Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo
A Justiça no Brasil é tão rudimentar, que se pode dizer sobre ela o mesmo que se diz sobre um rebanho no pasto: o que engorda o gado é o olho do dono.
No caso, o olho é a imprensa e o dono é a opinião pública. No que saiu da vitrine do espetáculo, qualquer processo contra peixe grande tende a morrer na praia.
Enquanto Vavá, irmão de Lula, vai para as manchetes, Renan Calheiros vai ficando ali no lusco-fusco, parecendo até mais bonzinho. O foco em Renan já dera uma aliviada no tiroteio sobre Zuleido e os vários suspeitos, públicos e privados, do caso Gautama – todos aos poucos ficando livres de suas algemas e voltando à vida normal.
E o melhor de tudo (para eles) é que a memória pública é fraca e a grana privada é forte.
A palha dos escândalos lambe alto, mas queima rápido. A perícia dos advogados bem pagos e as incríveis conexões dos réus são muito menos barulhentas – e muito mais duradouras. O que houve com o ministro do Superior Tribunal de Justiça acusado de vender sentenças a favor dos bingos?
A Justiça no Brasil é tão rudimentar, que se pode dizer sobre ela o mesmo que se diz sobre um rebanho no pasto: o que engorda o gado é o olho do dono.
No caso, o olho é a imprensa e o dono é a opinião pública. No que saiu da vitrine do espetáculo, qualquer processo contra peixe grande tende a morrer na praia.
Enquanto Vavá, irmão de Lula, vai para as manchetes, Renan Calheiros vai ficando ali no lusco-fusco, parecendo até mais bonzinho. O foco em Renan já dera uma aliviada no tiroteio sobre Zuleido e os vários suspeitos, públicos e privados, do caso Gautama – todos aos poucos ficando livres de suas algemas e voltando à vida normal.
E o melhor de tudo (para eles) é que a memória pública é fraca e a grana privada é forte.
A palha dos escândalos lambe alto, mas queima rápido. A perícia dos advogados bem pagos e as incríveis conexões dos réus são muito menos barulhentas – e muito mais duradouras. O que houve com o ministro do Superior Tribunal de Justiça acusado de vender sentenças a favor dos bingos?
Sua provável impunidade não vai doer nada nos brasileiros. Eles nem lembram o nome do cidadão. Tiveram de abandonar essa novela para acompanhar a do Zuleido, que saiu do ar para dar lugar à do Renan, que perdeu ibope para a do Vavá, e assim por diante.
O Brasil está adorando o show da Polícia Federal. Mas é curioso que a Operação Xeque-Mate, que respingou no irmão do presidente, apresenta a suposta desmontagem de uma máfia dos caça-níqueis, envolvida com contrabando e exploração dessas máquinas em vários estados. E que fim levou a Operação Ouro de Tolo? Ela era um clone da Xeque-Mate, exatamente com o mesmo propósito, e fez também um barulhão com o envolvimento de autoridades no escândalo. Há alguma autoridade presa? Algum figurão punido?
Não. Estão todos vivendo bem, a exemplo do fiscal de Fazenda Rodrigo Silveirinha, do Propinoduto, do desembargador Ricardo Regueira, da Operação Hurricane, da diretora da Gautama Fátima Palmeira, da Navalha, e grande elenco.
Os brasileiros não têm culpa. Como querem que eles acompanhem duas novelas ao mesmo tempo? Seria o mesmo que exigir do público, em plena trama em torno de Antenor, atenção com a punição dos assassinos de Lineu. Quem foi Lineu? Ora, vão pesquisar.
Vai uma dica: ambos são filhos de Gilberto Braga. Aliás, as operações da PF parecem também ser todas filhas de Gilberto Braga. Sai uma, entra outra, e a vida vai seguindo em ritmo de folhetim. Clone, Terra Nostra, Big Brother… Programas de TV? Não, operações da Polícia Federal. É criativa, a turma do FBI tropical.
A PF não tem culpa. Apenas se moldou à cultura nacional do escândalo espetacular, ou do espetáculo escandaloso. Por isso o Brasil é monotemático. Não dá para a coletividade se escandalizar com várias coisas ao mesmo tempo. Não dá para acompanhar Antenor e se preocupar com Lineu. Uma novela de cada vez.
Policiais, procuradores e juízes ficam felizes e consideram missão cumprida quando põem algemas num peixe graúdo e ganham as manchetes. Aí vão escrever a trama seguinte. E quando a novela anterior sai do ar, como se sabe, a investigação pára.
Talvez esteja aí a solução. Estiquem as novelas. Façam como na época de “Irmãos coragem”, quando os folhetins duravam mais de um ano. Quem sabe aí dá tempo de punir alguém de verdade.
A alternativa é discutir em mesa de bar se a Operação Têmis era de Gilberto Braga e a Sanguessuga de Manoel Carlos. Ou vice-versa.