Editorial do Jornal do Brasil
O negócio de compra e venda de terras passa por um boom no Brasil e acende o alerta vermelho no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e na Comissão de Relações Exteriores da Câmara. O governo não possui mecanismos de controle das transações com imóveis rurais e sequer contabiliza quantos hectares são dominados por estrangeiros, sejam pessoas físicas ou jurídicas, como revelou reportagem publicada pelo Jornal do Brasil nas edições de sexta-feira e sábado.
Os investimentos milionários em dólares e euros em terras da Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Pará e São Paulo ganharam impulso a partir do esforço planetário patrocinado pelo presidente Lula para transformar o Brasil em pólo mundial do biocombustível. Ao se tornar o mascate brasileiro do produto, o chefe da nação conquistou respeito e notoriedade em países desenvolvidos. O presidente americano George Bush comprou a proposta e a incorporou ao discurso interno e externo.
Os investidores estrangeiros, ávidos por lucros e de olho num mercado com faturamento oceânico no futuro próximo, não economizaram. "Esse é um caso de soberania nacional", considera o presidente do Incra, Rolf Hackbart. Admite, contudo, a deficiência de informações e o vácuo legal, ambos essenciais para proteger os interesses brasileiros.
A lei que regulamente a aquisição de terras por estrangeiros data de 1971, ao tempo dos generais-presidentes. Limita os hectares das propriedades, a composição acionária das empresas rurais e obriga a fiscalização. Defasada pelo tempo e pela carência de recursos e funcionários, abriu brechas para o avanço dos proprietários de variados sotaques e ambições pelo interior do país - especialmente na região amazônica.
O avanço do capital externo não é uma aventura. Quem chega de fora não regateia e, em caso de competição com os nacionais, vence com um argumento poderoso: paga em cash.
O retorno do dinheiro é tão certo que atrai empresas ligadas à Fundação Soros, do empreendedor grego George Soros, as americanas Microsoft e Google, as suecas Precius Woods e Stora Enso. Seitas religiosas como a Igreja Unificada do reverendo Moon - que se instalou no Mato Grosso do Sul e agora avança pelo Centro-Oeste e Amazônia. Além de organizações não governamentais, algumas sérias, outras nem tanto.
Além de atrapalhar o programa de reforma agrária do governo, atraem a atenção da Polícia Federal em casos suspeitos de ameaçar a estrutura fundiária do país, como o projeto de plantio de eucalipto para exploração de celulose na fronteira do Brasil com o Uruguai, patrocinado por capital sueco-finlandês.
A invasão estrangeira mexeu com os brios da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, que quer ouvir o presidente do Incra e já ameaça com a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. A Advocacia-Geral da União monta parecer para definir regras jurídicas que permitam aos órgãos públicos controlar o setor.
São medidas urgentes e necessárias especialmente a partir de agora, quando vários países ricos e emergentes se detêm a analisar e dimensionar o potencial de faturamento do solo brasileiro a partir do crescimento do mercado dos biocombustíveis como alternativa à dependência do petróleo. O presidente do Incra foi preciso no diagnóstico: este é um caso de soberania nacional.
O negócio de compra e venda de terras passa por um boom no Brasil e acende o alerta vermelho no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e na Comissão de Relações Exteriores da Câmara. O governo não possui mecanismos de controle das transações com imóveis rurais e sequer contabiliza quantos hectares são dominados por estrangeiros, sejam pessoas físicas ou jurídicas, como revelou reportagem publicada pelo Jornal do Brasil nas edições de sexta-feira e sábado.
Os investimentos milionários em dólares e euros em terras da Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Pará e São Paulo ganharam impulso a partir do esforço planetário patrocinado pelo presidente Lula para transformar o Brasil em pólo mundial do biocombustível. Ao se tornar o mascate brasileiro do produto, o chefe da nação conquistou respeito e notoriedade em países desenvolvidos. O presidente americano George Bush comprou a proposta e a incorporou ao discurso interno e externo.
Os investidores estrangeiros, ávidos por lucros e de olho num mercado com faturamento oceânico no futuro próximo, não economizaram. "Esse é um caso de soberania nacional", considera o presidente do Incra, Rolf Hackbart. Admite, contudo, a deficiência de informações e o vácuo legal, ambos essenciais para proteger os interesses brasileiros.
A lei que regulamente a aquisição de terras por estrangeiros data de 1971, ao tempo dos generais-presidentes. Limita os hectares das propriedades, a composição acionária das empresas rurais e obriga a fiscalização. Defasada pelo tempo e pela carência de recursos e funcionários, abriu brechas para o avanço dos proprietários de variados sotaques e ambições pelo interior do país - especialmente na região amazônica.
O avanço do capital externo não é uma aventura. Quem chega de fora não regateia e, em caso de competição com os nacionais, vence com um argumento poderoso: paga em cash.
O retorno do dinheiro é tão certo que atrai empresas ligadas à Fundação Soros, do empreendedor grego George Soros, as americanas Microsoft e Google, as suecas Precius Woods e Stora Enso. Seitas religiosas como a Igreja Unificada do reverendo Moon - que se instalou no Mato Grosso do Sul e agora avança pelo Centro-Oeste e Amazônia. Além de organizações não governamentais, algumas sérias, outras nem tanto.
Além de atrapalhar o programa de reforma agrária do governo, atraem a atenção da Polícia Federal em casos suspeitos de ameaçar a estrutura fundiária do país, como o projeto de plantio de eucalipto para exploração de celulose na fronteira do Brasil com o Uruguai, patrocinado por capital sueco-finlandês.
A invasão estrangeira mexeu com os brios da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, que quer ouvir o presidente do Incra e já ameaça com a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. A Advocacia-Geral da União monta parecer para definir regras jurídicas que permitam aos órgãos públicos controlar o setor.
São medidas urgentes e necessárias especialmente a partir de agora, quando vários países ricos e emergentes se detêm a analisar e dimensionar o potencial de faturamento do solo brasileiro a partir do crescimento do mercado dos biocombustíveis como alternativa à dependência do petróleo. O presidente do Incra foi preciso no diagnóstico: este é um caso de soberania nacional.