Denize Bacoccina, De Brasília
O fracasso das negociações para retomar a Rodada de Doha de liberalização do comércio mundial deixa o Brasil de volta à estaca zero na busca pela ampliação de mercados. Com a interrupção das discussões multilaterais, a negociação de acordos bilaterais se torna a única opção para incrementar de forma substancial o comércio exterior, na avaliação de entidades que representam exportadores.
O governo brasileiro – assim como os exportadores – sempre preferiu as negociações multilaterais, na Organização Mundial do Comércio (OMC), por ser a única via para acabar com os subsídios agrícolas, a principal reivindicação brasileira.
Mas tanto exportadores agrícolas como industriais afirmam que o governo errou ao apostar nas negociações multilaterais como única alternativa, sem continuar com as conversas bilaterais para o caso de a Rodada Doha fracassar.
“O Brasil agora é jogado nas negociações bilaterais sem que isso tenha feito parte de sua estratégia”, diz o presidente do Instituto de Estudos em Comércio e Negociações Internacionais (Ícone), André Nassar.
“Nós apostamos tudo (na OMC) e agora estamos sem nada”, afirma o coordenador de Comércio Exterior da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antonio Donizeti. “Sempre entendem que essas negociações deviam ser simultâneas.”
Mercosul X União Européia
Para Donizeti, mesmo que as negociações entre o Mercosul e a União Européia forem retomadas, o Mercosul fica numa posição mais fragilizada, porque os europeus já voltaram o foco para os mercados asiáticos.
“O Mercosul deixou de ser uma prioridade (para a UE). Estamos num cenário complicado. Sem acordo multilateral e sem perspectiva de acordos bilaterais”, afirma.
A sorte do setor agrícola, diz Donizeti, é que a economia mundial está crescendo e há muita demanda por produtos agrícolas. A projeção da CNA é de exportações de US$ 55 bilhões este ano, 12% a mais do que no ano passado.
“No curto prazo vamos continuar exportando mesmo com um mercado muito protegido, porque o mundo está crescendo e precisa de produtos agrícolas. Mas poderíamos estar crescendo muito mais se as tarifas fossem mais baixas, se os subsídios fossem reduzidos”, afirma.
O setor agrícola seria o principal ganhador da Rodada Doha, já que o agronegócio brasileiro é considerado competitivo em termos internacionais e somente alguns setores específicos poderiam sofrer com a competição externa.
Indústria
Para o setor industrial, a situação é menos definida. Alguns setores ganham com a abertura, mas outros passam a sofrer a concorrência dos produtos importados e podem até se tornar inviáveis.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) diz que o Brasil agora deve se concentrar numa agenda de negociações bilaterais com poucos blocos e países.
O presidente do Conselho de Integração Internacional, Osvaldo Douat, cita Estados Unidos, União Européia, México, África do Sul e Conselho de Cooperação do Golfo (grupo de países árabes que inclui Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos), além da criação de um área de livre comércio latino-americana.
“Temos que priorizar uma nova agenda, focando em poucos países que possam dar bons resultados”, afirma.
André Nassar, do Ícone, afirma que o governo acertou ao dar prioridade às negociações na OMC, mas errou ao não preparar o país para negociações bilaterais caso elas dessem errado.
“Não tem a menor condição de o governo chegar agora para a sociedade e dizer que mudou tudo e alguns setores industriais vão ter que reduzir fortemente as tarifas de alguns setores”, afirma Nassar.
Nassar diz que, enquanto numa negociação multilateral é possível reduzir as tarifas de importação sem a necessidade de levá-las a zero, numa negociação bilateral os dois lados têm que se comprometer com uma abertura mais forte.
“No bilateral é preciso fazer uma abertura de verdade, levando boa parte das tarifas de importação para zero”, afirma.
O fracasso das negociações para retomar a Rodada de Doha de liberalização do comércio mundial deixa o Brasil de volta à estaca zero na busca pela ampliação de mercados. Com a interrupção das discussões multilaterais, a negociação de acordos bilaterais se torna a única opção para incrementar de forma substancial o comércio exterior, na avaliação de entidades que representam exportadores.
O governo brasileiro – assim como os exportadores – sempre preferiu as negociações multilaterais, na Organização Mundial do Comércio (OMC), por ser a única via para acabar com os subsídios agrícolas, a principal reivindicação brasileira.
Mas tanto exportadores agrícolas como industriais afirmam que o governo errou ao apostar nas negociações multilaterais como única alternativa, sem continuar com as conversas bilaterais para o caso de a Rodada Doha fracassar.
“O Brasil agora é jogado nas negociações bilaterais sem que isso tenha feito parte de sua estratégia”, diz o presidente do Instituto de Estudos em Comércio e Negociações Internacionais (Ícone), André Nassar.
“Nós apostamos tudo (na OMC) e agora estamos sem nada”, afirma o coordenador de Comércio Exterior da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antonio Donizeti. “Sempre entendem que essas negociações deviam ser simultâneas.”
Mercosul X União Européia
Para Donizeti, mesmo que as negociações entre o Mercosul e a União Européia forem retomadas, o Mercosul fica numa posição mais fragilizada, porque os europeus já voltaram o foco para os mercados asiáticos.
“O Mercosul deixou de ser uma prioridade (para a UE). Estamos num cenário complicado. Sem acordo multilateral e sem perspectiva de acordos bilaterais”, afirma.
A sorte do setor agrícola, diz Donizeti, é que a economia mundial está crescendo e há muita demanda por produtos agrícolas. A projeção da CNA é de exportações de US$ 55 bilhões este ano, 12% a mais do que no ano passado.
“No curto prazo vamos continuar exportando mesmo com um mercado muito protegido, porque o mundo está crescendo e precisa de produtos agrícolas. Mas poderíamos estar crescendo muito mais se as tarifas fossem mais baixas, se os subsídios fossem reduzidos”, afirma.
O setor agrícola seria o principal ganhador da Rodada Doha, já que o agronegócio brasileiro é considerado competitivo em termos internacionais e somente alguns setores específicos poderiam sofrer com a competição externa.
Indústria
Para o setor industrial, a situação é menos definida. Alguns setores ganham com a abertura, mas outros passam a sofrer a concorrência dos produtos importados e podem até se tornar inviáveis.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) diz que o Brasil agora deve se concentrar numa agenda de negociações bilaterais com poucos blocos e países.
O presidente do Conselho de Integração Internacional, Osvaldo Douat, cita Estados Unidos, União Européia, México, África do Sul e Conselho de Cooperação do Golfo (grupo de países árabes que inclui Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos), além da criação de um área de livre comércio latino-americana.
“Temos que priorizar uma nova agenda, focando em poucos países que possam dar bons resultados”, afirma.
André Nassar, do Ícone, afirma que o governo acertou ao dar prioridade às negociações na OMC, mas errou ao não preparar o país para negociações bilaterais caso elas dessem errado.
“Não tem a menor condição de o governo chegar agora para a sociedade e dizer que mudou tudo e alguns setores industriais vão ter que reduzir fortemente as tarifas de alguns setores”, afirma Nassar.
Nassar diz que, enquanto numa negociação multilateral é possível reduzir as tarifas de importação sem a necessidade de levá-las a zero, numa negociação bilateral os dois lados têm que se comprometer com uma abertura mais forte.
“No bilateral é preciso fazer uma abertura de verdade, levando boa parte das tarifas de importação para zero”, afirma.