Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa
Nelson Carneiro era mais uma vez candidato a senador pelo PMDB do Rio de Janeiro. A direção do partido se reuniu para indicar os suplentes. Fez uma lista e foi visitá-lo em casa, no posto 6, em Copacabana.
O senador os recebeu cordialmente, sentaram-se todos, foi servido um cafezinho. Depois, ele abriu a lista, leu os nomes um a um, até terminar:
- Estou vendo que os nomes que vocês me trazem para compor minha chapa de senador têm todos o maior mérito, são companheiros do partido, quase todos ilustres e antigos dirigentes. Mas sinto comunicar-lhes que nenhum deles será meu primeiro suplente. Segundo suplente, qualquer um pode ser. Mas o primeiro já está escolhido, é o professor Paulo César.
Nelson Carneiro
Fez-se um silêncio gelado. Ali, quase ninguém conhecia o professor Paulo César, dono de modestos colégios nos subúrbios do Rio, filiado ao MDB e ao PMDB desde a fundação, e fiel e incansável correligionário de Nelson Carneiro desde que ele, chegado da Bahia em 1958, pela primeira vez se elegeu pelo Rio de Janeiro, antes mesmo de criado o Estado da Guanabara.
O senador explicou pacientemente:
- Sei que alguns de vocês pouco ou quase nada sabem do professor Paulo César. Mas há 30 anos, desde que disputo mandatos no Rio, ele tem sido meu mais fiel e constante companheiro. E por isso vai ser meu suplente.
Paulo César
O senador tomou calmamente um gole de café e concluiu:
- Meus amigos, o que é o suplente? É aquele que, em caso de morte, substitui o efetivo. Por mais que um suplente seja generoso e virtuoso, lá no fundo de sua alma, todos os dias, ele pode até nem dizer, mas sempre reza que o titular morra para ocupar o lugar dele.
E o professor Paulo César, de todos os senhores, é o único aqui presente que tem o direito de desejar a minha morte para assumir o mandato em meu lugar, porque, afinal, há 30 anos, me acompanha e ajuda fraternalmente, generosamente. E mais: ele é o único a quem dou o direito de rezar para eu morrer e ele virar senador. Mas os senhores, não. A nenhum do senhores dou o direito de ficar agourando a minha morte para me substituir.
Paulo César foi suplente e, se rezou, devia ter reza fraca. Não adiantou nada. Nelson cumpriu seu terceiro mandato até o último dia. Só saiu derrotado na eleição seguinte, pelo povo.
Wellington
Contam os jornais que o cabeludo desgrenhado, suplente de senador Wellington Salgado, que é uma fraude geográfica e eleitoral, porque é de São Gonçalo, no Rio, mas suplente do senador Helio Costa, do PMDB de Minas, só ficará no mandato até dezembro porque, doravante, a partir oe próximo ano, o suplente de Helio Costa será o segundo suplente, o Fioravante.
Salgado, que é dono de uma indústria educacional, a "Universidade Universo", já deve ter se ressarcido de sua parte no financiamento da campanha de Helio Costa. Agora será a vez de o segundo suplente receber o segundo pedaço da partilha do mandato.
Quem tem a TV Globo para lhe dar e garantir o Ministério das Comunicações, como Helio Costa tem, não morre pagão. É indemissível.
Escórcio
A imprensa cada dia sabe menos do que diz. O funcionário da presidência do Senado, Francisco Escórcio, flagrado no aeroporto de Goiânia acertando um esquema mafioso para filmar e controlar os vôos dos senadores goianos Demóstenes Torres e Marconi Perilo, pode ter ido lá prestar serviços a Renan Calheiros, mas ele não escova os dentes sem ordem do senador Sarney.
Quando Sarney era proprietário do Maranhão, na ditadura, o Chiquinho Escórcio, imposto por Sarney, chegou a ser suplente do saudoso senador Alexandre Costa, e assumiu algum tempo, quando Alexandre adoeceu.
Quando Sarney foi presidente da República, Escórcio era móveis e utensílios do Palácio do Planalto. No primeiro governo Lula, Sarney nomeou Escórcio sub-subchefe da Casa Civil, substituto de Waldomiro Diniz, aquele avô do Mensalão, que era o vice de José Dirceu.
Defenestrado José Dirceu da Casa Civil, Sarney levou Escórcio para o Senado, para suas missões impossíveis. E, a fim de não dar muito na vista, em vez de o pôr no próprio gabinete, o instalou no gabinete de Renan Calheiros, mas sempre a serviço dele, Sarney (onde ganha R$ 9.200).
Globo e "Veja"
O Congresso (o Senado de um lado e a Câmara do outro) vai ter ótima oportunidade de mostrar ao País quem é que manda mais lá: a Globo ou a "Veja".
O Senado criou a CPI das ONGs, para analisar as relações dos governos (federal, estadual e municipal) e das estatais com as ONGs do País, sobretudo a Fundação Roberto Marinho, a mais poderosa, faturante e rica das ONGs.
E o Câmara criou a CPI que vai desnudar a estranhíssima compra, pela espanhola Telefônica, da TVA, um canal pago da Editora Abril. Como se sabe, empresa telefônica não pode ser dona de canal de televisão.
Nelson Carneiro era mais uma vez candidato a senador pelo PMDB do Rio de Janeiro. A direção do partido se reuniu para indicar os suplentes. Fez uma lista e foi visitá-lo em casa, no posto 6, em Copacabana.
O senador os recebeu cordialmente, sentaram-se todos, foi servido um cafezinho. Depois, ele abriu a lista, leu os nomes um a um, até terminar:
- Estou vendo que os nomes que vocês me trazem para compor minha chapa de senador têm todos o maior mérito, são companheiros do partido, quase todos ilustres e antigos dirigentes. Mas sinto comunicar-lhes que nenhum deles será meu primeiro suplente. Segundo suplente, qualquer um pode ser. Mas o primeiro já está escolhido, é o professor Paulo César.
Nelson Carneiro
Fez-se um silêncio gelado. Ali, quase ninguém conhecia o professor Paulo César, dono de modestos colégios nos subúrbios do Rio, filiado ao MDB e ao PMDB desde a fundação, e fiel e incansável correligionário de Nelson Carneiro desde que ele, chegado da Bahia em 1958, pela primeira vez se elegeu pelo Rio de Janeiro, antes mesmo de criado o Estado da Guanabara.
O senador explicou pacientemente:
- Sei que alguns de vocês pouco ou quase nada sabem do professor Paulo César. Mas há 30 anos, desde que disputo mandatos no Rio, ele tem sido meu mais fiel e constante companheiro. E por isso vai ser meu suplente.
Paulo César
O senador tomou calmamente um gole de café e concluiu:
- Meus amigos, o que é o suplente? É aquele que, em caso de morte, substitui o efetivo. Por mais que um suplente seja generoso e virtuoso, lá no fundo de sua alma, todos os dias, ele pode até nem dizer, mas sempre reza que o titular morra para ocupar o lugar dele.
E o professor Paulo César, de todos os senhores, é o único aqui presente que tem o direito de desejar a minha morte para assumir o mandato em meu lugar, porque, afinal, há 30 anos, me acompanha e ajuda fraternalmente, generosamente. E mais: ele é o único a quem dou o direito de rezar para eu morrer e ele virar senador. Mas os senhores, não. A nenhum do senhores dou o direito de ficar agourando a minha morte para me substituir.
Paulo César foi suplente e, se rezou, devia ter reza fraca. Não adiantou nada. Nelson cumpriu seu terceiro mandato até o último dia. Só saiu derrotado na eleição seguinte, pelo povo.
Wellington
Contam os jornais que o cabeludo desgrenhado, suplente de senador Wellington Salgado, que é uma fraude geográfica e eleitoral, porque é de São Gonçalo, no Rio, mas suplente do senador Helio Costa, do PMDB de Minas, só ficará no mandato até dezembro porque, doravante, a partir oe próximo ano, o suplente de Helio Costa será o segundo suplente, o Fioravante.
Salgado, que é dono de uma indústria educacional, a "Universidade Universo", já deve ter se ressarcido de sua parte no financiamento da campanha de Helio Costa. Agora será a vez de o segundo suplente receber o segundo pedaço da partilha do mandato.
Quem tem a TV Globo para lhe dar e garantir o Ministério das Comunicações, como Helio Costa tem, não morre pagão. É indemissível.
Escórcio
A imprensa cada dia sabe menos do que diz. O funcionário da presidência do Senado, Francisco Escórcio, flagrado no aeroporto de Goiânia acertando um esquema mafioso para filmar e controlar os vôos dos senadores goianos Demóstenes Torres e Marconi Perilo, pode ter ido lá prestar serviços a Renan Calheiros, mas ele não escova os dentes sem ordem do senador Sarney.
Quando Sarney era proprietário do Maranhão, na ditadura, o Chiquinho Escórcio, imposto por Sarney, chegou a ser suplente do saudoso senador Alexandre Costa, e assumiu algum tempo, quando Alexandre adoeceu.
Quando Sarney foi presidente da República, Escórcio era móveis e utensílios do Palácio do Planalto. No primeiro governo Lula, Sarney nomeou Escórcio sub-subchefe da Casa Civil, substituto de Waldomiro Diniz, aquele avô do Mensalão, que era o vice de José Dirceu.
Defenestrado José Dirceu da Casa Civil, Sarney levou Escórcio para o Senado, para suas missões impossíveis. E, a fim de não dar muito na vista, em vez de o pôr no próprio gabinete, o instalou no gabinete de Renan Calheiros, mas sempre a serviço dele, Sarney (onde ganha R$ 9.200).
Globo e "Veja"
O Congresso (o Senado de um lado e a Câmara do outro) vai ter ótima oportunidade de mostrar ao País quem é que manda mais lá: a Globo ou a "Veja".
O Senado criou a CPI das ONGs, para analisar as relações dos governos (federal, estadual e municipal) e das estatais com as ONGs do País, sobretudo a Fundação Roberto Marinho, a mais poderosa, faturante e rica das ONGs.
E o Câmara criou a CPI que vai desnudar a estranhíssima compra, pela espanhola Telefônica, da TVA, um canal pago da Editora Abril. Como se sabe, empresa telefônica não pode ser dona de canal de televisão.