Adelson Elias Vasconcellos
Na Alemanha nazista, Sturmabteilung abreviado para SA (em alemão "Se(c)ção Tempestade","Destacamento Tempestade" ou "Se(c)ção de Assalto") usualmente traduzida como "Tropas de Assalto", foi a milícia paramilitar durante o período em que o Nacional Socialismo exercia o poder. Seu líder era Ernst Röhm, capitão do exército e notório por seu senso de organização e sua capacidade de comando. Os membros das Sturmabteilungen também eram conhecidos como "camisas pardas", pela cor de seu uniforme (a cor parda provinha de fardamentos destinados a tropas alemãs que serviram na Tanzânia durante a Primeira Guerra Mundial, e que nunca chegaram a ser entregues; após a guerra, foram adquiridas a preços módicos pelos nazistas, para vestir suas milícias).
A Sturmabteilung constituíram, em certo momento, uma das instituições mais ativas da vida pública da Alemanha, e um dos esteios do poder político de Adolf Hitler. Deve-se ressaltar que elas não funcionavam como um exército ou uma tropa organizada, sendo sua atividade muito mais a de baderneiros do que a de um exército. O próprio Hitler via a SA como uma tropa de pressão política, mas não como núcleo do "futuro exército do Reich" como desejava seu líder, Röhm. No momento em que deixaram de ser interessantes, constituindo algo não só fora de seu controle, mas abertamente contra determinadas ideias de Hitler, foram eliminadas. Também as intrigas nascidas da conduta homossexual de Röhm acabaram por derrubá-lo, no episódio conhecido como Noite das Facas Longas. A partir daí, as SS, sempre contrapostas às Sturmabteilungen, ocuparam o espaço de polícia política outrora destinado às SA.
Em 1930, para centralizar a lealdade da SA, Adolf Hitler assumiu pessoalmente o comando de toda a organização e manteve a Oberste SA-Führer a partir do período de existência do grupo até 1945. O dia-a-dia das SA foi realizada pelo Chefe de Gabinete SA, conhecida como a Stabschef. Depois de 1931, foi o Stabschef que era geralmente aceita como o comandante da SA, agindo em nome de Hitler.
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Nesta semana, em reuniões do comitê de campanha e nos discursos em São Paulo, Minas, Piauí e Pará, Lula convocou a militância petista para, nesta reta final fazer a diferença. Espero que, a exemplo de como agiam as SA nazistas, a militância petista não tenha enveredado para o caminho da truculência e baderna. Duas foram as situações em um mesmo dia para que a gente fique desconfiado: uma no Ceará, onde a militância foi para a porta da igreja em que Serra assistia a uma missa para provocar e gerar tumulto. A outra, conforme vimos acima, foi a ação de truculência e constrangimento com uma gráfica em Cambuci, São Paulo, contratada pela Diocese de Guarulhos para imprimir um manifesto de orientação aos católicos.
Segue a narrativa da ação publicada no blog do jornalista Reinaldo Azevedo com o vídeo a que ele se refere. Retorno no próximo post:
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Abaixo há um vídeo feito pelo próprio PT, como indica a estrela calcada no canto superior direito. Jornalistas e petistas — em muitos casos, são as mesmas pessoas — deram ontem uma “blitz” (!?) na gráfica Pana, em Cambuci, na região central de São Paulo, e trataram como crime o que crime não é, num caso evidente de constrangimento ilegal. Vamos começar do começo.
A Comissão de Defesa da Vida, um grupo formado por bispos e padres, redigiu um documento intitulado “Apelo a Todos os Brasileiros”. O texto recomenda que os católicos não votem em candidatos comprometidos com a defesa da descriminação do aborto. Por amor aos fatos, lembra qual tem sido a atuação do PT e do governo nesse assunto. Pela ordem: a) ao pregar que católicos não votem em políticos pró-aborto, a mensagem nada mais faz do que se adequar à orientação oficial da Igreja; b) ao lembrar a militância do PT e do governo, faz apenas um pouco de história. O documento recebeu o apoio do Regional Sul I da CNBB, o que deixou o governo zangado. E começou, então, o trabalho de satanização dos religiosos, especialmente de d. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo da Diocese de Guarulhos (ver post desta manhã).
Atenção: Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus e concessionário de um serviço público, já que é dono da Rede Record de rádio e TV, declarou apoio aberto a Dilma Rousseff. Ninguém quis saber se ele ou sua empresa mantém relações especiais com o governo. A declaração de voto foi considerada muito natural. Já setores da Igreja Católica não podem nem mesmo se manifestar contra o aborto — porque isso, pode prejudicar Dilma… Edir Macedo pode apoiar a petista, mas um grupo de bispos não pode “desapoiá-la” — dado que os religiosos nem mesmo pedem voto em Serra.
Voltemos ao vídeo
A Diocese de Guarulhos encomendou a impressão do “Apelo a Todos os Brasileiros” à gráfica Pana. O PT armou uma verdadeira blitz ilegal à porta da empresa para tentar saber quem encomendou o panfleto. Ao assistir o vídeo, vocês constatarão o enorme esforço de petistas e jornalistas para tratar como ILEGAL o que é absolutamente LEGAL. Paulo Ogawa, contador da empresa, exibe o pedido, tudo devidamente documentado. Não bastou. Prestem atenção ao comportamento daquele barbudo aos 4min51s: ele quer entrar na empresa. Ainda que fosse um policial, teria de ter mandado judicial para isso. Como sua entrada é vedada, acusa a vítima de estar colaborando com um crime — quando criminosos, ali, são todos os que praticam constrangimento ilegal. Ao berros, ele diz: “Já chamou a Polícia? Nós vamos todo mundo pra delegacia; o senhor vai junto”. No grupo, há alguém que se identifica como deputado. É um senhor ali que exagerou na tinta do cabelo. Não sei quem é.
É pouco? Ainda é, acreditem.
Uma moça, cujo rosto não aparece, disfarçada de jornalista — já que carrega um bloco e faz anotações — pergunta se o gráfico imprimiria panfletos apócrifos do PCC. Esta senhora compara um pedido feito por bispos católicos, que têm nome e sobrenome, com uma facção do crime organizado.
Esse clima de criminalização do que não é crime foi parar nos grandes portais. Afinal, os “jornalistas” se deixaram contaminar pela justiça feita com as próprias mãos… do PT!
Estamos na Alemanha do início dos anos 30. A Sturmabteilung, a tropa de assalto conhecida por “SA”, está nas ruas. Vejam o vídeo e fiquem enojados.
