Comentando a Notícia
E, aí, meu amigo o que você achou do debate? Gostou ou não? Fora uma que outra promessa, os grandes temas mais uma vez ficaram de fora.
E quais são estes temas? O câmbio, por exemplo. Como é que cada um, se eleito, vai tratar desta questão, cujos prejuízos à economia brasileira são visíveis? E sobre a agropecuária, como cada um vai compatibilizar a excelente capacidade nacional na produção de alimentos com a proteção ao meio ambiente? E na saúde pública, quando o brasileiro conseguirá ter atendimento de urgência decente sem precisar recorrer a um mandado judicial?
E quanto a infraestrutura: como se resolverá o sufoco atual? Reforma da previdência? Reforma tributária? Reforma política?
Nada disso se ouve falar, a não ser um rol de boa intenções.
Ora, quem está no poder há oito anos, já deveria ter um projeto para o Brasil com vistas aos próximos 5 a 10 anos à frente. E não se pode apenas apostar tudo no pré-sal por ser uma riqueza sobre a qual precisaremos ainda desenvolver tecnologia para a sua extração eem condições de viabilidade econômica.
Assim, quem poderia apresentar algo concreto por estar convivendo com a realidade da arrecadação e projetos em andamento seria a dona Dilma, não é mesmo? E o que a candidata do Lula nos diz ou apresenta? Vem bater na mesma tecla surrada das privatizações. Convenhamos, já encheu o saco este tema. Se o governo Lula era e é tão contra, por que não reverteu? Por que não reestatizou tudo? Além de manter tudo como estava, deu prosseguimento ao Programa Nacional de Desestatização, e ainda avançou nas concessões do sistema elétrico e rodovias – aliás, neste quesito, péssimo negócio para o país as mudanças introduzidas pelo governo Lula.
Portanto, não revertendo o que foi feito está sinalizando que seu discurso é eleitoreiro e demagógico, porque, sabe no fundo, que ao brasileiro o que interessa é a qualidade do serviço que recebe e se o que paga por este serviço está dentro do razoável. Na propaganda na tevê, Dilma tem a cara de pau de falar da Telebrás! Convenhamos, isto não se trata de ideologia política, e sim de má fé explícita.
Agora o que não dá para entender nas posições da dona Dilma, principalmente no debate de ontem na RedeTV, são seus questionamentos quanto a administração tucana no estado de São Paulo. Se a administração fosse tão desastrada assim, pode a dona Dilma me explicar por que o povo paulista mantém os tucanos no governo estadual já para vinte anos de mandato? Apenas isto já põe por terra tudo o que a candidata tentou desqualificar em seu adversário.
E é bom que se diga que São Paulo não é um estado povoado por indígenas desinformados, e seu povo, por sua formação intelectual, cultural e grau de informação qualificada, tem discernimento suficiente para avaliar o que lhe serve ou não. Se é bom e mantém, é porque as administrações tucanas tem dado o retorno que os paulistas esperam. Além disto, e conforme mostramos aqui ontem, dentre as quinze melhores cidades país para se viver no país, 14 estão localizadas em São Paulo. Quer falar de educação e segurança? Então vamos aos números – OFICIAIS. Nas provas do IDEB, os resultados são os seguintes: No ensino médio - 3º lugar; - Nas séries iniciais do ensino fundamental: 2º lugar.- Nas séries finais do ensino fundamental : 1º lugar. Segurança? Enquanto a média nacional é de 26 homicídios por 100 mil habitantes, em São Paulo é de 10.
O partido de Lula administra cinco estados: Acre, Piauí, Pará, Bahia e Sergipe. Só um, o Acre, atingiu a meta na área da educação. Na segurança, estão anos de luz de distância dos índices alcançados por São Paulo. Estou defendendo São Paulo? Não, estou defendendo a verdade, apenas isto.
Durante o debate, a Agência Brasil, estatal, teve o desplante de liberar a seguinte notícia: "Privatizações não foram suficientes para pagar juros e dívidas". Isto é que se pode chamar de picaretagem! Mas quem fez a dívida, foi FHC, por acaso? Ou a moratória decretada pelo Sarney foi sobre dívida futura? Além disto, o saneamento financeiro tanto dos estados quanto da União foi feito com o quê, com brisa? Como não havia dinheiro, o recurso foi colocar o rombo na dívida pública, escalonar seu pagamento no devido tempo, para que tanto os Estados quanto a União fossem amortizando estes débitos. Ou seja, no devido tempo, o retorno das medidas então adotadas se consumariam.
Dilma afirmou ainda que o Brasil foi o primeiro a entrar e o último a sair da crise financeira de 2007. Muito bem: graças a que mesmo? De um lado, foi o PROER quem regulou e fortaleceu o sistema bancário brasileiro, dando solidez ao sistema. De outro, o país já tinha a lei de responsabilidade fiscal que impedia que os governantes gastassem sem freio algum. E, claro, já tínhamos adquirido um colchão de segurança chamado reservas internacionais graças, de um lado, ao desenvolvimento excepcional da economia internacional que passou a consumir produtos nos quais o Brasil é excelente produtor, o agronegócio principalmente, demonizado às últimas pelos petistas e MST. De outro, graças ao saneamento e modernização do Estado feito a partir da chegada de FHC à presidência da República.
A menos que me engane, acho que dona Dilma errou a receita de seu bolo. Ela não disputa o governo paulista, até porque o tucano Geraldo Alckmin ganhou o pleito, em primeiro turno, contra Mercadante e todo o terrorismo praticado pelo PT e o governo federal comandado por Lula.
Deveria, por exemplo , ter explicado ao país não apenas o caso Erenice que, ontem, ela admitiu que a “companheira” e amiga errou, quando há cerca de um mês atrás afirmou que as acusações não passavam de factoide. Como deveria ter explicado melhor os casos do Cardeal que aplicou um calote de cerca de 500 milhões de reais, da tupamara que aplicou um golpe de 5 milhões de reais e do deputado que foi extorquido em 100 mil reais por assessor lotado na Casa Civil. Todos estes casos é sempre bom que se diga, ao tempo em que a companheira Dilma era a ministra chefe. Será que com tal currículo, a senhora Dilma Rousseff está qualificada a presidir o país? Quantos casos que ainda não vieram a publico ainda existirão que aconteceram na gestão de Dona Dilma à frente da Casa Civil, que provocaram rombo de milhões de reais aos cofres públicos, e dos quais ela se defende com um “eu não sabia de nada”?
Não apenas está na hora desta senhora, primeiro, respeitar a história e a memória nacionais, e parar com a lenga-lenga do “nós” contra “eles”. As comparações que se tentam fazer partem do pressuposto de que o país, antes de 1995, era um paraíso, e não era. Já disse que tal comparação só é possível aceitar partindo-se da comparação entre o país que FHC recebeu para governar, e o que ele entregou a Lula. Enquanto a média de crescimento da economia mundial de 1995 a 2001 não superou a 3,0% anuais, no período de 2002 a 2007 ela esteve acima de 8,0%.
Infelizmente, pelo formato adotado nestes debates na televisão, não há nem oportunidade tampouco tempo suficiente para se abordar estas questões e ainda discutir projetos de governo. Mas, mesmo assim, a tentativa de desqualificar o adversário fazendo “balanço” de seu governo à frente do executivo estadual, é pura falta de assunto, uma vez que o melhor juiz neste caso, que vem a ser o eleitor paulista, já deu seu veredicto. Manteve o PSDB que somará 20 anos de realizações e conquistas. Acho que Dilma perdeu uma boa oportunidade de ficar quieta.