Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
O segundo mandato do senhor Luiz Inácio tem se caracterizado em copiar um modelito bastante usado pelos militares dos tempos da ditadura, que vigorou entre 1964 a 1985. E ainda de quebra, pediu que um certo marqueteiro “pesquisasse” um nome comercial, de fácil assimilação e que assim se tornasse bastante popular. Nasceu o PAC.
De janeiro para cá, tivemos muitos pacs. Um monte deles e se diz que virão outros mais. A cada pac lançado, a gente aqui faz uma análise rigorosa daquilo que é projeto possível de se executar, e o do que é apenas uma quimera, um chute na realidade para engordar os pacs diante dos olhos e ouvidos do povão. “Viram, agora vai”.
Bem, ontem no Jornal Nacional da Rede Globo, foi revelado o resultado de uma pesquisa feita pela Universidade Federal Fluminense, cujos dados desfazem a associação negativa entre elite e privilégios e mostram que os mais instruídos têm os valores mais democráticos.
O resultado está no livro ‘A cabeça do brasileiro’. Os números revelam que a escolaridade é o que separa o Brasil moderno do arcaico. A pesquisa foi feita com um universo de 2,3 mil pessoas. (clique aqui para acessar o vídeo do JN)
Uma das questões, era se concordavam com a frase:
"Se alguém é eleito para um cargo público, deve usá-lo em benefício próprio."
Resultado:
Analfabetos - 40%
Até a 4° série - 31%
Da 5° à 8º série - 17%
Ensino médio - 5%
Superior - 3%
A pesquisa aponta que “(...) O resultado da pesquisa abriu um debate sobre a avaliação que se pode fazer da elite brasileira. A palavra elite muitas vezes é usada de maneira depreciativa, como sinônimo de privilégio, de falta de espírito público. Existem várias elites - a elite econômica, por exemplo. O que a pesquisa apontou é que a elite educacional, com maior escolaridade, é mais liberal politicamente, menos tolerante com a corrupção e mais moderna nas questões sociais(...)”.
Questionados sobre este resultado, o sociólogo Demetrio Magnoli e o educador Mário Sérgio Cortella, emitiram as seguintes opiniões:
“(...) Não é que exista um país moderno, mais liberal, menos tolerante à corrupção Centro-Sul e um outro país mais atrasado, mais anacrônico, no Nordeste. Na verdade os dois estão juntos, em todos os lugares do Brasil. Os dois estão juntos em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Pernambuco, em Brasília. Essa fronteira diz respeito ao acesso à educação”, explica Demétrio Magnoli, sociólogo(...)”.
“(...) Uma sociedade escolarizada, aquela que tem cada vez mais a elevação dos patamares de escolarização, é uma sociedade que ganha maior competência, maior repertório científico, maior consciência política e, portanto, maior capacidade de construir o futuro”, afirma o educador Mário Sérgio Cortella (...)”.
Isto vem de encontro a uma posição que defendo aqui faz tempo, a de que a sociedade brasileira só trafega no atraso e na “tolerância” e passividade em relação à certas ações públicas, porque seu universo é marcantemente caracterizado por uma educação deficiente ou até inexistente na maior parte de sua população. A educação adequada leva o indivíduo a ser mais participativo e mais crítico em relação ao Estado. E é nesta condição que ele naturalmente busca se informar melhor em tempo integral. Um dado em 2006 me chamou especial atenção e que agora vem corroborar pela pesquisa, a tese de que o governo que temos só acontece por uma razão: mais de 50% da população tem educação deficiente ou inexistente. E, sem dúvida, que mais de 70% dela não tem o menor acesso à informação qualificada. E isto é atestado por uma outra pesquisa em que se apontou que, 25% da população, jamais ouvira falar do escândalo dos sanguessugas. E o que não faltou foi divulgação ao longo de meses de exposição na mídia.
Assim, valendo-se desta realidade, quando o governo lança um plano de segurança prevendo investimentos até 2012 na ordem de R$ 6,7 bilhões, para os menos avisados, parece ser um plano estrondoso. Olhado mais de perto, e apoiado em informações sérias, o que se constata é que este PAC da segurança é, na verdade, ridículo. Vamos ver: a começar, é o terceiro plano de segurança de Lula em quatro anos e meio de governo. Depois, dos anteriores, as metas propostas ficaram muito aquém do previsto. Serve como exemplo o último, ainda quando o Ministério da Justiça estava com Márcio Bastos, em que se previa a construção de 5 penitenciárias de segurança máxima, e foi entregue apenas uma, e assim mesmo, já ao final do primeiro mandato. Outro dado: o montante de R$ 6,7 bilhões em 5 anos, é ridículo tanto pelas necessidades do país, quanto pelo que representa em termos de arrecadação federal. Aqui vou me socorrer da informação dada hoje pelo Jornalista Reinaldo Azevedo, em seu blog: apenas o Estado de São Paulo, em seu orçamento de 2007, investirá “(...) R$ 8.307.663.072. O governo federal está batendo bumbo porque promete investir, EM CINCO ANOS, 80,64% do que São Paulo gasta EM UM ANO (...)” .
Da mesma forma, o PAC da educação que prevê cerca de R$ 2,0 bilhões anuais. Ou seja, se somarmos tudo o que o governo federal arrecada em impostos arrancados da sociedade que trabalha e produz, e confrontarmos com o que este mesmo governo promete devolver na forma de investimentos, o saldo convenhamos é bastante negativo. Outro dado: o governo tanto agora, como já ocorrera no pac da Educação, prometeu um piso salarial a ser obtido até 2010. Quando se anuncia o piso, o período de tempo que se levará para ser alcançado quase fica escondido. Ocorre que se pagasse hoje o que promete pagar até 2010, ainda assim seria menos do que cada categoria, policiais e educadores, merecem.
Assim, é conclusivo afirmar que o governo com seus anúncios de planos mirabolantes está, na verdade, empacando e enganando a opinião pública, ou a parcela que menos estudos tem e menos informada se encontra.
A verdadeira revolução, o indispensável plano que livrará o povo brasileiro da escuridão é a educação como a pesquisa fluminense aponta. Ela nos libertará do jugo dos maus governantes e dos maus políticos que, à sombra da ignorância ou pouca educação, com retumbante desinformação como conseqüência, se valem para se beneficiar a si mesmos e legislar em seu próprio benefício para a manutenção não apenas de seus privilégios indecentes, mas de não terem que prestar contas de suas ações criminosas à Justiça. Outra coisa não se pode entender dos famosos “foros privilegiados” com que tentam se sustentar nos seus desregramentos morais e legais.
Deste modo, quando o governo Lula insiste nestas pantomimas de pac aqui, pac acolá, o melhor que se tem a fazer é aguardar para ver que bicho vai dar. Não se pode sair trombeteando que agora vai. Vai nada. Como já diz o adágio popular de bem intencionados, o inferno está cheio. Para o Brasil o que mais sobra são planos, o que mais falta são ações públicas responsáveis capazes de resolver nossas questões mais graves e urgentes.
O segundo mandato do senhor Luiz Inácio tem se caracterizado em copiar um modelito bastante usado pelos militares dos tempos da ditadura, que vigorou entre 1964 a 1985. E ainda de quebra, pediu que um certo marqueteiro “pesquisasse” um nome comercial, de fácil assimilação e que assim se tornasse bastante popular. Nasceu o PAC.
De janeiro para cá, tivemos muitos pacs. Um monte deles e se diz que virão outros mais. A cada pac lançado, a gente aqui faz uma análise rigorosa daquilo que é projeto possível de se executar, e o do que é apenas uma quimera, um chute na realidade para engordar os pacs diante dos olhos e ouvidos do povão. “Viram, agora vai”.
Bem, ontem no Jornal Nacional da Rede Globo, foi revelado o resultado de uma pesquisa feita pela Universidade Federal Fluminense, cujos dados desfazem a associação negativa entre elite e privilégios e mostram que os mais instruídos têm os valores mais democráticos.
O resultado está no livro ‘A cabeça do brasileiro’. Os números revelam que a escolaridade é o que separa o Brasil moderno do arcaico. A pesquisa foi feita com um universo de 2,3 mil pessoas. (clique aqui para acessar o vídeo do JN)
Uma das questões, era se concordavam com a frase:
"Se alguém é eleito para um cargo público, deve usá-lo em benefício próprio."
Resultado:
Analfabetos - 40%
Até a 4° série - 31%
Da 5° à 8º série - 17%
Ensino médio - 5%
Superior - 3%
A pesquisa aponta que “(...) O resultado da pesquisa abriu um debate sobre a avaliação que se pode fazer da elite brasileira. A palavra elite muitas vezes é usada de maneira depreciativa, como sinônimo de privilégio, de falta de espírito público. Existem várias elites - a elite econômica, por exemplo. O que a pesquisa apontou é que a elite educacional, com maior escolaridade, é mais liberal politicamente, menos tolerante com a corrupção e mais moderna nas questões sociais(...)”.
Questionados sobre este resultado, o sociólogo Demetrio Magnoli e o educador Mário Sérgio Cortella, emitiram as seguintes opiniões:
“(...) Não é que exista um país moderno, mais liberal, menos tolerante à corrupção Centro-Sul e um outro país mais atrasado, mais anacrônico, no Nordeste. Na verdade os dois estão juntos, em todos os lugares do Brasil. Os dois estão juntos em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Pernambuco, em Brasília. Essa fronteira diz respeito ao acesso à educação”, explica Demétrio Magnoli, sociólogo(...)”.
“(...) Uma sociedade escolarizada, aquela que tem cada vez mais a elevação dos patamares de escolarização, é uma sociedade que ganha maior competência, maior repertório científico, maior consciência política e, portanto, maior capacidade de construir o futuro”, afirma o educador Mário Sérgio Cortella (...)”.
Isto vem de encontro a uma posição que defendo aqui faz tempo, a de que a sociedade brasileira só trafega no atraso e na “tolerância” e passividade em relação à certas ações públicas, porque seu universo é marcantemente caracterizado por uma educação deficiente ou até inexistente na maior parte de sua população. A educação adequada leva o indivíduo a ser mais participativo e mais crítico em relação ao Estado. E é nesta condição que ele naturalmente busca se informar melhor em tempo integral. Um dado em 2006 me chamou especial atenção e que agora vem corroborar pela pesquisa, a tese de que o governo que temos só acontece por uma razão: mais de 50% da população tem educação deficiente ou inexistente. E, sem dúvida, que mais de 70% dela não tem o menor acesso à informação qualificada. E isto é atestado por uma outra pesquisa em que se apontou que, 25% da população, jamais ouvira falar do escândalo dos sanguessugas. E o que não faltou foi divulgação ao longo de meses de exposição na mídia.
Assim, valendo-se desta realidade, quando o governo lança um plano de segurança prevendo investimentos até 2012 na ordem de R$ 6,7 bilhões, para os menos avisados, parece ser um plano estrondoso. Olhado mais de perto, e apoiado em informações sérias, o que se constata é que este PAC da segurança é, na verdade, ridículo. Vamos ver: a começar, é o terceiro plano de segurança de Lula em quatro anos e meio de governo. Depois, dos anteriores, as metas propostas ficaram muito aquém do previsto. Serve como exemplo o último, ainda quando o Ministério da Justiça estava com Márcio Bastos, em que se previa a construção de 5 penitenciárias de segurança máxima, e foi entregue apenas uma, e assim mesmo, já ao final do primeiro mandato. Outro dado: o montante de R$ 6,7 bilhões em 5 anos, é ridículo tanto pelas necessidades do país, quanto pelo que representa em termos de arrecadação federal. Aqui vou me socorrer da informação dada hoje pelo Jornalista Reinaldo Azevedo, em seu blog: apenas o Estado de São Paulo, em seu orçamento de 2007, investirá “(...) R$ 8.307.663.072. O governo federal está batendo bumbo porque promete investir, EM CINCO ANOS, 80,64% do que São Paulo gasta EM UM ANO (...)” .
Da mesma forma, o PAC da educação que prevê cerca de R$ 2,0 bilhões anuais. Ou seja, se somarmos tudo o que o governo federal arrecada em impostos arrancados da sociedade que trabalha e produz, e confrontarmos com o que este mesmo governo promete devolver na forma de investimentos, o saldo convenhamos é bastante negativo. Outro dado: o governo tanto agora, como já ocorrera no pac da Educação, prometeu um piso salarial a ser obtido até 2010. Quando se anuncia o piso, o período de tempo que se levará para ser alcançado quase fica escondido. Ocorre que se pagasse hoje o que promete pagar até 2010, ainda assim seria menos do que cada categoria, policiais e educadores, merecem.
Assim, é conclusivo afirmar que o governo com seus anúncios de planos mirabolantes está, na verdade, empacando e enganando a opinião pública, ou a parcela que menos estudos tem e menos informada se encontra.
A verdadeira revolução, o indispensável plano que livrará o povo brasileiro da escuridão é a educação como a pesquisa fluminense aponta. Ela nos libertará do jugo dos maus governantes e dos maus políticos que, à sombra da ignorância ou pouca educação, com retumbante desinformação como conseqüência, se valem para se beneficiar a si mesmos e legislar em seu próprio benefício para a manutenção não apenas de seus privilégios indecentes, mas de não terem que prestar contas de suas ações criminosas à Justiça. Outra coisa não se pode entender dos famosos “foros privilegiados” com que tentam se sustentar nos seus desregramentos morais e legais.
Deste modo, quando o governo Lula insiste nestas pantomimas de pac aqui, pac acolá, o melhor que se tem a fazer é aguardar para ver que bicho vai dar. Não se pode sair trombeteando que agora vai. Vai nada. Como já diz o adágio popular de bem intencionados, o inferno está cheio. Para o Brasil o que mais sobra são planos, o que mais falta são ações públicas responsáveis capazes de resolver nossas questões mais graves e urgentes.
E não se enganem não: todas as tentativas do governo Lula de cercear a liberdade de expressão, tentando restringir a população de ter acesso à informação qualificada, tem o viés autoritário de se valer da desinformação para imperar seu modo retrógrado, incompetente e irresponsável de governar o país. Os planos que lança vão exatamente nesta direção, a de continuar praticando sua embromação delirante para empacar a opinião pública, e poder se sustentar no poder.