Adelson Elias Vasconcellos
Apesar de longo, este artigo precisa ser lido até o fim para ser entendida a mensagem que contém. Muito embora não esgote o tema central, todavia descreve o que está em curso no Brasil atualmente. E, vai além de uma simples advertência: identifica alguns dos claros sinais da destruição da soberania brasileira, apesar do discurso oficial pregar o contrário.
Ontem, publicamos aqui, sem acrescentar nenhum comentário, o tal decreto cuja origem se anuncia como sendo da Secretaria comandada por Paulo Vanucchi, a tal de Direitos Humanos. E não o fizemos por uma razão principal: é que a notícia, da forma como foi divulgada, apontava a crise que o decreto instalava, mas não contava toda a “verdade” de que como havia sido se “pensado” nos interiores do poder, tanto sua arquitetura quanto sua edição final..
Assim, e como é de hábito, prefiro deixar os acontecimentos aflorarem um pouco mais, porque é inevitável que aquelas verdades ocultas apareçam. E a notar: muito embora o decreto tenha origem na Secretaria de Paulo Vanucchi, ao ler seu conteúdo e os objetivos a que o decreto se propõem alcançar, imediatamente identifica-se o cheiro da ideologia vigarista e as digitais de ninguém menos do que Tarso Genro, aquele cidadão que, ao ocupar a cadeira do ministério mais antigo do país, a torna menor, coisa de raia miúda, coisinha ordinária, que não condiz com os grandes brasileiros que por ela passaram.
Não faz muito, Genro publicou um livro no qual, ao seu modo vigarista, tenta vender a ideia de que precisamos rever a Lei de Anistia datada de 30 anos atrás, para promover uma espécie de “conciliação nacional”. Muito embora não se constate nenhuma desarmonia pela existência da lei, até pelo contrário, além do fato de que modelou uma transição pacificadora da ditadura militar para a democracia. Sem ódios, sem derramamento de sangue, principalmente, sangue de inocentes.
A construção deste decreto tem sim seu nascedouro original, na sua concepção ao menos, a partir da mente perturbada de Tarso Genro que acha que não basta apenas atropelar a lei, precisa também adicionar uma dose super-extra de chute na história. Sabendo que teria grande resistência de vingar sua cretinice, deixou que a tal Secretaria que seria de Direitos Humanos para TODOS, e se trata apenas de Direitos Humanos em favor das Esquerdas, e que acabou negociando com os comandantes militares um acordo que servisse e atendesse os dois lados da história. Aqui um parênteses. Quando falo dos dois lados da história, não estou colocando os militares de um lado, e as vítimas da ditadura de outro. As vítimas, continuam vítimas, mas também existiram pela ação das esquerdas, lado que se aproveitou do momento histórico para aparecer bem na foto. No início dos anos 60, antes de 1964 acontecer, havia um movimento intenso de terrorismo para impor no país uma ditadura de esquerda. Sabedores disto, os militares se anteciparam e implementaram a sua. Mas os “comunas” não se deram por vencidos. Partiram para a luta armada e, muito mais do que os militares, praticaram toda a sorte de crimes. Se nos porões dos quartéis imperava a tortura e, fruto dela assassinatos aconteceram, as esquerdas sequestravam, roubavam, assassinavam, faziam explodir bombas caseiras, promoviam badernas e arruaças, em defesa não da democracia, regime que eles sempre desprezaram, mas em defesa da ditadura socialista.,
A lei de anistia, de 1979, limpou os crimes dos dois lados. O perdão foi mútuo, e por ele os militares arrefeceram e cederam outros passos para que o Brasil se reconciliasse e pudesse ter de volta seu regime democrático. Rever esta lei, agora, trinta anos depois, mas querendo a vindita contra apenas um dos lados, é vergonhoso, indecente, imoral. Os militares aceitam rever a lei, sim, mas desde que se julguem também os crimes das esquerdas e estes não foram poucos.
A crise levantada pela área militar se dá porque, contrariamente ao que tinha se negociado, o texto final do tal decreto, simplesmente ignorou os crimes das esquerdas. E esta tática, surda e traiçoeira, teve outras ilustres figuras engajadas: se antes a ideia era de Genro e Vanucchi lhe deu substância, a ação de rasgar o acordo para fazer vingar um texto corrompido, teve sim a participação cúmplice de Franklin Martins e, principalmente, Dilma Rousseff. Por que ela? Simplesmente porque é de sua competência exclusiva rever e analisar todo e qualquer texto encaminhado à sanção presidencial.
A posição de Jobim, ministro da Defesa, vai mais longe do que a dos militares do Alto Comando das três armas: é visceralmente contrário a revisão da lei de anistia e ponto final.
O que impressiona não é o modo sorrateiro como se tentou vender uma traição à história do país. Foi o fato de se colocar na frente de Lula, que nunca lê nada do que assina, um texto deformado e contrário a acordos prévios para seu encaminhamento. Isto deveria valer até em demissão dos autores da proeza. Ou seja, tentativa de sabotagem do governo. Para as esquerdas, nada de mais. Faz parte de seu DNA este tipo de ação. Para agentes do GOVERNO, ministros diretamente, tentarem fazer o presidente de bobo, fazendo-o assinar um texto vigarista e sem ter sido alertado para isto, é que é inconcebível.
Claro que nada vai lhes acontecer . Não seria nesta altura do campeonato que Lula criaria uma crise interna sem precedentes. Ele tentará, ao seu modo, contornar os embaraços e, se possível, enquadrar sua turma.
Mas por que se percebe a ação subterrânea do Tarso Genro? Se o problema se restringisse apenas à Secretaria de Direitos Humanos, apenas Paulo Vanucchi teria sido convocado por Lula. Mas não, ele chamou também o Genro que, a rigor, pelo noticiário inicial, sequer aparecia na foto. Além disto, terminada a reunião com Lula, Tarso foi o primeiro a sair a campo tentando dar uma de bombeiro, dizendo não haver atritos entre os ministros Jobim e Vanucchi. E sua entrevista é uma proeza de cinismo e cretinice.
O fato, gente, é que, a rigor, Lula deveria era simplesmente jogar no lixo este decreto. Não se coaduna com o espírito que vive o país. Não serve para recuperar coisa alguma da história, só para enxovalhar o passado, e “limpar” a reputação das esquerdas, nos quais Dilma Rousseff pertenceu a uma organização terrorista, homicida mesmo: a Vanguarda Popular Revolucionária. Franklin Martins também praticou terrorismo. O seu MR-8 sequestrava e matava. Vanucchi foi da Ação Libertadora Nacional, o que significa dizer que era um servo do Manual da Guerrilha, de Carlos Marighella, um verdadeiro manual de terrorismo, que pregava até ataques a hospitais e dizia por que os bravos militantes deviam matar os soldados. Não foram simplesmente coadjuvantes, foram protagonistas de crimes e não contra o regime, mas contra o país.
Assim, revisar a lei de anistia apenas para lavar a reputação de um dos lados, e deixar toda a porcaria no colo do outro, é uma descomunal aberração e, obviamente, praticar uma injustiça histórica apenas para salvaguardar interesses que nada têm a ver com a chamada conciliação nacional. O país todo já paga uma pesada quota de indenizações para as vítimas reais da ditadura militar. Não pode agora, pela vigarice dos bandidos e terroristas esquerdistas, cometer o crime de tentar reescrever sua história com a pena da mentira e da calúnia. A reação compactada da área militar com o ministro da Defesa que encampou a oposição ao decreto com o texto com que Lula o assinou, pode talvez adiar a real pretensão do grupo de terroristas com assento no poder, mas não lhes retira o desejo firme de seguirem com seus planos de traírem o país. Assim, e por enquanto, estamos a salvo, nossa democracia ainda resiste. Por quanto tempo, dependerá da própria sociedade.
O que me parece estranho nesta história macabra, que este grupelho de pilantras tenta impor ao país, é que as reais vítimas não estão fazendo corrente nenhuma buscando a revisão. A iniciativa toda tem partido justamente daqueles que lutaram contra o regime militar, não por amor à democracia, mas porque sua ambição, seu projeto político era em favor de uma outra ditadura e foram derrotados. A tentativa solerte deste sentimento revanchista não para fazerem “justiça” às vítimas dos militares, mas é a maneira esdrúxula de limparem e apagarem os crimes de seus passados para, quem sabe, justificarem a proclamação, com as cores do século 21, de seu império do terror. Entendem que agindo assim, se terá menos resistência, e poderão agir com maior credibilidade no presente. Enganam-se aqueles que os veem como bem intencionados mensageiros da paz. Na realidade, o que pretendem é acionar o gatilho do horror e das trevas e ver, finalmente, triunfar e vingar no presente sua cartilha assassina.
Esta gentalha nunca teve e nunca terá limites. Basta vermos o que acontece nos países onde se instalaram no poder, para sabermos o quão distante é sua proposta de pacificação, de reconciliação.
Além disto, serve a crise, que o tal decreto acabou criando, como um alerta para o que seria um provável governo com Dilma na presidência. Exemplo disto, além da tentativa vigarista de reescreverem a história, é o ocorrido às vésperas do Natal e que na imprensa em geral, não se leu uma vírgula sequer: Tarso Genro entregou à sanção presidencial, a Lei Nº 12.157 - que modifica a Lei Nº 5.700, lei esta que trata sobre a forma e apresentação dos símbolos brasileiros. Pelo artigo 13 da nova lei , devem ser hasteadas, todos os dias, em conjunto, as bandeiras do Brasil e do Mercosul. É o desmanche simbólico do Estado Nacional Brasileiro. Ou seja, aquele que deveria ser o maior pavilhão da nossa identidade, acima de quaisquer outros símbolos, terá que repartir sua importância com a do Mercosul. Foi rebaixada em importância. E não pensem que o tal decreto e a lei que rebaixa a bandeira nacional a um símbolo menor do país, foram meras coincidências serem editadas na mesma data: fazem parte de todo o PROCESSO em curso, composto, assim, de várias etapas.
Alguém ainda duvida dos reais propósitos da cambada de traidores? Lentamente, e sem que o país perceba, os terroristas de ontem, que hoje estão no poder, vão sabotando nossos símbolos, nossa história, nossa cidadania e, se nada for feito para impedi-los, cedo ou tarde, eles destruirão nosso regime democrático.
Todos os sinais reveladores do projeto em construção, para a submissão do Brasil à cartilha socialista que destrói, sem pejo, liberdades e garantias individuais e o estado democrático de direito, estão claros e visíveis. Só não os vê quem não quer ou compartilha e flerta com regimes de exceção. Reclamar depois não vai adiantar. Porque, com eles, o ”depois” não existe: eles tratam a oposição do mesmo modo como se vê na Venezuela, Cuba, Coréia do Norte e agora no Irã. Ou reagimos agora enquanto é possível protestar, ou, depois, eles nos calarão para sempre, em seu sentido mais amplo da palavra...