Kennedy Alencar, Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu erros na última semana ao comentar o envolvimento do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, na Operação Xeque-Mate. Transmitiu a imagem de político bastante incomodado quando atingido por uma investigação da PF (Polícia Federal).
A primeira reação pública de Lula foi correta, elogiável até. Em viagem à Índia, disse na manhã de 5 de junho que tinha carinho "extraordinário" pelo irmão, que não acreditava no envolvimento dele com a máfia dos caça-níqueis, mas que, se a PF tinha indício de algum crime, "paciência". Vavá deveria ser investigado como qualquer um dos outros 190 milhões de brasileiros. Lula cumpriu bem o papel de irmão e de presidente.
Viajou para a Alemanha e se negou a tratar do assunto enquanto não voltasse ao Brasil. Nesse período, grampos que se tornaram públicos revelaram que Vavá tinha, sim, tentado traficar influência no governo do irmão. Se teve sucesso, é outra história. A simples tentativa, diz a PF, é crime. E, portanto, algo grave em se tratando de quem se tratava.
Na última segunda-feira, dia 11, Lula reuniu seus principais ministros e discutiu medidas para evitar o que se chamou no encontro de "abusos" da PF. Até aí, tudo bem. É correta a exigência de que a polícia não atropele direitos e garantias individuais em suas apurações. Se atropelar, deve responder por isso.
Lula, porém, começou a se queixar pública e reservadamente da PF e da imprensa. Na quarta, disse que não via nada "de bonito na imprensa brasileira. Na quinta, saiu-se com essa: "Quem viaja muito o mundo às vezes volta decepcionado com a imagem que se cria do Brasil lá fora. Aliás, eu acho que o Brasil é o único país em que os brasileiros viajam para fora e falam mal do Brasil. Você não vê um suíço falar mal da Suíça, você não vê um italiano falar mal da Itália, mas os brasileiros adoram falar [mal]". Bobagem pura.
Na terça-feira à noite, dia 12, voltou a comentar o envolvimento do irmão. Defendeu-o novamente, insistindo na tese de que não tinha capacidade para lobista --um lambari em meio a pintados. Nessa entrevista, queixou-se dos vazamentos, atribuindo-os única e exclusivamente à PF.
O tom emocional dos últimos dias, bem diferente do adotado em Nova Déli, é evidência de que Lula sentiu o golpe. O presidente teme que Vavá possa lhe trazer ainda muita dor de cabeça. Há ainda muita coisa mal contada nessa história.
Renan preocupa
Há discreta preocupação no Palácio do Planalto em relação à situação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Interessa a Lula um Renan algo enfraquecido. Mas não interessa ao presidente a queda do peemedebista.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu erros na última semana ao comentar o envolvimento do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, na Operação Xeque-Mate. Transmitiu a imagem de político bastante incomodado quando atingido por uma investigação da PF (Polícia Federal).
A primeira reação pública de Lula foi correta, elogiável até. Em viagem à Índia, disse na manhã de 5 de junho que tinha carinho "extraordinário" pelo irmão, que não acreditava no envolvimento dele com a máfia dos caça-níqueis, mas que, se a PF tinha indício de algum crime, "paciência". Vavá deveria ser investigado como qualquer um dos outros 190 milhões de brasileiros. Lula cumpriu bem o papel de irmão e de presidente.
Viajou para a Alemanha e se negou a tratar do assunto enquanto não voltasse ao Brasil. Nesse período, grampos que se tornaram públicos revelaram que Vavá tinha, sim, tentado traficar influência no governo do irmão. Se teve sucesso, é outra história. A simples tentativa, diz a PF, é crime. E, portanto, algo grave em se tratando de quem se tratava.
Na última segunda-feira, dia 11, Lula reuniu seus principais ministros e discutiu medidas para evitar o que se chamou no encontro de "abusos" da PF. Até aí, tudo bem. É correta a exigência de que a polícia não atropele direitos e garantias individuais em suas apurações. Se atropelar, deve responder por isso.
Lula, porém, começou a se queixar pública e reservadamente da PF e da imprensa. Na quarta, disse que não via nada "de bonito na imprensa brasileira. Na quinta, saiu-se com essa: "Quem viaja muito o mundo às vezes volta decepcionado com a imagem que se cria do Brasil lá fora. Aliás, eu acho que o Brasil é o único país em que os brasileiros viajam para fora e falam mal do Brasil. Você não vê um suíço falar mal da Suíça, você não vê um italiano falar mal da Itália, mas os brasileiros adoram falar [mal]". Bobagem pura.
Na terça-feira à noite, dia 12, voltou a comentar o envolvimento do irmão. Defendeu-o novamente, insistindo na tese de que não tinha capacidade para lobista --um lambari em meio a pintados. Nessa entrevista, queixou-se dos vazamentos, atribuindo-os única e exclusivamente à PF.
O tom emocional dos últimos dias, bem diferente do adotado em Nova Déli, é evidência de que Lula sentiu o golpe. O presidente teme que Vavá possa lhe trazer ainda muita dor de cabeça. Há ainda muita coisa mal contada nessa história.
Renan preocupa
Há discreta preocupação no Palácio do Planalto em relação à situação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Interessa a Lula um Renan algo enfraquecido. Mas não interessa ao presidente a queda do peemedebista.