamentos injustos, seria o mínimo que se poderia esperar de um homem público, que já não está mais em idade de fazer molecagens. Muito embora, a gente não tenha esquecido da lambança que o senhor andou aprontando no caso das sanguessugas, em plena campanha eleitoral de 2006, querendo transferir responsabilidades pelo escândalo do governo Lula para o governo FHC, e justo no período em que José Serra foi Ministro da Saúde. Claro que não colou, por isso mais adiante se tentou o dossiê fajuto.
Deste modo, se conclui que os métodos que esta gente porca emprega de forma cretina para conquistar o poder, segue sim um método bastante canalha. A tal ponto que, como vemos neste caso, parece que se repete indefinidamente. Na próxima vez, ministro, afie melhor a navalha, ou melhor, o canivete, ou ainda, o discurso. Canalhices e cretinices um idiota até pode acreditar. Mas nem todos neste país são os idiotas que o senhor imagina.