quarta-feira, agosto 01, 2007

Ministra gasta só com aluguel de carros R$ 67 mil

A farra do governo em gastos com cartões corporativos não se resume apenas ao poder ilimitado dos ecônomos da Presidência da República. Matilde Ribeiro, titular da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, com status de ministra, também tem um Cartão de Pagamento do Governo Federal. É com ele que Matilde gastou cerca de R$ 67 mil só com aluguel de carros da empresa Localiza - do total de R$ 112.716,51 calculado até ontem no Portal da Transparência.

Os outros gastos da ministra são feitos de restaurantes e hotéis em viagens pelo interior do Brasil. Em junho, Matilde levantou polêmica à frente da secretaria numa declaração infeliz a emissora de rádio britânica. Encarregada pelo governo de erradicar a praga do racismo, declarou que negros têm o direito de ser racistas com descendentes de brancos, pois seus ancestrais foram açoitados nos tempos da escravidão. Teve que explicar-se.

De acordo com a assessoria da ministra, o serviço prestado pela empresa Localiza refere-se "aos deslocamentos oficiais em diferentes localidades do país (capitais e cidades de médio e pequeno porte) e viagens para comunidades quilombolas (algumas delas distantes a 4 horas da cidade-pólo ou capital) com serviço de motorista".

O argumento não explica elevadas despesas com aluguel de carros com faturas emitidas em um só dia. Em 23 de maio, a localiza emitiu 10 recibos num total de R$ 12.971,43 - uma média de R$ 1.200 de gasto por dia com veículos. O aluguel diário de um carro novo sai, em média, a R$ 150/dia, com tanque cheio. A assessoria justificou as despesas no período de 22 e 23 de maio como faturas emitidas para compromissos em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre por razão de agendas da ministra nessas quatro capitais. "Nesses casos, tivemos problemas de queda de linha para execução do pagamento, limite de crédito e sistema da operadora do cartão de crédito fora do ar. Como a ministra utiliza costumeiramente o serviço da empresa, os pagamentos foram concentrados nas datas de 22 e 23 de maio de 2007, apesar das notas fiscais terem sido emitidas na data de geração da despesa", informou a assessoria.

Gastos milionários são os da fechada Agência Brasileira de Inteligência (Abin), rescaldo do Serviço Nacional de Informação (SNI), criado durante o regime militar. É a campeã de gastos neste ano. Foram R$ 6.962.390. Continua blindada por lei a não divulgar o destino das verbas. Cabe à Abin monitorar a segurança das autoridades do Planalto e avaliar situações de risco que possam colocar em xeque a segurança nacional. Tem como alvos principais, por exemplo, os sindicatos e movimentos como o dos sem-terra. Mesmo assim, não conseguiu impedir a invasão da usina de Tucuruí, no Pará, em junho, quando famílias entraram e acamparam em áreas estratégicas da unidade, que fornece energia para a região nordeste do país. (L.M.)