Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil
Quando mudei do Leblon para a Gávea, lá se vão quase 13 anos, troquei as caminhadas no calçadão com amigos que raramente revejo pela descoberta do Jardim Botânico e todas as suas vantagens, desde a segurança do parque fechado e com guardas ao prazeroso e incomparável retorno à infância da casa tijucana com amplos jardins. Os joelhos agradecem o piso macio e os olhos lavam os ciscos da cidade imunda com o verde em todas as suas nuances.
Muitos, desde o maestro Tom Jobim repetiram a constatação de obviedade instantânea que o JB é o mais lindo espaço da antiga Cidade Maravilhosa, que se degrada com o ciclo do fracasso da administração pública em todos os níveis. Sem saída visível a olho nu.
Em manhã desta semana a família marcou encontro no JB para a foto clássica. E dos avós oitentões a bisneta faladeira, era visível a euforia que iluminava o rosto e descontraia as risadas.
Caminhante veterano notei um significativo aumento da freqüência, embora muito longe dos engarrafamentos da nossa desdita rotineira. Ainda assim, pouca gente para o espaço Dom João VI freqüentava com assiduidade – como relembra o artigo do seu Boletim Mensal de julho, em texto enxuto e elegante de João Sérgio Marinho – quando a viagem entre o Palácio Imperial, na Quinta da Boa Vista, e o sítio no Jardim Botânico representava "uma aventura que exigia dos seus participantes um grande amor e uma grande vontade de visitá-lo".
Hoje, a barafunda do trânsito com os engarrafamentos de todas as horas, certamente que impõe a irritação do tempo, que é vida, que se desperdiça.
Mas a badalação caprichada para a comemoração do seu ducentésimo aniversário, da data oficial de 13 de junho, antecipada pelo Simpósio JB + 200 e seguida de várias inaugurações, ainda rende um crescente aumento da freqüência que oscila entre 3 mil visitantes aos sábados e aos domingos. Longe do recorde de 8 mil da explosão do bicentenário.
Um dedo de prosa com os seus antigos servidores – na virtual unanimidade de extrema dedicação ao que não é apenas um emprego, mas um compromisso de vida com a defesa da natureza – surpreende a oscilação pendular entre o desinteresse do público e as suas justificativas com o tempero filosófico. O Jardim Botânico não é, nunca foi um espaço aberto para as ruidosas festanças de arromba. Se os portões estão abertos para o público, são muitas e óbvias as restrições impostas pela necessidade de proteger as árvores, plantas, animais. Ali não se permite o piquenique, a bicicleta, a bola, a bagunça. Se não é uma disciplina de convento, também não se admite a algazarra que espanta os jacus, as rolinhas, os sabiás, os macacos e micos que atraem estrangeiros em grupos e divertem a garotada.
É o espaço preferido pelos fotógrafos para os álbuns de casamento, de misses, de primeira-comunhão ou de formandos. Simples a explicação: não apenas a beleza e variedade do cenário facilitam a vida do profissional especializado, como a segurança protege o equipamento que custa uma fortuna.
A natureza tem os seus truques, que escampam à nossa perspicácia. O Jardim Botânico não resistiria à depredação da súcia que rouba os óculos da estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, furta quadros de museus, suja as paredes e muros, joga papel usado no chão e transformou o Centro da cidade numa lixeira ocupada pela vadiagem que assalta o transeunte que ainda não se convenceu que o Rio virou uma imensa favela.
O conselho aos que nunca foram ao Jardim Botânico para que conheça o mais bonito espaço do Rio é de inspiração generosa. Com a sua cota de insensatez.
Quando mudei do Leblon para a Gávea, lá se vão quase 13 anos, troquei as caminhadas no calçadão com amigos que raramente revejo pela descoberta do Jardim Botânico e todas as suas vantagens, desde a segurança do parque fechado e com guardas ao prazeroso e incomparável retorno à infância da casa tijucana com amplos jardins. Os joelhos agradecem o piso macio e os olhos lavam os ciscos da cidade imunda com o verde em todas as suas nuances.
Muitos, desde o maestro Tom Jobim repetiram a constatação de obviedade instantânea que o JB é o mais lindo espaço da antiga Cidade Maravilhosa, que se degrada com o ciclo do fracasso da administração pública em todos os níveis. Sem saída visível a olho nu.
Em manhã desta semana a família marcou encontro no JB para a foto clássica. E dos avós oitentões a bisneta faladeira, era visível a euforia que iluminava o rosto e descontraia as risadas.
Caminhante veterano notei um significativo aumento da freqüência, embora muito longe dos engarrafamentos da nossa desdita rotineira. Ainda assim, pouca gente para o espaço Dom João VI freqüentava com assiduidade – como relembra o artigo do seu Boletim Mensal de julho, em texto enxuto e elegante de João Sérgio Marinho – quando a viagem entre o Palácio Imperial, na Quinta da Boa Vista, e o sítio no Jardim Botânico representava "uma aventura que exigia dos seus participantes um grande amor e uma grande vontade de visitá-lo".
Hoje, a barafunda do trânsito com os engarrafamentos de todas as horas, certamente que impõe a irritação do tempo, que é vida, que se desperdiça.
Mas a badalação caprichada para a comemoração do seu ducentésimo aniversário, da data oficial de 13 de junho, antecipada pelo Simpósio JB + 200 e seguida de várias inaugurações, ainda rende um crescente aumento da freqüência que oscila entre 3 mil visitantes aos sábados e aos domingos. Longe do recorde de 8 mil da explosão do bicentenário.
Um dedo de prosa com os seus antigos servidores – na virtual unanimidade de extrema dedicação ao que não é apenas um emprego, mas um compromisso de vida com a defesa da natureza – surpreende a oscilação pendular entre o desinteresse do público e as suas justificativas com o tempero filosófico. O Jardim Botânico não é, nunca foi um espaço aberto para as ruidosas festanças de arromba. Se os portões estão abertos para o público, são muitas e óbvias as restrições impostas pela necessidade de proteger as árvores, plantas, animais. Ali não se permite o piquenique, a bicicleta, a bola, a bagunça. Se não é uma disciplina de convento, também não se admite a algazarra que espanta os jacus, as rolinhas, os sabiás, os macacos e micos que atraem estrangeiros em grupos e divertem a garotada.
É o espaço preferido pelos fotógrafos para os álbuns de casamento, de misses, de primeira-comunhão ou de formandos. Simples a explicação: não apenas a beleza e variedade do cenário facilitam a vida do profissional especializado, como a segurança protege o equipamento que custa uma fortuna.
A natureza tem os seus truques, que escampam à nossa perspicácia. O Jardim Botânico não resistiria à depredação da súcia que rouba os óculos da estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, furta quadros de museus, suja as paredes e muros, joga papel usado no chão e transformou o Centro da cidade numa lixeira ocupada pela vadiagem que assalta o transeunte que ainda não se convenceu que o Rio virou uma imensa favela.
O conselho aos que nunca foram ao Jardim Botânico para que conheça o mais bonito espaço do Rio é de inspiração generosa. Com a sua cota de insensatez.