domingo, maio 20, 2007

A invasão da USP

Editorial do Estadão

A invasão do prédio da administração central da USP e a forma como os dirigentes da instituição se comportaram nas duas primeiras semanas da ocupação, aceitando “negociar” a desocupação e cedendo a reivindicações absurdas que iam sendo substituídas à medida que as primeiras eram aceitas, causaram a reação indignada de parte do corpo docente da universidade. Tanto no campus universitário do Butantã quanto nas diversas unidades localizadas no interior do Estado, congregações e conselhos departamentais, assim como professores individualmente, lançaram notas de protesto, cobrando maior rigor da reitora Suely Vilela e exigindo que os invasores sejam punidos de maneira exemplar, inclusive com a expulsão, medida que está prevista no estatuto e no regimento da maior universidade pública do País.
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Um dos documentos mais contundentes enviado à reitora Suely Vilela partiu do Instituto de Física. Assinado por nove professores, o texto afirma que os dirigentes da USP jamais deveriam ter aceito negociar com os invasores, pois “não se pode abrir diálogo com quem usa a força para chegar a seus objetivos”. E lembra que uma “universidade decente”, por estar organizada em torno do princípio do mérito e do “pensamento íntegro como forma de agir”, não pode ter seu processo decisório confundido com uma democracia.
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O texto denuncia a manipulação dos órgãos de representação estudantil por partidos políticos, acusa os invasores de ameaçar a integridade física e moral do corpo docente e pede à reitora Suely Vilela que providencie proteção policial. “Somos professores e pesquisadores na defesa de um ideal (...) e nos sentimos ameaçados por um grupo de desclassificados que vagueiam pela Universidade. Qualquer forma de intimidação deve ser respondida com força total, dentro da lei”, conclui o documento.
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Mais contundente ainda é o ofício enviado pelo professor Francisco Alcaraz à direção do Instituto de Física de São Carlos, descrevendo o que ocorreu na semana passada, naquele campus da USP, quando uma minoria de estudantes e de funcionários fez uma “manifestação de apoio” à invasão da Reitoria. Ele conta que, ao tentarem entrar nas salas de aula e nos laboratórios, vários docentes foram agarrados e xingados. Descreve as “atitudes truculentas e vexatórias” dos manifestantes, inclusive contra professores sexagenários e com deficiência física. E afirma que o esquema de segurança da USP não estava funcionando na ocasião e que os docentes e pesquisadores da unidade em momento algum receberam qualquer proteção.
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“Senti morrer em mim todo o orgulho e satisfação em dar e preparar meus cursos nesta Universidade. Senti-me indignado em ministrar cursos a estes alunos (...). Se existe algo que cultivei e preservei nos meus quase 30 anos de carreira universitária é minha dignidade. Em toda minha vida como cidadão brasileiro e como professor, nunca tive tal qualidade questionada, muito menos roubada e vilipendiada (como aconteceu agora)”, conclui o professor Alcaraz, após acusar a reitora Suely Vilela de estar mais preocupada em se compor com minorias estudantis do que em defender “o patrimônio maior da USP, a dignidade de seu corpo docente”.
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É justamente esse o denominador comum de muitas notas de protesto emitidas por professores e órgãos colegiados contra a invasão da Reitoria. Pela primeira vez na história da instituição, docentes das mais variadas áreas do conhecimento criticam publicamente a excessiva leniência com que a USP há muito tempo vem tratando as minorias de estudantes irresponsáveis e radicais que recorrem à intimidação e à truculência para servir a interesses políticos estranhos à vida acadêmica e impedir o funcionamento de uma instituição mantida pelo dinheiro dos contribuintes.
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Tanta contemporização acabou dando a essas minorias a certeza da impunidade. Ou seja, a idéia de que não há limites às suas formas de protesto, como se não houvesse obstáculos legais à destruição do patrimônio público e de que não é preciso prestar contas aos contribuintes que financiam sua capacitação profissional. Contra isso reagem os signatários das notas de protesto que cobram dos dirigentes da USP o cumprimento da lei, com punições exemplares para os invasores da Reitoria.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Houve um tempo em que uma sociedade era ocupada pela elite do saber. Galgava-se os postos mais destacados sempre pelo mérito, pelo conjunto da obra laboriosa de uma vida inteira, com reconhecida dedicação e competência. Havia um norte moral a seguir, que se fundavam nos princípios e valores morais tais como honestidade, culto à verdade, caráter, honra, amor ao trabalho, respeito à individualidade do vizinho que ninguém ousava transpor ou invadir. Foi um tempo em que vergonha na cara era uma virtude. Depois, uma certa ideologia foi impregnando o país com um discurso cafajeste, moldado no anacronismo, no nivelamento por baixo, nas espúrias combinações de jogos de interesse desonesto, e aqueles valores e princípios até cultivados e reverenciados foram sendo substituídos pela demagogia, pelo atraso, pela mediocridade, pelo assalto Ao honra e à moral, degradação gradual ceifada na apologia à lutas de classe (adeus harmonia, bem comum e entendimento), a mentira e a basófia, os dossiês falsos e canalhas plantados para destruir reputações o mais da vezes sem nenhum fundamento, a cretinice vingando sua sabujice mórbida e delinqüente; esta ideologia chamava por um pomposo e enganador nome de partido dos trabalhadores, quando na verdade, deveria chamar-se de partido dos trambiqueiros. Juntaram-se uma malta de jagunços, vagabundos sem renda e sem trabalho para infectar a harmonia social, e vitimar toda a moralidade, decência e honra, coisas que passaram a ser taxadas como idiotices burguesas: trabalhador honesto passou a ser taxado de trouxa, imbecil, otário.

Esta sociedade brasileira do ano de 2007, está perdendo a noção de civilidade. O PT e sua moral de cueca, ou falta de moral mesmo, estão transformando o paraíso tropical do futuro na terra selvagem e sem lei do presente. Medíocre ao extremo. A mentira, a falsidade e vadiagem e a bandidagem tomaram de assalto o poder e nos tornam reféns de centenas de salafrários sem caráter. Transformaram o Brasil uma imensa cloaca fétida com o odor putrefato que exala de sua ideologia porca e degradante. O que está acontecendo na USP já tínhamos previsto que iria acontecer: é o comando cafajeste de um partido e de um presidente que não conhece limites para impor sua insanidade. Para eles o poder vale qualquer preço até o mais canalha. Tribute-se e debite-se o que ocorre hoje em São Paulo a voz de comando que parte do Planalto. Lá está a camorra a degradar a sociedade brasileira. A lamentar que não se tenha instituições democráticas suficiente honestas e responsáveis para enquadrar os marginais no lugar que lhes cabe. Todos se vendem por interesse pessoal. Todos são cúmplices de uma mesma vigarice. Todos entregaram a consciência e alma ao diabo em troca de um cargo na republiqueta de imorais e desonestos. Afinal, que fim levou a Lei Áurea que a Princesa Izabel um dia assinou ?