quinta-feira, maio 29, 2008

A trama do Planalto contra a CPI dos cartões

Adelson Elias Vasconcellos

Cartão pagou motel e boate, e até internet de Lulinha.

Informações como esta não serão utilizadas pelo deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) em seu relatório, conforme ele mesmo já antecipou.

Bem, a CPI foi instalada não para investigar gastos passados, e sim o exagero, diria até exagero criminoso, no uso com os tais cartões corporativos. Claro que há muita patifaria que sequer será divulgada, mas que foi cometida pela turma do Planalto, Lula inclusive.

Quando de um total de 75 milhões de gastos num único ano, 57 milhões foram em saques de dinheiro em espécie na boca do caixa, então se está diante de uma descomunal monstruosidade.

Inúmeros foram os relatórios apontando as seguintes irregularidades cometidas exclusivamente pelo governo Lula::

a.- A falta de transparência da Presidência da República, que não permitia ir além do que 10% dos gastos para verificação;
b.- A falta de controle nas prestações de contas, indicando inclusive a apresentação denotas fiscais frias;
c.- O excesso de saques em dinheiro vivo.

Apenas estes três pontos seriam suficientes para que se realizasse uma CPI rigorosa, e por certo, muita patifaria teria aflorado. Contudo, mas a grosso modo grande parte do montante de irregularidades explodiria no colo do presidente, se permitiu a realização da CPI apenas como farsa, para dizer à sociedade que se investigava alguma coisa, mas sabendo-se de antemão que nada seria apurado. O objetivo era desgastar e cansar o escândalo até seu esquecimento.

A questão do dossiê não foi uma situação irreal, ou casual. Ela foi criada justamente para gerar uma camada superficial de “pseudo-escãndalo” para que ficasse em segundo plano, como de fato ficou, o foco principal: o uso criminoso dos tais cartões, e principalmente os praticados pela presidência da república.

Reparem como as coisas não se combinam, se formos analisar com maior apuro todos os fatos: para a Casa Civil nunca existiu um dossiê, e sim a confecção de um banco de dados para atender ao pedido do TCU e, se solicitado, atender à CPI. Muito bem, se o “tal” banco de dados foi feito com tal propósito, e tinha por meta facilitar análise e permitir controle, por que então, quando a CPI solicitou documentação sobre os gastos, o governo enviou caminhões de papelório, e não simplesmente as planilhas que poderiam ser condensados em meia dúzia de CDs? Ora, o objetivo está posto: diante da avalanche de papel, sabia-se que ninguém se deteria em ficar 24 horas por dia a examiná-los. Tarefa inútil , principalmente, extenuante. Mas, para efeitos externos, vamos divertir o circo com palhaçada. Daí porque a criação do dossiê.

E observem: tendo maioria nas comissões, a base governista impediu toda e qualquer convocação de pessoas que poderiam digamos, incriminar o governo. Não permitiu acareação sequer entre os protagonistas principais do dossiê. E, o moleque de recados, fazendo pose como relator da CPI, dentro do maior cinismo que alguém pode ostentar, continuará até o final sua ação escrota de impedir a investigação de quaisquer irregularidades.

Contudo, apesar dos vagabundos fazerem o máximo de esforço possível para empurrar a imundície para baixo do tapete, de vez em quando respinga algumas “despesas” bancadas com dinheiro público. Imaginem se houvesse, de fato, uma devassa séria o quanto de patifaria não se ficaria sabendo...

Em frente: De pagamento de gastos com serviços de internet, contas em casa de strip-tease e diária em motel, o relatório de Fiscalização de Gastos da CPMI dos Cartões Corporativos está cheio. Durante a apresentação do sub-relator, deputado Indio da Costa (DEM-RJ), foram relatadas várias despesas indevidas com cartões, como por exemplo, o pagamento de serviços de internet de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República. Informações como esta não serão utilizadas pelo deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) em seu relatório, conforme ele mesmo já antecipou. O deputado Índio da Costa também citou um pagamento de uma conta em uma casa de strip-tease em Salvador, feito por Jorge Pinheiro, da Superintendência Federal de Agricultura e Abastecimento na Bahia e a despesas de um motel em Brasília pagas com cartão corporativo pelo servidor público José C.N.

Muito embora o bando de petistas no Congresso atuem no sentido de impedir investigações, o fato é que, quanto maior a sujeira que se tenta esconder, principalmente as que se relacionam ao Luiz Inácio e sua coorte, mais fica a certeza de aquilo que se mantém em “sigilo”, representa, não há dúvida, não um simples “mau uso” do dinheiro público, representa crime de malversação, apropriação indevida, já que são milhões de reais dos cofres do tesouro que estão sendo empregados para bancar despesas pessoais, a maioria das quais, já se vê,ou de ostentação ou para os “prazeres” de cada um, longe portanto, do que se entende de “interesse público”. E estejam certo: isto é um minúsculo grão de areia perto dos bilhões que se torram sem a menor necessidade, e o que é pior: sem retorno algum para a sociedade que é de onde se esfola o bolso dos que trabalham e produzem, e além de nada receberem, ainda vêem seu dinheiro sendo usado em exclusivo proveito pessoal dos governantes.

Como dos bilhões que se arrecada grande parte sustenta a banca que nunca na vida ganhou tanto dinheiro como neste governo, e outro parte, considerável por sinal, é desviada para “outros fins”. Assim, na hora que precisam de dinheiro para investimentos em saúde,por exemplo, inventam de assaltarem um pouco mais os bolsos de todos nós. Até quando ?

Enquanto perdurar este governo com a maioria parlamentar que tem, todas as malvadezas serão permitidas, porque, disto também não se tem nenhum resquício de dúvida, o Congresso Nacional há muito tempo deixou de representar a voz da sociedade, para tornar-se na secção de serviços para atendimentos os interesses pessoais do Executivo Federal. CPI de cartões, mensalão, sanguessugas, ou até ONGs, jamais apontarão nada que repercuta no Executivo. Serão o que a dos cartões corporativos se transformou: num imenso circo para vender como verdade (?) a farsa de se investigar qualquer coisa.

Claro, ao final, uma pergunta se impõem: mas, e a oposição ? Respondo com outra mais importante ainda: mas que “oposição”?