Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil
O presidente Lula, o governo e o PT dos salvados do incêndio acertaram o passo na cadência das explicações sobre a nova etapa da temporada de escândalos pela linha tática desbotada da obviedade. E que não era a melhor nem a menos recomendável, mas a única em tão dolorosa circunstância.
Das escusas, justificativas das declarações presidenciais, sem a vivacidade habitual e no tom constrangido da provação indesejável, pouco se aproveita para entender e analisar sobre o que realmente no fundo da sua alma, com tantas carências a acudir, tantas promessas empacadas nas cafuas, Lula sentiu o golpe da decisão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) que acolheu a denúncia contra os 40 acusados do escândalo do mensalão, réus da série de processos que atormentarão, por maior que seja a celeridade prometida, os dois anos e quatro meses do segundo mandato e antecipam a tormenta nas eleições municipais do próximo ano.
Certamente que será impossível sustentar o noticiário da mídia na mesma toada destes dias excepcionais, sem paralelo na crônica republicana pela gravidade das denúncias e o peso político dos réus. Mas sempre se esperava um pouco mais de um presidente tão enfático na badalação de êxitos verdadeiros ou exagerados.
Para driblar o impacto sobre o governo, escapuliu pela tangente: a oposição tentou atingi-lo na última campanha eleitoral e 61% do povo deram a resposta na sua reeleição.
De lá para cá, muita água turva passou debaixo da ponte. Das CPIs do mensalão, do caixa 2, dos Correios, das Sanguessugas à desmoralização do Congresso com a patuscada das absolvições em massa. É fácil jogar com as fatias da verdade, como abusa o atarantado comando do Partido dos Trabalhadores no sufoco para não se afogar no pantanal em que se debate a estrela vermelha, salpicada dos pés à cabeça com o libelo do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, e do voto irretocável do ilustre relator, ministro Joaquim Barbosa.
Mas o principal acusado, qualificado como o chefe da organização criminosa, é o ex-ministro José Dirceu, chefe do Gabinete Civil do primeiro mandato do presidente Lula. E os encontros para a montagem da quadrilha e os acertos para os desvios de recursos públicos foram realizados no seu gabinete. Para tais encrencas o presidente tenta escapar pelo atalho do truísmo, como quem descobriu a pólvora: "Agora o processo começa. Quem tiver culpa pagará o preço, quem não tiver culpa será perdoado".
A simulação da tranqüilidade não é mesinha para todos os achaques. O sucesso inegável do Bolsa Família, que mata a fome de mais de 40 milhões de carentes nos últimos estágios da pobreza continua garantindo a blindagem do presidente nas minas de votos do Norte e do Nordeste. Resta conferir se são transferíveis para o candidato que o presidente começa a articular para a continuidade do sucedâneo do terceiro mandato.
Todos os sinos badalam os bons resultados da política econômica que entesoura milhões, em previdente usura para os riscos de uma reviravolta internacional.
Do outro lado, o quadro é de um calamitoso desempenho da administração. O governo não prevê, não planeja, não se antecipa. Só se coça na calamidade das crises como do apagão aéreo. Ou da saúde pública em estado terminal. Foi preciso as mortes nos hospitais à matroca, as greves dos médicos, para o governo liberar os chorados R$ 2 bilhões. A rede rodoviária mata centenas nos desastres previstos.
Dinheiro para os cupinchas é o que não falta: as nomeações para os cargos de confiança, que dispensam concurso público, vão de vento em popa, no ritmo crescente de 180 por dia.
O presidente Lula, o governo e o PT dos salvados do incêndio acertaram o passo na cadência das explicações sobre a nova etapa da temporada de escândalos pela linha tática desbotada da obviedade. E que não era a melhor nem a menos recomendável, mas a única em tão dolorosa circunstância.
Das escusas, justificativas das declarações presidenciais, sem a vivacidade habitual e no tom constrangido da provação indesejável, pouco se aproveita para entender e analisar sobre o que realmente no fundo da sua alma, com tantas carências a acudir, tantas promessas empacadas nas cafuas, Lula sentiu o golpe da decisão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) que acolheu a denúncia contra os 40 acusados do escândalo do mensalão, réus da série de processos que atormentarão, por maior que seja a celeridade prometida, os dois anos e quatro meses do segundo mandato e antecipam a tormenta nas eleições municipais do próximo ano.
Certamente que será impossível sustentar o noticiário da mídia na mesma toada destes dias excepcionais, sem paralelo na crônica republicana pela gravidade das denúncias e o peso político dos réus. Mas sempre se esperava um pouco mais de um presidente tão enfático na badalação de êxitos verdadeiros ou exagerados.
Para driblar o impacto sobre o governo, escapuliu pela tangente: a oposição tentou atingi-lo na última campanha eleitoral e 61% do povo deram a resposta na sua reeleição.
De lá para cá, muita água turva passou debaixo da ponte. Das CPIs do mensalão, do caixa 2, dos Correios, das Sanguessugas à desmoralização do Congresso com a patuscada das absolvições em massa. É fácil jogar com as fatias da verdade, como abusa o atarantado comando do Partido dos Trabalhadores no sufoco para não se afogar no pantanal em que se debate a estrela vermelha, salpicada dos pés à cabeça com o libelo do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, e do voto irretocável do ilustre relator, ministro Joaquim Barbosa.
Mas o principal acusado, qualificado como o chefe da organização criminosa, é o ex-ministro José Dirceu, chefe do Gabinete Civil do primeiro mandato do presidente Lula. E os encontros para a montagem da quadrilha e os acertos para os desvios de recursos públicos foram realizados no seu gabinete. Para tais encrencas o presidente tenta escapar pelo atalho do truísmo, como quem descobriu a pólvora: "Agora o processo começa. Quem tiver culpa pagará o preço, quem não tiver culpa será perdoado".
A simulação da tranqüilidade não é mesinha para todos os achaques. O sucesso inegável do Bolsa Família, que mata a fome de mais de 40 milhões de carentes nos últimos estágios da pobreza continua garantindo a blindagem do presidente nas minas de votos do Norte e do Nordeste. Resta conferir se são transferíveis para o candidato que o presidente começa a articular para a continuidade do sucedâneo do terceiro mandato.
Todos os sinos badalam os bons resultados da política econômica que entesoura milhões, em previdente usura para os riscos de uma reviravolta internacional.
Do outro lado, o quadro é de um calamitoso desempenho da administração. O governo não prevê, não planeja, não se antecipa. Só se coça na calamidade das crises como do apagão aéreo. Ou da saúde pública em estado terminal. Foi preciso as mortes nos hospitais à matroca, as greves dos médicos, para o governo liberar os chorados R$ 2 bilhões. A rede rodoviária mata centenas nos desastres previstos.
Dinheiro para os cupinchas é o que não falta: as nomeações para os cargos de confiança, que dispensam concurso público, vão de vento em popa, no ritmo crescente de 180 por dia.