quinta-feira, junho 14, 2007

Fiesp reage: medidas precisam focar toda a indústria

O diretor do departamento de pesquisas econômicas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, disse ter dúvidas sobre a eficiência para a economia de medidas que beneficiem apenas alguns setores. Ao comentar o pacote de ações anunciado ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o empresário afirmou que a maior questão para a indústria é o câmbio e que beneficiar apenas alguns setores não resolve a questão.

"Sou mais favorável a medidas gerais porque a dificuldade é de toda a indústria", afirmou, lembrando que a escolha privilegia os setores com crise mais evidente, o que não significa que outras áreas da economia também não estejam sendo prejudicas. De qualquer forma, o diretor da Fiesp acredita que essas medidas são melhores do que nada. "Porém, o melhor é fazer o correto", disse.

Para Francini, a tributação de vestuários sobre quantidade é uma das medidas mais importantes do pacote porque corrige o abuso das importações subfaturadas que prejudicam o segmento de vestuário. As medidas anunciadas por Mantega beneficiam os setores têxtil e confecções, calçados, moveleiro, eletroeletrônico e automotivo, afetados pela desvalorização do dólar.

Ciesp
Para o diretor do Departamento de Economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Antônio Correa de Lacerda, as medidas "significam o reconhecimento do governo das dificuldades que os setores industriais enfrentam". Segundo Lacerda, "é uma medida proativa do governo de criar condições favoráveis às empresas afetadas pelo câmbio", afirma.

No entanto, assim como Paulo Francini, Lacerda ressalta que os setores beneficiados não são os únicos afetados pelo problema do câmbio. "Essas medidas são paliativas e compensatórias, porque diminuem a desvantagem competitiva da economia brasileira para esses setores, mas não cria novas vantagens competitivas, que é hoje o grande desafio da economia."

Ele argumenta que o dólar desvalorizado não afeta apenas as exportações. "O dólar é um preço básico da economia, que define investimentos e a produção local. Portanto, eu vejo o anúncio como um início de um processo que deve se estender a outros setores."