quinta-feira, dezembro 31, 2009

ENQUANTO ISSO...

Ataques a brasileiros foram "selvageria", diz embaixador no Suriname

Folha Online

O governo do Brasil cobrou do Suriname alerta máximo para evitar que novas ameaças a brasileiros que estão em áreas de garimpo no país vizinho se concretizem. Em entrevista à estatal Agência Brasil, o embaixador do Brasil em Paramaribo, José Luiz Machado e Costa, disse nesta terça-feira que os ataques aos brasileiros na véspera do Natal foram "atos de selvageria e de violência extrema".

Seguindo a linha adotada pelo Itamaraty, Costa não confirmou as denúncias de que 20 brasileiras teriam sido estupradas e de que haveria desaparecidos.

"Jamais minimizamos a gravidade de tudo o que ocorreu. Agora trabalhamos para administrar a crise e dar assistência às vítimas e suas famílias. O que houve no dia 24 foram atos de selvageria e violência extrema", disse ele, que negou haver xenofobia contra os brasileiros no país vizinho. "Os brasileiros nunca tiveram problemas no Suriname. Sempre houve uma tolerância muito grande com os brasileiros. Quando a embaixada perguntava quem queria voltar, não havia demonstrações de interesse."

Pelo menos três brasileiros continuam internados em estado grave em um hospital de Paramaribo após o violento ataque que deixou ao menos 25 feridos. Segundo o Ministério de Relações Exteriores do Brasil, nenhum dos brasileiros corre risco de morte.

Em nota enviada à imprensa nesta terça-feira, o ministério reafirmou que não há confirmação oficial de nenhuma morte e nem de desaparecimentos.

"Em sua grande maioria, os brasileiros que vivem na região de Albina trabalham em garimpos no interior do Suriname e da Guiana Francesa e costumam passar semanas na floresta, incomunicáveis. Por esse motivo, é necessário aguardar antes de considerar 'desaparecido' qualquer desses cidadãos", segundo o ministério.

Dos 25 brasileiros feridos dos quais havia informações, 20 já receberam alta. Cinco ainda estão internados e deverão ser levados para Belém em voo da FAB nesta quarta-feira, dia 30, informou o Itamaraty. Os brasileiros transferidos para Paramaribo estão instalados provisoriamente em hotéis na capital e poderão também ser transportados para o Brasil, caso expressem esse desejo.

Em reunião com o embaixador do Brasil, a chanceler do Suriname, Lygia Kraag, expressou, em nome do Presidente Ronald Venetiaan, a "profunda desolação" do governo do Suriname em relação ao ocorrido, segundo a nota, segundo a qual, ela declarou que o governo tomará todas as providências necessárias para que fato similar não se repita.

Segundo o embaixador brasileiro, a situação está se normalizando e deve, aos poucos, se estabilizar, e o governo do Suriname, tomou providências após comunicações do governo brasileiro.

"Foi reforçado o policiamento em todas as regiões de garimpo no país e a cobrança interna e externa é imensa. A dificuldade é que a atividade do garimpo de ouro é ilegal e, aliado a isso, os que atuam nela não têm documentos nem são identificados.

Enquanto isso...

Ajuda do governo, no Suriname, foi insuficiente, diz brasileiro
Vanessa Vieira, Redação Terra


Familiares recebem uma brasileira que saiu do Suriname

Um dos 32 brasileiros que desembarcaram em Belém do Pará vindos do Suriname, na noite dessa quarta-feira, denunciou que os brasileiros não receberam a ajuda necessária da embaixada. "Eles prometeram remédios, médicos e alimentos, mas nós só recebemos ajuda do brasileiro dono do supermercado Transamérica, em Albina. Agora eles deram cem dólares para gente. Não sei como vai ser para eu voltar para Macapá", disse o ambulante Roni Pereira da Silva, 24 anos, que foi atingido por estilhaços de granada quando aconteceram os ataques.

Três dos brasileiros voltaram feridos no avião. O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou na capital paraense, às 21h30, mas houve demora no desembarque por conta da prioridade dada aos três brasileiros que necessitaram de ambulância para levá-los ao hospital. A chefe da Divisão de Assistência Consular do Itamaraty, Luiza Lopes da Silva, acompanhou os brasileiros durante a viagem.

O primeiro brasileiro a desembarcar direto para a ambulância foi o maranhense Raimundo Silva Pereira, 36 anos. O irmão dele, o paraense Paulo Silva, contou que a onda de ataques contra os brasileiros na região de Albina, no Suriname, começou no bar de propriedade dele. Paulo veio para Belém, no último dia 11 de dezembro, para passar com a família as festas de final de ano e deixou o irmão administrando o comércio. No dia 24 de dezembro, um brasileiro que freqüentava o bar, ao se sentir ameaçado por um "marron", nome dado aos quilombolas do Suriname, matou o suposto agressor com uma facada. Algumas horas depois, o bar foi atacado, sendo Raimundo um dos primeiros a ser agredido. "Ele só sobreviveu porque desmaiou e eles pensaram que ele tinha morrido", revelou. A partir daí, os atos de vandalismo teriam se espalhado pela região.

Itamaraty
A representante do Itamaraty negou as denúncias. Luiza Lopes disse que o governo brasileiro fez tudo o que foi possível para ajudar os brasileiros. Afirmou que os feridos foram encaminhados para hospitais. "Estamos concluindo apenas uma parte do nosso trabalho. Trouxemos todos os brasileiros que demonstraram interesse em voltar. Nosso desafio agora é ajudar os que ficaram a viverem com dignidade no Suriname", garantiu. Luiza afirmou ainda que, até agora, não houve a confirmação de mortos.

Os brasileiros resgatados foram levados para hotéis e os feridos foram encaminhados ao hospital da Ordem Terceira em Belém. O governo do Pará ofereceu assistência por meio das Secretarias de Saúde, Direitos Humanos e Administração.


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