por Glauco Fonseca, site Diego Casagrande
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Se Duda Mendonça tivesse dito que a lição que aprendeu foi nunca mais fazer negócios com Dirceu, Delúbio, Silvinho, Genoino e Valério, ainda vá lá. Se Duda dissesse que a lição que aprendeu foi não lidar com dinheiro sem origem, porque é crime, tudo bem. Mas Duda Mendonça, tão talentoso quando dissimulado, declarou apenas que na próxima vez vai ficar de boca calada.
Se Duda Mendonça tivesse dito que a lição que aprendeu foi nunca mais fazer negócios com Dirceu, Delúbio, Silvinho, Genoino e Valério, ainda vá lá. Se Duda dissesse que a lição que aprendeu foi não lidar com dinheiro sem origem, porque é crime, tudo bem. Mas Duda Mendonça, tão talentoso quando dissimulado, declarou apenas que na próxima vez vai ficar de boca calada.
Não vai ter outra vez, Duda. O Brasil não merece (não deixa Dona Ellen!). Isto é, tomara que não haja. Neztepaís a gente nunca sabe. Voltando ao Amigo da Onça.Duda disse que faria uma palestra sobre "A pirâmide invertida, a descoberta das classes C e D", nas Faculdades Metropolitanas Unidas em São Paulo. Curioso. Ele sagrou-se réu de crime de lavagem de dinheiro e evasão de divisas recentemente por conta de suas relações e atitudes invertidas. Coincidência estranha ele ter se referido à pirâmide invertida, que também é uma técnica jornalística de construção de notícias, diferente de um romance policial (onde se sabe o autor do crime só no final). Significa que, partir ao lead, todas as informações restantes são dadas por ordem decrescente de importância, de forma que, à medida que se vai descendo no corpo da notícia, os fatos relatados se vão tornando cada vez menos essenciais. Seja qual fosse a pirâmide invertida à qual Duda fez referência em sua palestra interrompida por gritos de "ladrão" e "mensaleiro", de uma delas ele entende bem, assim como Lula e sua Bolsa Família.
Duda não é ladrão nem mensaleiro, segundo o STF. Disse que apenas recebeu por seu trabalho, o que é verdade. Disse que ou receberia assim ou não receberia. Optou por cometer um crime para poder receber. Não interessa ao Duda se o dinheiro vinha de escolas que não foram construídas, de hospitais sem médicos ou equipamentos, de refeições que crianças miseráveis deixaram de fazer. Duda queria era receber o seu e isto lhe bastava. E depois do argumento de que era assim ou não receberia, realmente não é ladrão nem mensaleiro. Consagra-se apenas como mais um pusilânime e péssimo representante de sua categoria profissional, superado apenas pelo criminoso Marcos Valério.
Pirâmide invertida, a do jornalismo, não funcionou com Duda Mendonça. Ele foi descoberto no início e no fim de uma crônica policial de terceira categoria, como ele próprio. Contudo, tristemente, a lição que Duda disse que aprendeu apenas demonstra o quanto uma cela de cadeia faria muito bem ao seu caráter invertido.