quinta-feira, junho 14, 2007

O governo escolhe os vencedores

Carlos Sardenberg, Portal G1
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Está prometido para daqui a pouco: os ministros Guido Mantega e Miguel Jorge anunciam medidas chamadas de “fortalecimento” à indústria.
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Na prática: vantagens para empresas que estão apanhando mais com o dólar barato, ou seja, exportadoras que afirmam estar perdendo competitividade internacional com o real forte.
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Faltam detalhes, mas Mantega, falador como sempre, já disse ontem que haverá “desoneração tributária” e empréstimos mais baratos da parte do BNDES. O BNDES já empresta mais barato que os demais bancos – pois vai emprestar com juros menores ainda e o Tesouro (isto é, o Ministério da Fazenda, isto é, o contribuinte) vai pagar a diferença para o BNDES.
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Em resumo, o contribuinte vai pagar para que algumas empresas exportem.
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Faz sentido?
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É um óbvio quebra-galho, que não resolve o verdadeiro problema do custo Brasil. Ainda ontem, comentávamos aqui que governos estaduais devem R$ 15 bilhões a empresas exportadoras por conta de ICMS já recolhido pelas companhias e que deveria ter sido ressarcido.
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R$ 15 bilhões é dinheiro – equivalem a 25% de tudo o que o BNDES vai emprestar este ano.
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De maneira que continuamos na rota dos remendos: coloca-se uma carga tributária elevada para todo mundo e depois o governo escolhe quais setores e quais empresas vão pagar menos impostos. Os juros são altos para todos, e o governo escolhe quem vai pagar juros menores.
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Salva empresários, mas não pode funcionar para o conjunto do país.