Jornal do Brasil
BRASÍLIA - A crise política que abateu o Senado e o anúncio de medidas para reduzir as despesas da Casa em meio à instabilidade que atingiu a instituição no ano passado não foram suficientes para reduzir os gastos do Senado com o pagamento de horas extras para funcionários. De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Comunicação do Senado quarta-feira, as despesas com o benefício aumentaram em R$ 3,7 milhões em 2009. Os gastos com horas extras saltaram de R$ 83,9 milhões em 2008 para R$ 87,7 milhões em 2009.
A explicação da Casa para o crescimento é o aumento, autorizado em outubro de 2008, antes da crise institucional, portanto, no valor máximo da hora extra paga aos servidores. De acordo com a Secretaria de Comunicação, o valor dobrou, saindo de R$ 1.324,80 em 2008 para R$ 2.641,93, um crescimento de 99,42%.
Em nota divulgada quarta-feira, a secretaria argumenta que, apesar do aumento nos gastos, o Senado reduziu em média 35% o quadro de servidores que receberam horas extras ao longo de 2009 – consequência da redução no número de funcionários autorizados a cumprir jornadas além do horário normal de trabalho. “O número de servidores autorizados a fazer horas extraordinárias passou de 4.227 em 2008 para 2.763 em 2009, em razão de uma nova sistemática de controle adotada pela atual administração da Casa”, explica o órgão na nota, antes de classificar como um “sucesso” a redução da concessão de horas extras em 2009.
Em março do ano passado, o Senado chegou a anunciar mudanças no sistema de pagamento de horas extras na Casa. A maioria das medidas, porém, não saiu do papel. A principal delas seria a implantação de um sistema de ponto eletrônico para controlar os horários de entrada e saída dos servidores, mas o Senado ainda não modificou o atual modelo de marcação do ponto por meio um sistema de registro via internet. (Com agências)