Jornal O Globo
Os índios caiapós que atacaram e feriram um engenheiro da Eletrobrás em Altamira, no Pará, voltaram ao mesmo lugar do confronto armados com os mesmos facões.
Hoje, mais de 500 índios retornaram ao ginásio onde acontece um encontro para discutir o projeto da hidrelétrica de Belo Monte. De novo, muitos deles levaram facões.
Apesar do policiamento reforçado, não tiveram problemas para entrar no ginásio armados, embora esta não seja a interpretação da Polícia Federal. “Os índios entram sempre com seus apetrechos que comumente utilizam em suas manifestações. Não podemos dizer que estavam armados porque também são instrumentos de trabalho”, disse o superintendente da PF no Pará, Manoel Fernando Abbadi.
Mas ontem os facões foram usados para ferir o engenheiro da Eletrobrás, Paulo Fernando Rezende. Hoje, a Polícia Federal abriu um inquérito para apurar o caso. As imagens serão usadas para identificar os agressores que deverão responder por lesão corporal. O presidente da Funai, Márcio Meira, defendeu a punição dos responsáveis. "Para os índios é um inquérito normal, os índios são cidadãos brasileiros, como qualquer outro cidadão brasileiro está sujeito a toda legislação brasileira".
O engenheiro foi para o Rio de Janeiro, onde mora, e preferiu não falar com a imprensa. Em Belém, a Polícia Federal informou que a responsabilidade pelo policiamento no evento é do estado do Pará. “Este evento era de responsabilidade do governo do estado”, disse Abbadi.
Depois do ataque ao funcionário da Eletrobrás ninguém foi preso. O assessor de imprensa da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Pará confirmou que ontem a Polícia Militar estava no evento, mas não no auditório onde a agressão aconteceu. “A Polícia Militar estava do lado de fora para garantir a segurança da realização do evento. Veja bem o seguinte, índio é um índio, homem civilizado é outra coisa. O índio tem as próprias leis dele dentro da aldeia”, disse ao assessor de imprensa da Secretaria de Segurança, Emanuel Vilaça.
“O conflito de competência não nos interessa, nos interessa que a violência está acontecendo. Quem deve guardar é o estado brasileiro, independentemente de ser o governo federal ou estadual. Todos têm o dever de prevenir a violência e evitar a morte naquela região”, acredita o presidente da OAB Nacional, Cézar Britto.
No Rio, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, também comentou a agressão. “Isso deve ser evitado de forma preventiva e não repressiva. Foi uma cena de truculência que talvez pudesse ter sido evitada com explicação, carinho e alternativa”.
Clique aqui para assistir vídeo da reportagem
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Os índios caiapós que atacaram e feriram um engenheiro da Eletrobrás em Altamira, no Pará, voltaram ao mesmo lugar do confronto armados com os mesmos facões.
Hoje, mais de 500 índios retornaram ao ginásio onde acontece um encontro para discutir o projeto da hidrelétrica de Belo Monte. De novo, muitos deles levaram facões.
Apesar do policiamento reforçado, não tiveram problemas para entrar no ginásio armados, embora esta não seja a interpretação da Polícia Federal. “Os índios entram sempre com seus apetrechos que comumente utilizam em suas manifestações. Não podemos dizer que estavam armados porque também são instrumentos de trabalho”, disse o superintendente da PF no Pará, Manoel Fernando Abbadi.
Mas ontem os facões foram usados para ferir o engenheiro da Eletrobrás, Paulo Fernando Rezende. Hoje, a Polícia Federal abriu um inquérito para apurar o caso. As imagens serão usadas para identificar os agressores que deverão responder por lesão corporal. O presidente da Funai, Márcio Meira, defendeu a punição dos responsáveis. "Para os índios é um inquérito normal, os índios são cidadãos brasileiros, como qualquer outro cidadão brasileiro está sujeito a toda legislação brasileira".O engenheiro foi para o Rio de Janeiro, onde mora, e preferiu não falar com a imprensa. Em Belém, a Polícia Federal informou que a responsabilidade pelo policiamento no evento é do estado do Pará. “Este evento era de responsabilidade do governo do estado”, disse Abbadi.
Depois do ataque ao funcionário da Eletrobrás ninguém foi preso. O assessor de imprensa da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Pará confirmou que ontem a Polícia Militar estava no evento, mas não no auditório onde a agressão aconteceu. “A Polícia Militar estava do lado de fora para garantir a segurança da realização do evento. Veja bem o seguinte, índio é um índio, homem civilizado é outra coisa. O índio tem as próprias leis dele dentro da aldeia”, disse ao assessor de imprensa da Secretaria de Segurança, Emanuel Vilaça.
“O conflito de competência não nos interessa, nos interessa que a violência está acontecendo. Quem deve guardar é o estado brasileiro, independentemente de ser o governo federal ou estadual. Todos têm o dever de prevenir a violência e evitar a morte naquela região”, acredita o presidente da OAB Nacional, Cézar Britto.
No Rio, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, também comentou a agressão. “Isso deve ser evitado de forma preventiva e não repressiva. Foi uma cena de truculência que talvez pudesse ter sido evitada com explicação, carinho e alternativa”.
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PF investiga quem armou índios do Pará
Sílvia Freire e Kátia Brasil, folha de São Paulo
Polícia quer descobrir quem comprou os mais de cem facões entregues aos caiapós que agrediram engenheiro da Eletrobrás
Delegado responsável pelo inquérito diz ter provas de que ao menos sete facões foram adquiridos antes de encontro que reuniu ONGs
A Polícia Federal em Altamira (PA) investiga os responsáveis pela compra de pelo menos cem facões entregues aos índios caiapós que agrediram o engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende, coordenador do estudo do rio Xingu -onde deve ser construída a hidrelétrica de Belo Monte.Anteontem, Rezende sofreu um corte profundo no braço direito e foi espancado pelos índios quando apresentava o projeto e defendia sua instalação. "Hoje o inquérito está seguindo outra linha, não para identificar exatamente quem desferiu golpes com facão. Mas, como os facões são novos e foram comprados recentemente dentro da cidade [Altamira], estamos investigando quem os forneceu aos índios", disse o delegado Jorge Eduardo Ferreira de Oliveira, coordenador do inquérito que apura crime de lesão corporal contra o engenheiro.
Ele disse ter provas de que sete dos cerca de cem facões foram comprados em estabelecimentos comerciais de Altamira antes do encontro "Xingu Vivo para Sempre", que desde anteontem reúne 2.500 pessoas -das quais de 600 a 800 indígenas- num ginásio da cidade. O encontro terminará amanhã.