Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Há um artigo neste domingo da Folha de São Paulo que dá bem a tônica do valerioduto mineiro e sua grandiosa diferença para o valerioduto petista, conforme vimos no post anterior.
Porém, quero desde já deixar claro meu pensamento e minha opinião: o PSDB, ao poupar Azeredo, abriu caminho para Lula se livrar da dor de cabeça do mensalão. E, assim, levantando-se da cova rasa em que se achava, encontrou o caminho para sua reeleição. O que deveria o PSDB ter feito quando se descobriu um valerioduto em Minas, na campanha que não deu certo de Eduardo Azeredo ao governo de Minas ? Devia tê-lo expulsado do partido. Sem mais delongas. Talvez o ato de expulsão poderia ter sido amenizado com a pressão para o mineiro sair por vontade própria. Ao poupa-lo, o PSDB perdeu a eleição de 2006, porque a partir de sua indecisão sobre o que fazer, Lula retomou o controle do jogo.
Ora, se considero que o PSDB errou no valerioduto mineiro, também devo registrar que se tratam de casos distintos, são crimes sim, mas de conotações totalmente diferentes. No caso de Minas Gerais, está caracterizado o que se entende por caixa 2 de campanha. Estes são os verdadeiros recursos não contabilizados de que Delúbio Soares falou.
Já no valerioduto petista, o que temos é a compra de parlamentares, portanto corrupção, bancados com dinheiro lavado nas arcas dos empréstimos do Banco Rural, mas que eram ou seriam pagos com dinheiro público, desviado em contratos de publicidade, em prestações de serviços nos intestinos do VisaNet do Banco do Brasil, dos Correios, do Instituto de Resseguros do Brasil, dentre outras barganhas criminosas. E isto por si só já faz toda a diferença.
No caso mineiro eram recursos utilizados unicamente para bancar campanhas eleitorais, e ainda assim, tivemos neste caso as digitais petistas. Portanto, mesmo que o Procurador da República ofereça denúncia ao STF sobre o valerioduto mineiro, o petê não se desvencilhará do estigma de ser um partido de práticas de corrupção. Suas administrações à frente de estados e de municípios, com raríssimas exceções, estão eivadas de negócios escusos e mal explicados, de contratos sombrios e fraudulentos.
E o valerioduto mineiro guarda de similaridade com o petista ? Nada. Absolutamente nada, apesar de se tratar ainda assim de crime eleitoral.
E por que o petê, mesmo tendo suas digitais no caso de Azeredo, faz tanta questão de leva-lo às últimas conseqüências ? Por senso de justiça ? Nunca! Estes patriotas alimentam o desejo de que, em havendo tantos culpados, a justiça como que abençoe uma gigantesca impunidade para todos. Ou seja, o que eles na verdade querem é se livrar do abacaxi plantado dentro do próprio partido, e no seio do governo Lula. O resto, é papo furado.
Reparem que em momento algum, a não ser pelos “advogados” de defesa petistas espalhados na mídia, eles dizem que o crime não é crime. Tentam apenas mudar-lhe o nome na esperança de que, desqualificando o crime para algo menor, terem punições menores, na categoria de “pequenos deslizes”.
Contudo, não podemos nos enganar: o crime cometido pelo governo Lula no caso do mensalão é muitas vezes mais grave. Trata-se da cooptação criminosa de um poder sobre outro. Claro que nossos parlamentares são levianos e volúveis. Qualquer cargo ou propina, ou mensalão ou mensalinho, é argumento suficiente para estes “moralistas” se bandearem para o outro lado, ou entregarem seus votos para quem os alicia. Basta ver que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral cassou o mandato, entre 1999 e 2007, de 215 políticos. A assessoria do tribunal informou que só foram contados os casos em que a decisão é definitiva e não cabe recurso.
De acordo com os dados do TSE, o maior número de processos de cassação foram contra prefeitos, 101. Também perderam o mandato 53 vice-prefeitos e 51 vereadores. Além disso, quatro deputados federais, quatro deputados estaduais, um governador e um senador foram cassados pelo tribunal. E estes são dados oficiais divulgados pelo próprio TSE. Pena que não foi divulgado o total de processos que ainda se mantém em aberto aguardando decisão definitiva.
Assim, o político brasileiro, regra geral, ainda mesmo antes de ser eleito já pratica a cretinice tão comum e na qual se viciam após eleitos. E bastando ver a ação canalha com que o mercado da corrupção se agita nestes tempos de recriação da CPMF. São liberações de milhões de reais para emendas parlamentares, além da farta e graciosa distribuição imoral de cargos na administração federal.
É triste constatar a deprimente degradação dos costumes nos meios políticos do Brasil. E é por isso que, tanto no caso do valerioduto mineiro, quanto no petista, a Justiça deve se pronunciar de maneira exemplar, julgando e condenando as práticas ilegais que infestam e enxovalham a vida pública nacional. Deve varrer para fora da administração pública pessoas cuja conduta criam a falsa crença de que para uns tudo é possível.
E deve o STF começar já nesta semana, considerando que os mandatos pertencem aos partidos e não aos políticos, pondo um basta neste comportamento cafajeste do troca-troca partidário, que chutou para o lixo a representatividade parlamentar. Apenas em 2007, já foram 46 deputados federais e senadores que trocaram de lado, num total desrespeito à vontade das urnas.
Portanto, nada de se manter impunes o caixa 2 da campanha de Azeredo, muito menos abençoar-se o mensalão petista. E este deve merecer maior rigor ainda já que comprou votos de parlamentares, além de desviar recursos públicos para abastecer os bolsos dos canalhas vendidos. A desonra nacional clama e exige que pelo menos o STF honre e respeite a constituição brasileira, uma vez que tanto o Executivo quanto o Legislativo esquecerem-se de que, além da lei ser igual para todos, lugar de corrupto é na cadeia, e não na administração pública.
Há um artigo neste domingo da Folha de São Paulo que dá bem a tônica do valerioduto mineiro e sua grandiosa diferença para o valerioduto petista, conforme vimos no post anterior.
Porém, quero desde já deixar claro meu pensamento e minha opinião: o PSDB, ao poupar Azeredo, abriu caminho para Lula se livrar da dor de cabeça do mensalão. E, assim, levantando-se da cova rasa em que se achava, encontrou o caminho para sua reeleição. O que deveria o PSDB ter feito quando se descobriu um valerioduto em Minas, na campanha que não deu certo de Eduardo Azeredo ao governo de Minas ? Devia tê-lo expulsado do partido. Sem mais delongas. Talvez o ato de expulsão poderia ter sido amenizado com a pressão para o mineiro sair por vontade própria. Ao poupa-lo, o PSDB perdeu a eleição de 2006, porque a partir de sua indecisão sobre o que fazer, Lula retomou o controle do jogo.
Ora, se considero que o PSDB errou no valerioduto mineiro, também devo registrar que se tratam de casos distintos, são crimes sim, mas de conotações totalmente diferentes. No caso de Minas Gerais, está caracterizado o que se entende por caixa 2 de campanha. Estes são os verdadeiros recursos não contabilizados de que Delúbio Soares falou.
Já no valerioduto petista, o que temos é a compra de parlamentares, portanto corrupção, bancados com dinheiro lavado nas arcas dos empréstimos do Banco Rural, mas que eram ou seriam pagos com dinheiro público, desviado em contratos de publicidade, em prestações de serviços nos intestinos do VisaNet do Banco do Brasil, dos Correios, do Instituto de Resseguros do Brasil, dentre outras barganhas criminosas. E isto por si só já faz toda a diferença.
No caso mineiro eram recursos utilizados unicamente para bancar campanhas eleitorais, e ainda assim, tivemos neste caso as digitais petistas. Portanto, mesmo que o Procurador da República ofereça denúncia ao STF sobre o valerioduto mineiro, o petê não se desvencilhará do estigma de ser um partido de práticas de corrupção. Suas administrações à frente de estados e de municípios, com raríssimas exceções, estão eivadas de negócios escusos e mal explicados, de contratos sombrios e fraudulentos.
E o valerioduto mineiro guarda de similaridade com o petista ? Nada. Absolutamente nada, apesar de se tratar ainda assim de crime eleitoral.
E por que o petê, mesmo tendo suas digitais no caso de Azeredo, faz tanta questão de leva-lo às últimas conseqüências ? Por senso de justiça ? Nunca! Estes patriotas alimentam o desejo de que, em havendo tantos culpados, a justiça como que abençoe uma gigantesca impunidade para todos. Ou seja, o que eles na verdade querem é se livrar do abacaxi plantado dentro do próprio partido, e no seio do governo Lula. O resto, é papo furado.
Reparem que em momento algum, a não ser pelos “advogados” de defesa petistas espalhados na mídia, eles dizem que o crime não é crime. Tentam apenas mudar-lhe o nome na esperança de que, desqualificando o crime para algo menor, terem punições menores, na categoria de “pequenos deslizes”.
Contudo, não podemos nos enganar: o crime cometido pelo governo Lula no caso do mensalão é muitas vezes mais grave. Trata-se da cooptação criminosa de um poder sobre outro. Claro que nossos parlamentares são levianos e volúveis. Qualquer cargo ou propina, ou mensalão ou mensalinho, é argumento suficiente para estes “moralistas” se bandearem para o outro lado, ou entregarem seus votos para quem os alicia. Basta ver que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral cassou o mandato, entre 1999 e 2007, de 215 políticos. A assessoria do tribunal informou que só foram contados os casos em que a decisão é definitiva e não cabe recurso.
De acordo com os dados do TSE, o maior número de processos de cassação foram contra prefeitos, 101. Também perderam o mandato 53 vice-prefeitos e 51 vereadores. Além disso, quatro deputados federais, quatro deputados estaduais, um governador e um senador foram cassados pelo tribunal. E estes são dados oficiais divulgados pelo próprio TSE. Pena que não foi divulgado o total de processos que ainda se mantém em aberto aguardando decisão definitiva.
Assim, o político brasileiro, regra geral, ainda mesmo antes de ser eleito já pratica a cretinice tão comum e na qual se viciam após eleitos. E bastando ver a ação canalha com que o mercado da corrupção se agita nestes tempos de recriação da CPMF. São liberações de milhões de reais para emendas parlamentares, além da farta e graciosa distribuição imoral de cargos na administração federal.
É triste constatar a deprimente degradação dos costumes nos meios políticos do Brasil. E é por isso que, tanto no caso do valerioduto mineiro, quanto no petista, a Justiça deve se pronunciar de maneira exemplar, julgando e condenando as práticas ilegais que infestam e enxovalham a vida pública nacional. Deve varrer para fora da administração pública pessoas cuja conduta criam a falsa crença de que para uns tudo é possível.
E deve o STF começar já nesta semana, considerando que os mandatos pertencem aos partidos e não aos políticos, pondo um basta neste comportamento cafajeste do troca-troca partidário, que chutou para o lixo a representatividade parlamentar. Apenas em 2007, já foram 46 deputados federais e senadores que trocaram de lado, num total desrespeito à vontade das urnas.
Portanto, nada de se manter impunes o caixa 2 da campanha de Azeredo, muito menos abençoar-se o mensalão petista. E este deve merecer maior rigor ainda já que comprou votos de parlamentares, além de desviar recursos públicos para abastecer os bolsos dos canalhas vendidos. A desonra nacional clama e exige que pelo menos o STF honre e respeite a constituição brasileira, uma vez que tanto o Executivo quanto o Legislativo esquecerem-se de que, além da lei ser igual para todos, lugar de corrupto é na cadeia, e não na administração pública.