quinta-feira, maio 29, 2008

Prá variar, eles acusam a imprensa.

Adelson Elias Vasconcellos

Em matéria de Renata Giraldi, a Folha online informa como está sendo preparada a mais nova pizza no Congresso.

Leiam a matéria, comentaremos depois.

Presidente do Conselho de Ética ataca imprensa e diz que decide caso Paulinho em 15 dias

O novo presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, Sérgio Moraes (PTB-RS), disse hoje que vai analisar em 15 dias o pedido de abertura de um processo contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) por quebra de decoro parlamentar. Ele disse que o conselho não vai ser influenciado pela pressão da imprensa.

"Eu, como presidente da comissão, digo que ela não vai ser pautada pela imprensa. Não vamos obedecer regras da imprensa", respondeu ele ao ser questionado se não tinha pressa em resolver o caso.

O corregedor-geral da Câmara, Inocêncio Oliveira (PP-PE), recomendou ontem à Mesa Diretora da Casa a perda do mandato de Paulinho. Para Inocêncio, as justificativas de Paulinho são vazias e improcedentes. "É caso para perda de mandato. Não temos dúvidas de sua culpabilidade. A situação é gravíssima", disse o corregedor.

Por unanimidade, a Mesa Diretora da Câmara decidiu encaminhar o caso ao Conselho de Ética. Paulinho é suspeito de envolvimento com o esquema de desvio de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O esquema foi desmantelado pela Operação Santa Tereza da Polícia Federal. O deputado negou as acusações, afirmou que é vítima de "perseguição" e ganhou o apoio do PDT que se esquivou de encaminhar o caso para a comissão de ética da legenda.

Outro lado
Paulinho disse hoje estar tranqüilo com as acusações sobre seu envolvimento no desvio de recursos do BNDES.

Paulinho disse ainda que "parte da elite" não gosta de seu trabalho na Câmara. "A pessoa que disse que tinha usado meu nome, ficou comprovado oficialmente que trata de uma armação contra mim, de uma parte da elite que não gosta do meu trabalho na Câmara. Um sujeito fala com outros, cita meu nome, esse mesmo sujeito vai na Justiça Federal e diz que usou meu nome, mas a imprensa ainda insiste em dizer que sou o culpado. Eu vou fazer hoje um pedido de reparação por danos morais. Vamos fazer uma série de processos para reparar a minha honra e a de minha família. Não tem nenhuma prova contra mim, nada."

Em depoimento anteontem à Justiça Federal, João Pedro de Moura, consultor da Força Sindical em São Paulo e ex-assessor de Paulinho, admitiu que pedia, em nome do congressista, dinheiro a integrantes do grupo investigado pela Polícia Federal. Ele alegou ter usado "indevidamente" o nome do deputado e que o dinheiro não chegou às mãos de Paulinho. Moura disse ter recebido R$ 200 mil.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Cantamos a pedra ontem: duvido que o Planalto deixará o “companheiro’ na mão. E o novo presidente do Conselho de Ética (?) já começa mal: parece que a figura ou não lê jornal, ou andou de férias no exterior nos últimos meses.

A imprensa, que levianamente acusa, nada tem a ver com os problemas do deputado Paulo da Silva. Quem o denunciou foi a PF que, em diferentes ocasiões, informou tem evidências suficientes da participação do parlamentar no esquema de corrupção instalado no BNDES. A imprensa, neste caso, cumpriu apenas o seu papel que foi o de informar. Ou será que até isto esta gente “democrática” desejará impedir ? Na verdade, eles adoram a imprensa apenas quando esta dá notícias boas, e sobre eles se possível. Depois, nos palanques, eles exibem os recortes de jornal como prova de “sua atuação”. Porém, quando ela apenas informa as falcatruas denunciadas pela Polícia, aí deixa de ser interessante, e passa a ser alvo da ira dos degenerados.

Claro que o deputado continuará negando qualquer coisa que o incrimine. Não pode, contudo, descobrir “inimigos” ocultos de forma cretina, como a dizer que se trata de perseguição política da “elite” por conta de seu trabalho na Câmara. Pois bem: nem quero saber qual “parte” da elite o deputado se refere. Mas teria imenso prazer em descobrir qual o trabalho na Câmara, que ele considera tão relevante assim, poderia afetar os interesses de quem quer que seja. Ou mais especificamente: sabemos que o deputado está no Congresso, mas trabalha? E se “trabalha”, o faz em favor de quem?

Claro que Sérgio Moraes sabe que deveria abrir o processo e instalar a comissão. Mas daí, Paulinho não teria mais a prerrogativa para renunciar ao mandato,. Entenderam...?

Porém, como tem sido hábito, tenta-se ganhar tempo para traçar a melhor estratégia para assar uma nova pizza e manter no poder os “companheiros” apanhados em crime. Além disto, o novo presidente do Conselho de ETICA, responde por três processos no STF. Que vocês acham disto? Dá bem a mostra do que ainda pode se converter o processo contra qualquer “companheiro” da casa. E num arroubo que bem demonstra seu total desprezo pela moral, pela decência, e até por estar instado a um cargo que lhe exige melhor decoro, quando confrontado com o seu “currículo” de processado, eis a magnífica resposta que a figura disparou: "No Rio Grande do Sul tem um ditado que diz: cachorro que não tem pulga, vai ter ou já teve".

Ainda duvido que o deputado Paulinho seja cassado. Os personagens podem até mudar, mas o enredo acaba sendo, lamentavelmente, sempre o mesmo.