Adelson Elias Vasconcellos.
Na coluna “Enquanto isso...” da edição de ontem, comentamos o rolo armado por Minc na divulgação do cadastro dos 100 maiores desmatadores do país. A certa altura, afirmamos que, tentando surpreender o mundo, Minc acabou sendo por ele surpreendido. Na tal lista, constava o INCRA como responsável de mais de 40% do desmatamento amazônico, o que provocou um alvoroço só. O INCRA saiu a campo criticando a tal lista, e acusando a FUNAI, QUE POR SUA VEZ, ACUSOU O IBAMA. Hoje, para entornar o caldo de vez, a dona Marina Silva, ex-IBAMA, saiu de seu silêncio, e não deixou por menos: classificou de pirotecnia tornar pública uma lista sem sequer tê-la lido, como Minc alegou ontem, diante das reações do Incra. Ela disse também que a força-tarefa anunciada por Minc para processar os criminosos ambientais já existe desde março.
Mas a confusão ainda não estava totalmente armada: não bastasse o senhor Minc divulgar uma lista de “malfeitores” segundo seu juízo, sem se dar ao trabalho de sequer ler o que continha a dita cuja, veja a pérola com que ele tenta se justificar: “...Não li porque não sou fiscal e confio nos órgãos [do Ministério do Meio Ambiente, no caso o Ibama]. A lista estava pronta há sete meses, e eu disse que era para divulgar".
Como que é ? A lista estava pronta havia SETE MESES? Isto significa dizer que todo este arranca rabo com o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, foi de mentirinha, só para enganar a torcida? Porque se a lista era do conhecimento do governo há SETE MESES, então se sabia que o vilão não era o governador, e sim o próprio INCRA (leia-se MST), órgão subordinado ao Ministério da Reforma Agrária! Esta turma é, definitivamente, de uma descomunal e colossal picaretagem ! Não há como entender diferente.
Aliás, bem que antecipamos, antes mesmo de Minc assumir o posto da dona Marina Silva, que ele, pelos discursos e posturas que deu e tomou antes mesmo de assumir o cargo , que, no decorrer do tempo, acabaria gerando muito mais dor de cabeça para Lula do que soluções para a pasta que iria comandar. Agora se vê que estávamos certos.
Claro que ao longo do dia, depois de ser confrontado pela turma do INCRA e da Reforma Agrária, Minc começou a recuar na sua valentia, chegando a admitir as falhas e reconhecendo o mal-estar no governo. "Espero que, em 20 dias, o Ibama corrija os dados e informe quem mais destrói o meio ambiente no país", disse o presidente do Incra, Rolf Hackbart.
Bem, Minc arrumou uma bela confusão, não é mesmo? E, pelo andar da carruagem, estou certo de que, dentro de alguns dias, ele apresentará um relatório isentando todos aqueles ligados ao governo. Resta saber quem será o vilão da vez.
Na coluna “Enquanto isso...” da edição de ontem, comentamos o rolo armado por Minc na divulgação do cadastro dos 100 maiores desmatadores do país. A certa altura, afirmamos que, tentando surpreender o mundo, Minc acabou sendo por ele surpreendido. Na tal lista, constava o INCRA como responsável de mais de 40% do desmatamento amazônico, o que provocou um alvoroço só. O INCRA saiu a campo criticando a tal lista, e acusando a FUNAI, QUE POR SUA VEZ, ACUSOU O IBAMA. Hoje, para entornar o caldo de vez, a dona Marina Silva, ex-IBAMA, saiu de seu silêncio, e não deixou por menos: classificou de pirotecnia tornar pública uma lista sem sequer tê-la lido, como Minc alegou ontem, diante das reações do Incra. Ela disse também que a força-tarefa anunciada por Minc para processar os criminosos ambientais já existe desde março.
Mas a confusão ainda não estava totalmente armada: não bastasse o senhor Minc divulgar uma lista de “malfeitores” segundo seu juízo, sem se dar ao trabalho de sequer ler o que continha a dita cuja, veja a pérola com que ele tenta se justificar: “...Não li porque não sou fiscal e confio nos órgãos [do Ministério do Meio Ambiente, no caso o Ibama]. A lista estava pronta há sete meses, e eu disse que era para divulgar".
Como que é ? A lista estava pronta havia SETE MESES? Isto significa dizer que todo este arranca rabo com o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, foi de mentirinha, só para enganar a torcida? Porque se a lista era do conhecimento do governo há SETE MESES, então se sabia que o vilão não era o governador, e sim o próprio INCRA (leia-se MST), órgão subordinado ao Ministério da Reforma Agrária! Esta turma é, definitivamente, de uma descomunal e colossal picaretagem ! Não há como entender diferente.
Aliás, bem que antecipamos, antes mesmo de Minc assumir o posto da dona Marina Silva, que ele, pelos discursos e posturas que deu e tomou antes mesmo de assumir o cargo , que, no decorrer do tempo, acabaria gerando muito mais dor de cabeça para Lula do que soluções para a pasta que iria comandar. Agora se vê que estávamos certos.
Claro que ao longo do dia, depois de ser confrontado pela turma do INCRA e da Reforma Agrária, Minc começou a recuar na sua valentia, chegando a admitir as falhas e reconhecendo o mal-estar no governo. "Espero que, em 20 dias, o Ibama corrija os dados e informe quem mais destrói o meio ambiente no país", disse o presidente do Incra, Rolf Hackbart.
Bem, Minc arrumou uma bela confusão, não é mesmo? E, pelo andar da carruagem, estou certo de que, dentro de alguns dias, ele apresentará um relatório isentando todos aqueles ligados ao governo. Resta saber quem será o vilão da vez.
Agora não pensem que a confusão terá ponto final, não. Porque, rigorosamente, IBAMA, INCRA e Reforma Agrária padecem de competência e seriedade. A forma como estes organismos foram cooptados pela ideologia rumbuda do petê, não pode resultar, mesmo, em algo minimamente responsável.
Exemplo disto é a notícia da Folha que segue. Leiam e tirem suas conclusões:
Governo não consegue precisar data das devastações nos assentamentos
Com base apenas nos dados que sustentam a lista dos cem maiores desmatadores da região amazônica, divulgada anteontem pelo Ministério do Meio Ambiente, não é possível identificar o período de devastação nos assentamentos do governo federal.
A principal dúvida do núcleo agrário do governo petista é se o desmate nos projetos de reforma agrária ocorreu sob os mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002) ou já sob o governo Luiz Inácio Lula da Silva (a partir de janeiro de 2003).
Com base apenas nos dados que sustentam a lista dos cem maiores desmatadores da região amazônica, divulgada anteontem pelo Ministério do Meio Ambiente, não é possível identificar o período de devastação nos assentamentos do governo federal.
A principal dúvida do núcleo agrário do governo petista é se o desmate nos projetos de reforma agrária ocorreu sob os mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002) ou já sob o governo Luiz Inácio Lula da Silva (a partir de janeiro de 2003).
Mas é fato que as áreas dos assentamentos que aparecem nessa lista foram degradadas após a entrada das famílias assentadas, segundo imagens de satélite que integram a base de dados da lista e que foram visualizadas ontem pela Folha.
A degradação pós-assentamento, porém, não configura diretamente uma ilegalidade.
Até a edição da MP 2.166, de agosto de 2001, o assentado (ou qualquer proprietário rural da região amazônica) estava autorizado a derrubar metade da reserva legal de seu lote para avançar com a produção agrícola. Com a MP, o desmatamento legal caiu para 20%.
Por exemplo: o assentamento que aparece em terceiro lugar no ranking tem uma área de 99,9 mil hectares, sendo 46,8 mil desmatados, o equivalente a 47% do total. Como o projeto foi criado em 2000, não é possível saber com precisão, com base nas imagens que sustentam a lista, se o desmate ocorreu antes ou depois da medida provisória.