Ricardo Rego Monteiro
O fantasma de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) começa a atormentar a diretoria da Petrobras, que se tornou, nos últimos meses, alvo de um intenso jogo de barganha que tomou conta da Praça dos Três Poderes, em Brasília. Disposto a emplacar seu filho no topo do aparelho estatal, o senador Romeu Tuma (SP), recém-transferido para o PMDB, já dispõe de 35 assinaturas para dar entrada no requerimento de abertura de uma CPI com alto potencial corrosivo, segundo avaliações da própria empresa e da base do governo no Senado.
Além de derreter as ações da petroleira negociadas na Bolsa de Nova York, teme-se que uma investigação possa paralisar de vez o já tortuoso Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Responsável por praticamente 50% do PAC, a Petrobras ficaria em meio a um constrangimento capaz de intimidar qualquer diretor ou gerente a assinar uma ordem de pagamento a empreiteiras ou prestadores de serviços.
- Nenhum funcionário de estatal é louco de assinar uma ordem de pagamento ou contrato em meio a uma CPI - afirma um senador da ala governista, que manifestou preocupação com os possíveis estragos que uma investigação parlamentar poderia causar a uma empresa responsável por mais de US$ 100 bilhões no período 2008-2012.
Para instalar uma CPI no Senado, são necessárias 27 assinaturas. De acordo com o senador da base do governo, Tuma já dispõe de oito além do número mínimo. A intenção, segundo o parlamentar, seria investigar os contratos de construção das plataformas P-52 e P-54 e a licitação para construção dos petroleiros da Transpetro, além da aquisição da Suzano Petroquímica por US$ 1 bilhão acima do valor de mercado.
Para consumo externo, Tuma argumenta que a CPI teria por objetivo aumentar a transparência dos negócios da companhia. No seio do Senado, no entanto, não esconde o objetivo de emplacar o ex-deputado Róbson Tuma, seu filho, para algum cargo em estatais. O senador já emplacou o filho mais velho, Romeu Tuma Júnior (PPS-SP), para a Secretaria Nacional de Justiça. De acordo com senadores da base do governo, pretende usar a influência junto ao presidente Lula para ajudar o outro filho, que se encontra sem mandato.
A favor do governo pesa o fato de Tuma ter sacramentado, no início da semana, sua ida para um partido da base aliada (PMDB). Tanto que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que assinou o pedido, não esconde a preocupação com o destino do requerimento de abertura. O problema, lembra Torres, é que as assinaturas pertencem ao parlamentar, e não ao partido. Dessa forma, caberá a Tuma dar seguimento à CPI.
Tuma foi procurado pelo JB, mas até o fechamento desta edição não havia sido encontrado.
Um senador da ala governista pondera que a entrada no partido aliado de Lula não representa, no entanto, um compromisso de alinhamento irrestrito com o governo, haja vista o papel do partido nas últimas votações de interesse do Planalto no Senado.
- O compromisso com interesses particulares e paroquiais fala mais alto, nessas horas, do que a filiação partidária - argumenta o parlamentar, ao lembrar que a CPI representa mais um elemento de pressão da coalizão de descontentes com o governo por cargos na própria Petrobras.
Esse novo elemento surge no momento em que parece prevalecer a posição da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na disputa pelos cargos. De acordo com interlocutores da ministra, nos últimos dias, teriam se fortalecido as posições dos diretores de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, e da Área Internacional, Nestor Cerveró, os principais alvos do PMDB da Câmara. Segundo esses interlocutores, tanto Costa quanto Cerveró não devem mais deixar seus postos, respectivamente, para Alan Kardec, ex-gerente de Abastecimento, e José Augusto Fernandes, apadrinhado do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP).
O fantasma de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) começa a atormentar a diretoria da Petrobras, que se tornou, nos últimos meses, alvo de um intenso jogo de barganha que tomou conta da Praça dos Três Poderes, em Brasília. Disposto a emplacar seu filho no topo do aparelho estatal, o senador Romeu Tuma (SP), recém-transferido para o PMDB, já dispõe de 35 assinaturas para dar entrada no requerimento de abertura de uma CPI com alto potencial corrosivo, segundo avaliações da própria empresa e da base do governo no Senado.
Além de derreter as ações da petroleira negociadas na Bolsa de Nova York, teme-se que uma investigação possa paralisar de vez o já tortuoso Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Responsável por praticamente 50% do PAC, a Petrobras ficaria em meio a um constrangimento capaz de intimidar qualquer diretor ou gerente a assinar uma ordem de pagamento a empreiteiras ou prestadores de serviços.
- Nenhum funcionário de estatal é louco de assinar uma ordem de pagamento ou contrato em meio a uma CPI - afirma um senador da ala governista, que manifestou preocupação com os possíveis estragos que uma investigação parlamentar poderia causar a uma empresa responsável por mais de US$ 100 bilhões no período 2008-2012.
Para instalar uma CPI no Senado, são necessárias 27 assinaturas. De acordo com o senador da base do governo, Tuma já dispõe de oito além do número mínimo. A intenção, segundo o parlamentar, seria investigar os contratos de construção das plataformas P-52 e P-54 e a licitação para construção dos petroleiros da Transpetro, além da aquisição da Suzano Petroquímica por US$ 1 bilhão acima do valor de mercado.
Para consumo externo, Tuma argumenta que a CPI teria por objetivo aumentar a transparência dos negócios da companhia. No seio do Senado, no entanto, não esconde o objetivo de emplacar o ex-deputado Róbson Tuma, seu filho, para algum cargo em estatais. O senador já emplacou o filho mais velho, Romeu Tuma Júnior (PPS-SP), para a Secretaria Nacional de Justiça. De acordo com senadores da base do governo, pretende usar a influência junto ao presidente Lula para ajudar o outro filho, que se encontra sem mandato.
A favor do governo pesa o fato de Tuma ter sacramentado, no início da semana, sua ida para um partido da base aliada (PMDB). Tanto que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que assinou o pedido, não esconde a preocupação com o destino do requerimento de abertura. O problema, lembra Torres, é que as assinaturas pertencem ao parlamentar, e não ao partido. Dessa forma, caberá a Tuma dar seguimento à CPI.
Tuma foi procurado pelo JB, mas até o fechamento desta edição não havia sido encontrado.
Um senador da ala governista pondera que a entrada no partido aliado de Lula não representa, no entanto, um compromisso de alinhamento irrestrito com o governo, haja vista o papel do partido nas últimas votações de interesse do Planalto no Senado.
- O compromisso com interesses particulares e paroquiais fala mais alto, nessas horas, do que a filiação partidária - argumenta o parlamentar, ao lembrar que a CPI representa mais um elemento de pressão da coalizão de descontentes com o governo por cargos na própria Petrobras.
Esse novo elemento surge no momento em que parece prevalecer a posição da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na disputa pelos cargos. De acordo com interlocutores da ministra, nos últimos dias, teriam se fortalecido as posições dos diretores de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, e da Área Internacional, Nestor Cerveró, os principais alvos do PMDB da Câmara. Segundo esses interlocutores, tanto Costa quanto Cerveró não devem mais deixar seus postos, respectivamente, para Alan Kardec, ex-gerente de Abastecimento, e José Augusto Fernandes, apadrinhado do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP).