Cristina Borges Guimarães
A classe média brasileira ainda se lembra dos tempos em que o salário era consumido pela inflação. A indexação ao mínimo foi a fórmula encontrada para minimizar o problema. Mas o salário mínimo também sofreu perdas com a alta acelerada dos preços. Nos últimos oito anos contou com reajuste real de 66,12%, passando de R$ 136 em março de 2000 para os atuais R$ 380. A consolidação da estabilidade de preços tornou desnecessária a indexação de salários ao mínimo. Com isso, a renda da classe média ficou estagnada.
- Hoje, o achatamento da classe média não se dá pelos preços, mas no salário. A não correção da tabela do imposto de renda, o aumento da carga tributária, o processo de terceirização do trabalho são fatores que tiram poder de compra da classe média - afirma o economista da Universidade de São Paulo (USP) Peter Greiner, organizador do Índice de Custo de V ida da Classe Média (ICVM) da Ordem dos Economistas de São Paulo.
Desde junho de 1981, a Ordem dos Economistas do Brasil calcula mensalmente a variação do custo de vida da classe média no município de São Paulo, tomando como base as despesas das famílias que têm uma renda mensal na faixa compreendida entre seis e 33 salários mínimos. A partir de julho de 1994, com o Plano Real, foi adotada a nova estrutura de ponderação, baseada na pesquisa de orçamentos familiares (POF) de 91/92, alterando a faixa de renda para entre dez e 40 salários mínimos.
A metodologia de cálculo é a comparação dos preços médios do mês atual com os preços médios do mês imediatamente anterior. Portanto, chama-se a atenção para o fato de o ICVM não retratar a variação de preços do primeiro ao último dia do mês. Em o abril, o ICVM apresentou alta de 0,48%. A variação acumulada em 2007 está em 1,85% e nos últimos 12 meses foi de 3,19%.
Greiner explica que no longo prazo os índices de preços se tornam "solidários", ou seja, todos eles apresentam a mesma evolução. Por isso eles não podem medir o poder de compra de um estrato social. - O aumento dos combustíveis, por exemplo, impacta num primeiro momento a classe média e depois a classe baixa por meio da alta do transporte urbano.
No longo prazo o impacto é o mesmo para todos os estratos - diz. A diferença, segundo Greiner, é que, nos últimos anos, o aumento da renda tem se concentrado na população que recebe salário mínimo. Já a classe média não sofre mais tantas perdas inflacionárias e também não tem tantos reajustes. O problema é que a renda continua a mesma, mas o volume - e não mais o valor - das despesas crescem.
O economista da LCA Consultores, Fabio Romão, destaca os maiores ganhos reais do salário mínimo registrados nos últimos anos que implicaram em redistribuição de renda. Em 2000, o ganho real foi de 5,35%, de 11,33% no ano seguinte, 7,91% em 2005, 12,9% no ano passado e 5,3% neste ano. Ele ressalta ainda que a massa de rendimentos das classes D e E tem crescido mais que a da classe C (classe média).
Romão atribui essa melhora na distribuição de renda não só aos aumentos do salário mínimo mas também ao crescimento das transferências governamentais - como o Bolsa-Família. Outro efeito benéfico à classe baixa apontado por ele foi a redução do peso dos alimentos nos índices de preços que permitiu o direcionamento de parte da renda a bens de consumo duráveis e à educação, por exemplo.
Para consolidar o processo, Romão destaca a necessidade de realização da reforma trabalhista. - A categoria de trabalhadores por conta própria ganhou força no último ano. São pessoas físicas que foram transformadas em jurídicas e ficaram desprotegidas de alguns direitos. A maior formalização do mercado de trabalho favorece a classe C - afirma Romão.
- Com a terceirização dos trabalhadores, por exemplo, os salários são mantidos, mas devido a perdas ou redução de benefícios as despesas aumentam. É o que ocorre no caso de quem perde o benefício do plano de saúde. Seu preço está estabilizado, mas é uma despesa a mais para quem antes tinha o benefício - conclui Greiner.
A classe média brasileira ainda se lembra dos tempos em que o salário era consumido pela inflação. A indexação ao mínimo foi a fórmula encontrada para minimizar o problema. Mas o salário mínimo também sofreu perdas com a alta acelerada dos preços. Nos últimos oito anos contou com reajuste real de 66,12%, passando de R$ 136 em março de 2000 para os atuais R$ 380. A consolidação da estabilidade de preços tornou desnecessária a indexação de salários ao mínimo. Com isso, a renda da classe média ficou estagnada.
- Hoje, o achatamento da classe média não se dá pelos preços, mas no salário. A não correção da tabela do imposto de renda, o aumento da carga tributária, o processo de terceirização do trabalho são fatores que tiram poder de compra da classe média - afirma o economista da Universidade de São Paulo (USP) Peter Greiner, organizador do Índice de Custo de V ida da Classe Média (ICVM) da Ordem dos Economistas de São Paulo.
Desde junho de 1981, a Ordem dos Economistas do Brasil calcula mensalmente a variação do custo de vida da classe média no município de São Paulo, tomando como base as despesas das famílias que têm uma renda mensal na faixa compreendida entre seis e 33 salários mínimos. A partir de julho de 1994, com o Plano Real, foi adotada a nova estrutura de ponderação, baseada na pesquisa de orçamentos familiares (POF) de 91/92, alterando a faixa de renda para entre dez e 40 salários mínimos.
A metodologia de cálculo é a comparação dos preços médios do mês atual com os preços médios do mês imediatamente anterior. Portanto, chama-se a atenção para o fato de o ICVM não retratar a variação de preços do primeiro ao último dia do mês. Em o abril, o ICVM apresentou alta de 0,48%. A variação acumulada em 2007 está em 1,85% e nos últimos 12 meses foi de 3,19%.
Greiner explica que no longo prazo os índices de preços se tornam "solidários", ou seja, todos eles apresentam a mesma evolução. Por isso eles não podem medir o poder de compra de um estrato social. - O aumento dos combustíveis, por exemplo, impacta num primeiro momento a classe média e depois a classe baixa por meio da alta do transporte urbano.
No longo prazo o impacto é o mesmo para todos os estratos - diz. A diferença, segundo Greiner, é que, nos últimos anos, o aumento da renda tem se concentrado na população que recebe salário mínimo. Já a classe média não sofre mais tantas perdas inflacionárias e também não tem tantos reajustes. O problema é que a renda continua a mesma, mas o volume - e não mais o valor - das despesas crescem.
O economista da LCA Consultores, Fabio Romão, destaca os maiores ganhos reais do salário mínimo registrados nos últimos anos que implicaram em redistribuição de renda. Em 2000, o ganho real foi de 5,35%, de 11,33% no ano seguinte, 7,91% em 2005, 12,9% no ano passado e 5,3% neste ano. Ele ressalta ainda que a massa de rendimentos das classes D e E tem crescido mais que a da classe C (classe média).
Romão atribui essa melhora na distribuição de renda não só aos aumentos do salário mínimo mas também ao crescimento das transferências governamentais - como o Bolsa-Família. Outro efeito benéfico à classe baixa apontado por ele foi a redução do peso dos alimentos nos índices de preços que permitiu o direcionamento de parte da renda a bens de consumo duráveis e à educação, por exemplo.
Para consolidar o processo, Romão destaca a necessidade de realização da reforma trabalhista. - A categoria de trabalhadores por conta própria ganhou força no último ano. São pessoas físicas que foram transformadas em jurídicas e ficaram desprotegidas de alguns direitos. A maior formalização do mercado de trabalho favorece a classe C - afirma Romão.
- Com a terceirização dos trabalhadores, por exemplo, os salários são mantidos, mas devido a perdas ou redução de benefícios as despesas aumentam. É o que ocorre no caso de quem perde o benefício do plano de saúde. Seu preço está estabilizado, mas é uma despesa a mais para quem antes tinha o benefício - conclui Greiner.