Rodrigo Taves, O Globo
A demora do governo para expulsar os arrozeiros da reserva indígena Raposa Serra do Sol está tornando a situação cada vez mais explosiva, e um novo confronto entre brancos e índios pode acontecer antes mesmo da operação de desintrusão, esperada para os próximos dias. No último confronto, em junho, os índios atiraram flechas contra motoqueiros a serviço do rizicultor Paulo Cesar Quartiero, que é acusado de provocar o terror na aldeia Surumu, próxima de sua fazenda, para assustar os índios. Os motoqueiros seriam jagunços armados da fazenda de Quartiero, que à noite passam pela aldeia dando tiros para o alto, principalmente em fins de semana. Nesse confronto, uma menina que estava na garupa de um dos motoqueiros foi flechada e precisou ser socorrida.
Quartiero foi entrevistado e disse que está pronto para resistir à operação da PF. Segundo ele, o aeroporto de Boa Vista, as estradas e os rios serão todos bloqueados por manifestantes, para impedir que o governo federal consiga tirá-los da área. Ele continua plantando arroz e soja em suas duas propriedades, como se nada tivesse acontecendo.
Raposa Serra do Sol tem 14 mil índios e está sub-dividida em oito entidades indígenas. Como parte de sua estratégia, Quartiero insufla grupos de índios de Raposa Serra do Sol a reagir contra a desintrução dos arrozeiros, e por isso não está descartada a participação de índios na resistência à operação.
Há uma semana, casas de índios foram incendiadas numa das malocas da reserva, e a Sodiur, um dos grupos indígenas da reserva, responsabilizou pelo crime o Conselho Indígena de Roraima (CIR), que congrega a maioria dos índios. O clima esquentou, e a Sodiur usou esse incêndio como protesto para dizer que já não concorda com os termos da carta-compromisso assinada este mês por líderes de todos os oito grupos se comprometendo a não permitir atos de violência.
Um funcionário da Casa Civil é o encarregado de comandar a missão do governo federal encarregada da desintrusão. Ele diz que a expulsão de Quartiero e dos outros seis arrozeiros é irreversível, e que a operação estará encerrada antes do Natal. O problema é que os índios ligados ao CIR contavam que tudo estivesse resolvido até o fim deste mês, e não se mostram dispostos a esperar mais.
Muitos tuxauas (caciques) das 194 comunidades de Raposa Serra do Sol foram ouvidos por mim, e já falam abertamente em abreviar a desintrução dos não-índios, em reagir a provocações, e coisas do tipo. Dentro da vila Surumu, a maior de Raposa, ainda há 20 brancos, incluindo uma comerciante paraibana de 68 anos que continua vendendo cachaça para os índios, apesar dos apelos dos caciques.
O dinheiro das indenizações pelas benfeitorias foi depositado em juízo, mas Quartiero quer briga a não foi buscá-la. O burocrata do governo chama Quartiero de bandido, sanguinário e outros adjetivos do tipo. Na imprensa de Roraima, a pressão é toda contra os índios, contra a Funai e contra a operação de expulsão dos arrozeiros. Há políticos como o deputado federal Márcio Junqueira e o senador Mozarildo Cavalcanti diariamente na TV insuflando os moradores do estado a reagir.
A demora do governo para expulsar os arrozeiros da reserva indígena Raposa Serra do Sol está tornando a situação cada vez mais explosiva, e um novo confronto entre brancos e índios pode acontecer antes mesmo da operação de desintrusão, esperada para os próximos dias. No último confronto, em junho, os índios atiraram flechas contra motoqueiros a serviço do rizicultor Paulo Cesar Quartiero, que é acusado de provocar o terror na aldeia Surumu, próxima de sua fazenda, para assustar os índios. Os motoqueiros seriam jagunços armados da fazenda de Quartiero, que à noite passam pela aldeia dando tiros para o alto, principalmente em fins de semana. Nesse confronto, uma menina que estava na garupa de um dos motoqueiros foi flechada e precisou ser socorrida.
Quartiero foi entrevistado e disse que está pronto para resistir à operação da PF. Segundo ele, o aeroporto de Boa Vista, as estradas e os rios serão todos bloqueados por manifestantes, para impedir que o governo federal consiga tirá-los da área. Ele continua plantando arroz e soja em suas duas propriedades, como se nada tivesse acontecendo.
Raposa Serra do Sol tem 14 mil índios e está sub-dividida em oito entidades indígenas. Como parte de sua estratégia, Quartiero insufla grupos de índios de Raposa Serra do Sol a reagir contra a desintrução dos arrozeiros, e por isso não está descartada a participação de índios na resistência à operação.
Há uma semana, casas de índios foram incendiadas numa das malocas da reserva, e a Sodiur, um dos grupos indígenas da reserva, responsabilizou pelo crime o Conselho Indígena de Roraima (CIR), que congrega a maioria dos índios. O clima esquentou, e a Sodiur usou esse incêndio como protesto para dizer que já não concorda com os termos da carta-compromisso assinada este mês por líderes de todos os oito grupos se comprometendo a não permitir atos de violência.
Um funcionário da Casa Civil é o encarregado de comandar a missão do governo federal encarregada da desintrusão. Ele diz que a expulsão de Quartiero e dos outros seis arrozeiros é irreversível, e que a operação estará encerrada antes do Natal. O problema é que os índios ligados ao CIR contavam que tudo estivesse resolvido até o fim deste mês, e não se mostram dispostos a esperar mais.
Muitos tuxauas (caciques) das 194 comunidades de Raposa Serra do Sol foram ouvidos por mim, e já falam abertamente em abreviar a desintrução dos não-índios, em reagir a provocações, e coisas do tipo. Dentro da vila Surumu, a maior de Raposa, ainda há 20 brancos, incluindo uma comerciante paraibana de 68 anos que continua vendendo cachaça para os índios, apesar dos apelos dos caciques.
O dinheiro das indenizações pelas benfeitorias foi depositado em juízo, mas Quartiero quer briga a não foi buscá-la. O burocrata do governo chama Quartiero de bandido, sanguinário e outros adjetivos do tipo. Na imprensa de Roraima, a pressão é toda contra os índios, contra a Funai e contra a operação de expulsão dos arrozeiros. Há políticos como o deputado federal Márcio Junqueira e o senador Mozarildo Cavalcanti diariamente na TV insuflando os moradores do estado a reagir.