Tribuna da Imprensa
A estratégia do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para desmontar as novas denúncias contra ele começou na noite de quinta-feira, invadiu a madrugada e se estendeu ao longo da reunião do Conselho de Ética, ontem. Acuado pela oposição e sem o apoio integral de aliados, o peemedebista apelou para questões pessoais e tentou administrar politicamente a situação.
"Não vou desonrar o Senado e lutarei até o fim", teria prometido a senadores do PT, PMDB e PSB, a quem entregou nova documentação. Mas para não correr riscos e ser derrotado, preferiu recuar e aceitar as condições dos oposicionistas.
Alegando que tem sangrado há 21 dias e, portanto, mais quatro dias - até terça-feira quando haverá nova reunião do Conselho - não farão diferença, Renan disparou pelo menos dez telefonemas ao líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), que participava da reunião do Conselho de Ética.Por duas vezes, pela manhã, Renan saiu de seu gabinete na presidência do Senado e partiu para o corpo-a-corpo. Por volta de 9 horas, já estava com senadores do PT e do PSB. Nesse encontro manteve a estratégia de realizar a votação, calculando que tinha votos suficientes para arquivar o processo.
Um senador sugeriu que saísse pelos fundos da sala para evitar o batalhão de jornalistas. "Deixa comigo", disse Renan recusando a oferta. Terminado esse périplo, Renan foi para seu gabinete e convocou partidários do PMDB e o relator do processo, senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Uma nova avaliação foi feita e o senador José Sarney (PMDB-MA) insistiu, ao telefone, no desfecho rápido para não expor ainda mais o presidente do Senado.
De cabeça erguida e economizando declarações, Renan saiu novamente e percorreu os corredores do Senado em meio ao tumulto e o nervosismo de senadores. A terceira reunião foi com a oposição. No gabinete do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), conversou com representantes do PSDB e do DEM. Os senadores Jefferson Péres (PDT-AM) e Demóstenes Torres (DEM-GO) se recusaram a participar desse encontro.
Os apelos aos senadores começaram na véspera. De sua residência disparou telefonemas até as 3 horas da madrugada, quando também conseguiu reunir nova documentação. "Renan tem se mostrado muito seguro e tranqüilo", resumiu o senador Renato Casagrande (PSB-ES), que falou com Renan por volta de 22 horas de quinta-feira.
Renan repetiu a todos os interlocutores que, em 180 anos do Senado, ninguém havia sentado na cadeira de presidente para expor problemas pessoais. "Estão querendo me enfraquecer", desabafou numa alusão a adversários políticos de Alagoas.
Uma reunião reservada dos integrantes do Conselho de Ética com o presidente do Senado chegou a ser cogitada, mas não prosperou por resistência de senadores do PSDB que foram consultados. O senador Renato Casagrande contou que, em nenhum momento, Renan pressionou os aliados, mesmo estando no centro do furacão.
De seu gabinete, o presidente do Senado avaliou que a segurança para aprovar o relatório de Cafeteira já não era a mesma da manhã, sobretudo depois que Casagrande e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) defenderam o adiamento. Mesmo se vencesse, entendeu que isso não estancaria a crise nem responderia as novas denúncias. Pior, se insistisse na estratégia de votar poderia perder mais votos.
A saída foi recuar e tentar, até terça-feira, encontrar uma saída política negociada com a oposição. Terminada a reunião do Conselho, Renan Calheiros saiu para almoçar um risoto de carneiro em sua residência, ao lado da mulher Verônica.
Advogado
Durante toda a reunião do Conselho ontem, e na qual a ausência do Corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), foi sentida, o líder do governo, Romero Jucá, mais parecia advogado de defesa do presidente do Senado. "O senador Renan e nós estamos absolutamente tranqüilos", avisou Jucá logo na abertura da reunião, pouco depois das 11 horas.
Com papéis nas mãos, que nem o presidente do Conselho de Ética, Siba Machado (PT-AC), chegou a ver, Jucá fez uma defesa quase que apaixonada de Renan e assegurou que os documentos comprovavam todas as operações legais feitas pelo peemedebista com venda de gado comprovada por cheques, depósitos, vacinas contra aftosa e guias de trânsito animal (GTAs).
A estratégia do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para desmontar as novas denúncias contra ele começou na noite de quinta-feira, invadiu a madrugada e se estendeu ao longo da reunião do Conselho de Ética, ontem. Acuado pela oposição e sem o apoio integral de aliados, o peemedebista apelou para questões pessoais e tentou administrar politicamente a situação.
"Não vou desonrar o Senado e lutarei até o fim", teria prometido a senadores do PT, PMDB e PSB, a quem entregou nova documentação. Mas para não correr riscos e ser derrotado, preferiu recuar e aceitar as condições dos oposicionistas.
Alegando que tem sangrado há 21 dias e, portanto, mais quatro dias - até terça-feira quando haverá nova reunião do Conselho - não farão diferença, Renan disparou pelo menos dez telefonemas ao líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), que participava da reunião do Conselho de Ética.Por duas vezes, pela manhã, Renan saiu de seu gabinete na presidência do Senado e partiu para o corpo-a-corpo. Por volta de 9 horas, já estava com senadores do PT e do PSB. Nesse encontro manteve a estratégia de realizar a votação, calculando que tinha votos suficientes para arquivar o processo.
Um senador sugeriu que saísse pelos fundos da sala para evitar o batalhão de jornalistas. "Deixa comigo", disse Renan recusando a oferta. Terminado esse périplo, Renan foi para seu gabinete e convocou partidários do PMDB e o relator do processo, senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Uma nova avaliação foi feita e o senador José Sarney (PMDB-MA) insistiu, ao telefone, no desfecho rápido para não expor ainda mais o presidente do Senado.
De cabeça erguida e economizando declarações, Renan saiu novamente e percorreu os corredores do Senado em meio ao tumulto e o nervosismo de senadores. A terceira reunião foi com a oposição. No gabinete do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), conversou com representantes do PSDB e do DEM. Os senadores Jefferson Péres (PDT-AM) e Demóstenes Torres (DEM-GO) se recusaram a participar desse encontro.
Os apelos aos senadores começaram na véspera. De sua residência disparou telefonemas até as 3 horas da madrugada, quando também conseguiu reunir nova documentação. "Renan tem se mostrado muito seguro e tranqüilo", resumiu o senador Renato Casagrande (PSB-ES), que falou com Renan por volta de 22 horas de quinta-feira.
Renan repetiu a todos os interlocutores que, em 180 anos do Senado, ninguém havia sentado na cadeira de presidente para expor problemas pessoais. "Estão querendo me enfraquecer", desabafou numa alusão a adversários políticos de Alagoas.
Uma reunião reservada dos integrantes do Conselho de Ética com o presidente do Senado chegou a ser cogitada, mas não prosperou por resistência de senadores do PSDB que foram consultados. O senador Renato Casagrande contou que, em nenhum momento, Renan pressionou os aliados, mesmo estando no centro do furacão.
De seu gabinete, o presidente do Senado avaliou que a segurança para aprovar o relatório de Cafeteira já não era a mesma da manhã, sobretudo depois que Casagrande e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) defenderam o adiamento. Mesmo se vencesse, entendeu que isso não estancaria a crise nem responderia as novas denúncias. Pior, se insistisse na estratégia de votar poderia perder mais votos.
A saída foi recuar e tentar, até terça-feira, encontrar uma saída política negociada com a oposição. Terminada a reunião do Conselho, Renan Calheiros saiu para almoçar um risoto de carneiro em sua residência, ao lado da mulher Verônica.
Advogado
Durante toda a reunião do Conselho ontem, e na qual a ausência do Corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), foi sentida, o líder do governo, Romero Jucá, mais parecia advogado de defesa do presidente do Senado. "O senador Renan e nós estamos absolutamente tranqüilos", avisou Jucá logo na abertura da reunião, pouco depois das 11 horas.
Com papéis nas mãos, que nem o presidente do Conselho de Ética, Siba Machado (PT-AC), chegou a ver, Jucá fez uma defesa quase que apaixonada de Renan e assegurou que os documentos comprovavam todas as operações legais feitas pelo peemedebista com venda de gado comprovada por cheques, depósitos, vacinas contra aftosa e guias de trânsito animal (GTAs).