Adelson Elias Vasconcellos
O Itamaraty continua querendo mascarar a realidade do que se passa no Suriname em relação aos brasileiros. A conta gotas, contudo, e pouco a pouco, tem se obrigado a ser curvar para a realidade que vem se impondo de forma inquestionável. Diante de tudo que já comentamos e condenamos, a última, e isto depois de mais de uma semana de atraso, é se dar conta de que, o que aconteceu no Suriname, foram sim atos de pura selvageria. Falta eles aceitarem ainda duas coisas: uma, a de que houve, mesmo, vítimas fatais entre os brasileiros que foram covardemente espancados às vésperas do Natal. E a outra, talvez até demore um pouco mais, é de que o clima existente entre os quilombolas do Suriname contra os brasileiros, é de pura xenofobia. Os testemunhos dos garimpeiros tem sido bastante claros neste sentido. A ação perpetrada na semana do Natal, não foi um ato isolado como se tenta vender. Foi, evidente, o mais violento, mas nunca um ato único.
Desde que o caso veio a público temos condenado o comportamento que o Itamaraty resolveu adotar. Inicialmente, tentou-se mostrar ao país de que as agressões não teriam sido tão violentas assim, como se buscassem uma forma de culparem as vítimas e aliviar os bandidos. Em seguida, nossos diplomatas se apressaram em desmentir a existência de mortes, coisa que os garimpeiros que viveram e passaram os horrores do ataques, continuam desmentido. Depois, simplesmente, ignoraram a declaração das brasileiras de que, durante os ataques, teriam sido vítimas de estupro.
Teimosamente, e diante de todas as evidências, apressaram-se, portanto, em garantir que o ataque tinha sido um ato isolado, que não representava nenhuma xenofobia em relação aos brasileiros, e a de que a situação já estaria sob controle.
Na reportagem da Folha online, post abaixo, nosso embaixador já admitiu que os ataques foram selvageria, assim como, ontem, outro diplomata admitiu os estupros contra pelos menos 20 brasileiras.
Agora, os próprios brasileiros que estão retornando ao Brasil, estão afirmando que a ajuda prometida pela embaixada, não está sendo suficiente, e sequer está cumprindo com o que, inicialmente, se prometera.
Juntado tudo isso, fica clara que a nossa crítica não tem sido infundada. Primeiro, pela falta até de reação ou de uma nota oficial que deixasse claro o repúdio não apenas ao ataque aos brasileiros, mas a qualquer tipo de violência cometida contra estrangeiros. Isto não foi feito até agora, e a rigor, não acredito que nem o governo tampouco o Itamaraty ainda o farão. O tempo certo para se pronunciarem já passou. A omissão covarde já se está registrada na história da longa lista de ações deploráveis por parte do Ministério comandado por Celso Amorin.
Segue-se que, ao não reconhecer de pronto a barbárie estúpida cometida contra cerca de 70 brasileiros, e sim tentar de forma vexatória “contemporizar” os acontecimentos, o Itamaraty fez sua opção em favor dos bandidos, e não de assistir e amparar os brasileiros agredidos.
Depois, na demora em admitir que o acontecido, de fato, foi selvageria elevada à sua máxima potência.
As imagens que já exibimos aqui não deixam dúvidas quanto a violência noticiada. Mas, sobretudo, elas são provas inconteste de que a omissão, o descaso, o desamparo, a falta de uma posição firme de condenação à violência cometida contra os brasileiros, dá bem a tônica do governo comandado por Lula, a de ser covarde, omisso e passivo quando se trata de defender os reais interesses do país.
Comparem a falta de atitude de agora em relação ao Suriname, com a que protagonizaram tanto Lula quanto Amorin e Marco Aurélio Garcia para apoiarem o aprendiz de golpista em Honduras, o tal Zelaya, que está “hospedado” na embaixada brasileira em Tegucigalpa, há mais de quatro meses. Ou, ainda, com o destrambelhamento dos mesmos protagonistas, para se alinharem a Chavez e Correa contra a Colômbia, quando esta atacou e matou líderes terroristas das FARC’s.
Ou, ainda, na posição passiva e subalterna quando a Bolívia, de Evo Morales, colocou o exército de seu país na usina da Petrobrás, para em seguida, de forma ilegal, expropriá-la.
Assim, para os brasileiros que estão no exterior, o melhor que tem a fazer é rezarem para não serem atacados e vitimados por atos de violência. Porque, caso contrário, se precisarem de amparo e solidariedade da nossa diplomacia, estarão condenados ao desamparo total. O governo brasileiro, está comprovado, os deixará entregues à própria sorte. A preocupação dos canalhas é se alinharem e dar apoio à corja de bandidos e terroristas, de ditadores e sanguinários que fazem a desgraça do mundo.
E estes caras ainda querem cadeira cativa no Conselho de Segurança da ONU? Com que moral, incapazes que são em defender seu próprio povo ?