Benayon volta a denunciar como Jobim, novo ministro da Defesa, beneficiou banqueiros credores na Constituinte
Por Jorge Serrão, Alerta Total
Por Jorge Serrão, Alerta Total
O novo Ministro da Defesa, escalado para exercer o cargo com autoridade forte, é o mesmo que, como presidente do Superior Tribunal Federal ficou conhecido como notório engavetador de processos polêmicos (como pedidos de vistas infindáveis, como foi o caso do que avaliaria se os bancos deveriam ser julgados pelo Código de Defesa do Consumidor).
Jobim também foi denunciado como o parlamentar constituinte que adulterou, de forma subreptícia, o texto da Constituição, para beneficiar os credores da dívida externa brasileira (leia-se, os grandes banqueiros que formam a Oligarquia Financeira Transnacional que manda no mundo).
Num trabalho espetacular de pesquisa, o economista Adriano Benayon e o professor de matemática da UnB Pedro Dourado Rezende conseguiram determinar qual foi a adulteração introduzida por Nelson Jobim à Constituição.
Vejam em:
http://paginas.terra.com.br/educacao/adrianobenayon/fraudeac.html
Nada custa lembrar um “tijolaço” assinado pelo falecido Leonel de Moura Brizola, então Presidente Nacional do PDT, publicado pelos jornais Folha de S. Paulo, O Globo, Extra, Zero Hora e Correio Braziliense, em 9 de outubro de 2003:A insólita revelação do sr. Nelson Jobim de que, na promulgação da constituição de 1988, ele próprio participou de uma fraude para introduzir no texto constitucional artigos que não foram votados pelos constituintes, deixa o hoje ministro do Supremo em posição ética e jurídica delicada, para não dizer insustentável, como integrante da mais alta corte constitucional deste país. Como pode alguém que deliberada e conscientemente violou, no nascedouro, a Carta Magna, ser agora aquele que vai julgar, no Supremo Tribunal Federal, as questões constitucionais?
O absurdo é maior ainda que Sua Excelência diz que não apenas um, mas dois artigos foram introduzidos na Constituição sem o voto daqueles que, legitimamente, tinham o poder de fazê-lo. E mais: numa atitude chocante, julga-se no direito de nem mesmo revelar qual foi o segundo enxerto que praticou, dizendo que só o fará em livro que irá lançar! O que pretende o sr. Ministro? Vender mais livros? O país e outros ministros do STF devem esperar o que mais de falso na Constituição?
Francamente, em qualquer país sério, um ministro do Supremo envolvido em tal episódio estaria, a esta altura, apresentando sua renúncia e pedindo desculpas ao país e à consciência jurídica. Alguém tem dúvidas de que seria assim nos EUA, na Inglaterra ou na França? Mas aqui o ministro Jobim ainda se julga no direito de pavonear-se, quase que afirmando que é graças à burla da qual participou que a Constituição aperfeiçoou-se!Depois desta revelação chocante, o que pensar dos escrúpulos do ministro Jobim em relação à verdade, ao rigor jurídico? Como pode a consciência nacional aceitar tais procedimentos?Pior, como alguém pode se sentir seguro quando Sua Excelência foi, de forma ativa e exorbitante, o patrocinador da recente abolição dos sistemas de impressão que poderiam impedir as possibilidades de fraude na urna eletrônica? O PDT, depois desta revelação, mais que nunca sente-se no dever de impugnar a intervenção escandalosa do ministro, num processo que culminou com a revogação da única garantia de que nossas eleições não possam vir a ser eletronicamente fraudadas. Por muito menos, pela violação do sigilo do voto dos senadores, que é um nada perto da violação do próprio texto constitucional, vimos o processo de condenação pública que se abateu sobre seus responsáveis, que os levou até a renúncia.
A violação cometida pelo sr. Jobim é de natureza muito mais grave, porque alterou o próprio texto da Constituição em vigor, a cujo cumprimento todos se obrigam. Ou a pretensão de Sua Excelência é tanta que se julga acima da ética e da lei, e que ter fraudado a Constituição deve ser algo impune apenas porque o fraudador é ele próprio? Se as instituições políticas e jurídicas deste país aceitarem que isto fique sem conseqüências, então estarão estimuladas as práticas de todo tipo de fraudes, porque nenhuma poderá ser maior que a que se fez contra a Lei das Leis.
Escolha questionável
Na Aeronáutica, Força que será diretamente afetada pela presença de Jobim, um importante interlocutor, que pediu para não ser identificado, revelou ao jornal GLOBO que o novo ministro não tem trânsito nas Forças Armadas.
Na Aeronáutica, Força que será diretamente afetada pela presença de Jobim, um importante interlocutor, que pediu para não ser identificado, revelou ao jornal GLOBO que o novo ministro não tem trânsito nas Forças Armadas.
E nem experiência no setor aéreo, requisitos que ele considera essenciais para que o novo ministro tenha sucesso em sua gestão.
“Não é ninguém da área, que entenda de Defesa, e não tem trânsito nas Forças Armadas”.
Tudo como dantes...
O interlocutor da Aeronáutica não acredita que a escolha de Jobim possa resolver a crise aérea e chegou a dizer que ela provocou um grande desânimo no meio militar.
“Não empolga. Não tem a expectativa de que as coisas possam melhorar. Ele até pode surpreender e fazer uma boa administração, mas não é a expectativa. Ele nunca atuou na Defesa, não tem conhecimento específico, não tem trânsito entre os militares. Dá um desânimo, como se fosse um giro de 360 graus”.