quarta-feira, agosto 01, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

O PLANALTO APOSTA NA DIVISÃO DA SOCIEDADE...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

O grande erro que governantes obtusos cometem, é acharem que o povo os vê como tal eles próprios se imaginam.

Numa sociedade como brasileira, onde o nível educacional da população além de baixo é de má qualidade em sua grande maioria, a elite política, seja de que nível for, sempre apostou nesta baixa formação, além de acreditar que a falta de acesso à informação, era porteira aberta para seus desmandos.

Ao longo da nossa história, esta escória sempre se colocou no pedestal dos “glorificados”. Eles eram a primeira classe: o povo, ah, este “povo ignorante”, nasceram para nos servir.

Quando se diz que a escravidão no Brasil terminou em um 13 de maio de 1888, sempre digo que a Lei Áurea não exterminou a escravidão: trocamos um tipo de escravidão por outro. Acrescentamos à escravidão existente, a servidão econômica, existencial.

Com raríssimas exceções, grande parte da elite econômica que se formou no Brasil nos últimos 100 anos, advém da elite política. Muita fortuna se formou a partir desta “dependência” econômica criada entre os políticos e governantes com o restante da nação.

É por isso que talvez a turma do Planalto e os que a ela se acham aliados e acumpliciados, não se deram conta de que as vaias que pipocaram contra Lula no Maracanã, na Bahia, Fortaleza, Campo Grande, Aracajú, Natal e Cuiabá, além dos protestos que vimos em São Paulo, não se tratam de movimentos isolados, nem tampouco protestos específicos dirigidos ao presidente do país. Lula, pouco a pouco, está sendo visto como um “deles”, aqueles que o povo se acostumou a entender como “políticos”, classe de larápios que já encheu todas as medidas de safadezas e bandalheiras cujo limite do suportável já estourou faz tempo.

Foi preciso haver duas tragédias aéreas, com cerca de 350 mortos, para a sociedade brasileira se dar conta de que o próximo podemos ser nós, nossos familiares, amigos, vizinhos. Ninguém, nesta selva de absurdos instaladas na política brasileira, está livre de ser atingido, de sofrer, de ser a próxima vítima. E quando o que está em jogo é a nossa sobrevivência., o ser humano perde um pouco da sua racionalidade, ou de seu comportamento passivo, e passa a atentar desvencilhar-se das tragédias. Trata de buscar imunização. E é justamente isto que se está assistindo.

Claro que a elite política passa a ser todo e qualquer deputado, vereador, senador, prefeito, governador e até o presidente. Todos são políticos, todos são iguais na bestialidade. E é contra eles que o povo se volta e nada mais representativo de toda a classe do que aquele que prometia ética e moralidade, e que ao chegar ao poder, trouxe mais lama, mais pilantragem, mais roubalheira, mais corrupção. O presidente, neste caso, passa a ser o canal condutor sobre o qual se despejará a repulsa e a indignação nacionais. Gostem os petistas ou não.

Claro que o Planalto está preocupado e tratará de colocar freios nos movimentos que se desenham à sua frente. Como, por exemplo a CUT. A informação a seguir é da Folha de São Paulo:

Contra "Cansei", CUT lança "Cansamos"
Da Folha de S.Paulo

"Como o Palácio do Planalto desejava, começaram a aparecer reações "espontâneas" contra o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o já conhecido "Cansei", -que se uniu a outros grupos no em ato de protesto no último fim de semana, em São Paulo. Ontem, o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique, disparou e-mail para várias centrais sindicais propondo a realização da campanha "Cansamos!". É uma reação direta ao "Cansei".

O "Cansei" se diz apolítico, mas seus idealizadores são identificados com o PSDB. Já a CUT é a mais tradicional central sindical petista. O "Cansamos!" também pretende ser apartidário, mas usará claramente o mote dos adversários. "A campanha será veiculada em nossas páginas de internet, em jornais impressos e programas de rádio de que dispomos", diz Artur Henrique no e-mail.

O "Cansei" está na pauta da reunião de hoje da Executiva Nacional do PT. "Temos que ter tranqüilidade, não aceitar esse tipo de provocação e nem alavancar esse movimento cujo patrono deve ser a Haddock Lobo ou a Oscar Freire", diz Ricardo Berzoini, presidente do PT, referindo-se a ruas de bairro nobre da capital paulista
."

De seu lado, Lula também já demonstra em seus discursos que o movimento de protestos começa a atingir seu ego, mesmo que ele tente demonstrar que as vaias não o estão atingindo. A verdade é que estão n a medida em que Lula começa a fazer referências em suas falas.

O Lula chamou de "insanos" os manifestantes que o vaiaram durante lançamento de uma obra do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). "Os que estão vaiando deveriam estar aplaudindo porque ganharam muito dinheiro no meu governo. As vaias e críticas ao meu governo são insanas", declarou o presidente.Lula ainda fez uma ironia em relação às pessoas que o vaiaram. "Vocês são tão poucos que não podem nem formar um time de futebol de salão", disse o petista. No entanto, o presidente afirmou que não se incomoda com protestos."Deus fez o homem perfeito, com duas orelhas, uma para ouvir as vaias e a outra pra ouvir aplausos", declarou Lula.

Esquece, porém, de que as vaias estão partindo de professores, servidores públicos, e até da turma do MST. Não se trata mais de “elite” branca, não se trata mais de armação do prefeito do Rio, como também não cola a tolice de dizer que os que protestam ganharam muito dinheiro em seu governo. Papo furado. Os banqueiros e as empreiteiras, tanto quanto se saiba, estão muito satisfeitos com Lula no Poder, e se mantém distantes de qualquer protestos. Mas os governantes, para est6es o dinheiro que o poder lhes proporciona tem o dom de roubar-lhe qualquer coerência, e de até apagar o passado de disputas e divergência político partidárias. Este é o caso do prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB-MT), que tentou impedir um protesto que seria realizado contra o presidente Lula. Dirigindo-se ao petista, o prefeito disse que não aceita a manifestação porque tratava-se do lançamento de uma obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na cidade. Ou em outras palavras, tratava-se de dinheiro gordo jorrando de Brasília, mesmo que o anúncio seja por enquanto apenas um anúncio. No Brasil, se sabe, uma coisa é anunciar ou prometer liberar para esta ou aquela cidade ou estado milhões de reais, outra bem diferente, principalmente no governo Lula, é a liberação efetiva da dinheirama.

Ainda Cuiabá, fica a marca da grande preocupação dos chegados a Lula para que as vaias ficam o mais distante possível do presidente. Além de demonstrar muito claramente que o Bolsa-Família se trata sim de um programa assistencialistas com fins eleitoreiros. Ainda na visita a Cuiabá, aliás como tem sido praxe por onde Lula tem passado, O PT recrutou beneficiários do Bolsa Família em Cuiabá para aplaudir Lula. Para ter acesso ao local, bastou apresentar o cartão do programa. Blindado ontem no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá (PT), Lula diagnosticou que tem duas orelhas, "uma para escutar vaias, outra para aplausos". Mas dois olhos para ver o que se passa no governo, que é bom...

Portanto, por mais que Lula tente conter o movimento de repulsa que se observa espalhar-se de norte a sul, ele ainda precisará fazer algo que os seus quatro anos e meio no poder ainda não aconteceu: primeiro começar o país e acabar com a bagunça. Segundo, que seu governo comece a ser desinfetado dos vírus da ladroeira e corrupção. No go-gó, como tem sido o costume dele para enfrentar as crises passadas e prosseguir embromando e mistificando, acredito que não será mais possível. Lula precisa se dar conta que, toda a mentira, por mais colorida que seja, tem um prazo fixo de validade. E a dele já está se esgotando...