Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa
Pois é. Começou mal. Primeiro pelo festival de sorrisos e gargalhadas, quando a demissão de um ministro e a nomeação de outro deveu-se ao maior desastre aéreo de nossa história. Depois porque tanto o que saiu quanto o que entrou ignoram como comandar uma ordem unida, quanto mais o Ministério da Defesa. Acresce que Waldir Pires não merecia a lambança feita com ele. Trata-se de um homem sério, jurista reconhecido, político ético e administrador competente. Rejeitou a farsa de que teria pedido demissão, deixou claro ter sido demitido e não aceitou compensações. Volta para a Bahia.
Pois é. Começou mal. Primeiro pelo festival de sorrisos e gargalhadas, quando a demissão de um ministro e a nomeação de outro deveu-se ao maior desastre aéreo de nossa história. Depois porque tanto o que saiu quanto o que entrou ignoram como comandar uma ordem unida, quanto mais o Ministério da Defesa. Acresce que Waldir Pires não merecia a lambança feita com ele. Trata-se de um homem sério, jurista reconhecido, político ético e administrador competente. Rejeitou a farsa de que teria pedido demissão, deixou claro ter sido demitido e não aceitou compensações. Volta para a Bahia.
Quanto a Nelson Jobim, escorregou logo no dia da posse, ao enfatizar que o comando é dele. Ora, quem comanda de verdade carece dessa afirmação, ficando a dúvida sobre a quem se dirigia: aos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica?
Ao presidente da República? Aos trapalhões responsáveis pelo caos no tráfego aéreo? Para culminar, mais improvisos desastrados por parte do presidente Lula. Uma gafe atrás da outra, quando abandonou o texto preparado por seus auxiliares.
O País inteiro espera que dê certo. Afinal, não tem dado, desde a criação desse ministério faz-de-conta, com ênfase para o colapso dos aeroportos e das aeronaves comerciais.
E ficou pior ...
Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa
Comentamos ontem que começou mal a entrada de Nelson Jobim no Ministério da Defesa. As principais figuras do governo, a começar pelo presidente Lula, foram flagradas às gargalhadas, na solenidade de posse, esquecidas de que a substituição de Waldir Pires aconteceu por conta da morte de 200 pessoas, no maior desastre aéreo da história do País.
Depois, por conta de mais um festival de gafes, no improviso do chefe do governo. E também por certos conceitos emitidos pelo novo ministro, a respeito de ser ele quem comanda. Ora, se um comandante precisa enfatizar o óbvio será porque não se acha tão confiante assim no comando.
Pois se Jobim começou mal, no dia seguinte ficou pior. Foi grosseiro com os maiores prejudicados pelo caos no tráfego aéreo, os passageiros. Disse que se o preço da segurança nos vôos for o desconforto dos usuários, eles continuarão nas longas filas e em salas sem refrigeração. Ora, existem diversas formas de se pedir sacrifícios à população, mas essa, positivamente, não é a melhor.
O novo ministro também repetiu deselegantes afirmações, diante de seu antecessor. Na transmissão do cargo, Waldir Pires discursou, lamentando não ter podido cumprir todos os seus propósitos. Pois Jobim enfatizou que "a História não registra intenções, mas fatos", e depois acrescentou que um administrador "não se explica, deve agir ou sair"...
O já agora ex-ministro sempre foi um político de extrema educação e até candura. Inclui-se no rol dos homens éticos, honestos e competentes. Foi levado de roldão na atual crise, que não criou e nem lhe cabia atuar nos detalhes. Manteve sua dignidade, ao ponto de rejeitar qualquer compensação acenada pelo presidente Lula. Retirou-se para a Bahia. O Brasil inteiro espera sucesso por parte de Nelson Jobim, mas ele deve lembrar-se de que um dia deixará de ser ministro. Manterá a mesma arrogância?